quinta-feira, 13 de maio de 2021

Plantão Caixa Preta

EXCLUSIVO


EIS O DOCUMENTO !

Aprovado HOJE, 13 DE MAIO, oficializando a Autorização para o Translado do PRIMEIRO BOEING 737-400F da TOTAL LINHAS AÉREAS!

TUDO APROVADO! 
AGORA VALE!!!














 





sexta-feira, 7 de maio de 2021

Livros de Aviação

Vamos além de uma resenha. Apresentamos livros e indicamos onde podem ser conseguidos! (por Solange Galante)








VIAJE BEM VIAJE VASP
Gianfranco Beting


O publicitário, jornalista, fotógrafo – e, sobretudo, entusiasta apaixonado pela aviação comercial brasileira – Gianfranco "Panda" Beting acabou de lançar um de seus mais aguardados livros homenageando as empresas aéreas brasileiras.
A homenageada da vez é a VASP, que deixou uma saudade imensa para todos! Uma pesquisa bem elaborada e fotos em p&b e coloridas, a maioria delas inéditas, são o destaque.


Em português, com fotos/ilustrações em preto e branco e coloridas
2021 
272 páginas
25 cm X 25 cm
Brochura
Capa mole



Valor: R$ 180,00 

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"MÃE"? EU?


Em vários vídeos do canal PandAviation fui citada e até "apelidada" de "Mãe do livro da Vasp". Explico o que motivou isso...
Quando eu fui participar de um dos leilões de "suvenires" da VASP, dei uma olhada antes no edital e nos lotes, pois queria uma caixa preta, e aí dei de cara com um lote em que constavam os livros de ata da companhia, sua história oficial em oito livros, desde 1933 (ano da fundação) até 1974, e livros de assinaturas até posteriores a essa data. No dia do leilão, me empenhei para arrematar aqueles livros. Apareceu, on line, um concorrente, que disputou comigo lance a lance, até que ele perdeu o fôlego e eu arrematei! Do lance inicial de mil reais a atas saíram por 2.500,00! Foi, naquele dia 15 de setembro de 2014, o bem arrematado por maior valor. Passei o cheque e fui direto a uma agência do meu banco, a mais próxima, fazer um empréstimo automático para cobri-lo.
Mais ou menos na mesma época, recebi fotos mostrando que parte do material fotográfico da Vasp estava se perdendo pelo despreparo da administração da Massa Falida e do Conselho Nacional de Justiça em lidar com tão rico acervo. Muita coisa estava apanhando chuva, ou estava literalmente no lixo. Fiquei alarmada e falei para a pessoa que me contou do material "Eu compro!" Comprei. E mandei digitalizar dezenas de cromos. Felizmente, deu para salvar muita coisa mesmo!
Parte dessas fotos, além de outras garimpadas desde que a Vasp parou de voar, inclusive comercializadas por seus próprios funcionários em feirinhas de colecionadores, fariam parte de um livro que eu escreveria, junto com as informações das atas. O livro iria se chamar "A Vasp por ela mesma". Mas o "Panda" se interessou pelo meu material assim que soube dele e, de fato, preferi não escrever eu o tal livro, mas sim passar essa missão a quem tinha mais estrutura para publicá-lo e já começava também a buscar material para o livro que escreveria. Ele veio em casa, viu as atas, me pediu para digitalizá-las e lhe vendi também as originais, que estão agora em muito bom lugar, cuidadas com o máximo de carinho, mais do que aquele concorrente do leilão que não conseguiu me convencer dos motivos que o levavam a ter interesse pelo material – queria, depois, que eu doasse as atas por todo custo, mas rejeitei! E, com certeza, estariam no fundo de algum baú até hoje, intocadas ! Muito melhor destino tiveram para ajudar a compor o livro Viaje Bem Viaje Vasp! Além das atas, Panda selecionou também as melhores fotos de minha coleção, e me convidou para escrever o prefácio do livro, bem como o ajudei na revisão sem cobrar nada, o que me permitiu ver e comprovar o excelente trabalho de pesquisa realizado pelo selo de qualidade Beting Books. Tenho certeza que agradará a todos!

Ass: Mãe ...


sábado, 1 de maio de 2021

"NÃO É BEM ASSIM"



"... como falamos, como escrevemos,

como publicamos, como digitamos..."

Pérolas, deslizes e outros erros que acontecem por aí

(Em substituição ao "Pérolas Voadoras")

* * * * * 

O que são FAKE NEWS ? FAKE NEWS são notícias falsas. Noticias são "informações a respeito de acontecimentos ou mudanças recentes". E se há notícias falsas, os acontecimentos e mudanças recentes não são como se noticiou.

Notícias são como tijolinhos que constroem a história. Não por acaso, jornais são fontes primárias de pesquisas históricas, especialmente quando não se consegue mais entrevistas com os personagens mais relevantes que participaram da história. Por isso que eu assisti, no ano passado, a um curso online chamado "Imprensa Médica como fonte da história? Os Annaes Brasilienses de Medicina e a Gazeta Medica da Bahia em meados de 1860". O curso me deu maior conhecimento sobre como os historiadores – não falei jornalistas – usam a imprensa como fontes de informação e analisam sua CREDIBILIDADE ou não. Lembrando que hoje jornais, revistas, TV, rádio, internet, é tudo Imprensa.

Se UM, apenas UM desses "tijolinhos" (uma notícia) for de péssima qualidade e a História utilizar outros semelhantes – o oleiro, ou seja, o profissional que fabrica tijolos, pode ter usado os mesmos materiais e técnicas de baixa qualidade – poderá ocorrer o que aconteceu com o edifício que, em 1998, desmoronou no Rio de Janeiro por ter sido construído supostamente com areia de praia, de péssima qualidade para a construção civil.

"Blá blá blá blá blá blá..." ??? Não! Estou apenas "desenhando" para que entendam (muitos necessitam entender por "desenho", sabemos disso...) 

Enfim, as FAKE NEWS, sempre existiram. Dizem que a mentira de que comer manga e beber leite junto faz mal à saúde, dá indigestão etc começou quando os escravos, nas fazendas coloniais brasileiras, se alimentavam com mangas e depois bebiam o leite do gado de seus senhores, os quais criaram essa notícia falsa – que correu de boca em boca – para que eles não furtassem o precioso líquido. Foi tão penetrante essa fake news que hoje, no século XX!, ainda há quem acredite na lorota!

Mas, em tempos de Redes Sociais, as notícias falsas correm mais do que rastilho de pólvora, podendo, inclusive, explodir no final!!! 


 Bem, vamos aos destaques de hoje!!! Primeiro, analisando a falta de APURAÇÃO!!!


Título: "Leilão do Douglas DC-8 sucateado em Guarulhos não teve nenhum lance"

"No começo de abril, a GRUAirport, concessionária responsável pela administração do aeroporto internacional de Guarulhos, iniciou um processo de leilão de 12 bens em desuso ou desativados.

Um dos lotes chamou a atenção por ter o clássico avião quadrijato modelo DC-8-73F, que no Brasil foi operado pela BETA Cargo sob a matrícula PP-BEL. (...) O DC-8 tinha o lance inicial de R$ 125 mil. “Tinha”, porque a aeronave foi removida do processo sem ter recebido nenhum lance.

Curiosamente, essa não é a primeira vez que tal aeronave é colocada para leilão. Em 2013, um outro certame tentou vender o avião sucateado por R$ 110 mil, sem sucesso. 

(...) Para mais detalhes sobre o futuro da aeronave, enviamos uma mensagem ao GRU Airport e Superbid e informaremos aqui qualquer novidade.

Enquanto isso, a aeronave segue abandonada ao tempo, sabe-se lá por quanto tempo mais. Fato é que o seu destino mais provável seja alguma sucata."

matéria de fonte "Portal Aeroin" publicada no último dia 24 de abril, dá link para outra, do site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com chamada para o referido leilão de 2013.

Porém, entre o anúncio desse leilão (de 2013) e a retirada do DC-8 do leilão de abril de 2021, aparentemente, o site Aeroin não realizou nenhuma investigação a respeito para saber do resultado do leilão de 2013 e afirmou, achando-se convicto disso, que o leilão "não teve sucesso". Também se mostrou certo de que a aeronave estava "abandonada" no GRU Airport.

Dias antes, com o Título: "Clássico avião DC-8 da BETA vai a leilão no aeroporto de Guarulhos" continha uma informação correta (conforme coloquei em negrito abaixo) mas que não foi levada em conta posteriormente para uma investigação necessária sobre o destino do leilão da GRU Airport:

"O certame da empresa será realizado no dia 23 de abril de 2021, por meio do Superbid Marketplace."

carência de APURAÇÃO jornalística caracteriza falta de qualidade na informação. Conheço quem tentou dar lance no referido leilão da aeronave no dia 20 de abril sem saber que ele havia sido cancelado. Porque a imprensa não noticiou o cancelamento, precedido, aliás, de adiamento dos demais lotes de 23 para 29 de abril, onde a aeronave poderia se inserir também. Não era necessário aguardar a GRU Airport ou o leiloeiro Superbid ir à imprensa avisar que haveria adiamento e/ou cancelamento. Bastava acessar o próprio link do leilão e verificar a mudança das datas.

falta dessa necessária apuração, atualização, melhor informação ao leitor não foi exclusiva do Aeroin. Como sempre, a imprensa, especialmente a eletrônica, joga notícias copiadas de outrem nas telas sem qualquer checagem. E o leitor, coitado, acredita que está atualizado, que está sabendo de tudo que acontece na velocidade da internet... Abaixo, alguns títulos de matérias que tiveram replicadas informações incorretas a respeito desse leilão:

"Douglas DC-8 da Beta que estava em leilão, não recebeu nenhum lance" (inclusive, afirmando que "O leilão aconteceu no último dia 23 de abril (...)" (Site Aeroflap)

"Aeronave DC-8 da BETA abandonada em Guarulhos vai a leilão" (inclusive, afirmando que "O avião desatualizado e não consegue voar há muito tempo (sic). E o dono não pode mais ser encontrado." (Site Cavok)

Agora, analisando as FAKE NEWS geradas

por quem replicou informações incorretas de outrem: 

"GRU Airport não consegue vender avião sucateado" (Site GRU Diário)

"(...) A concessionária GRU Airport, que administra o Aeroporto Internacional de Guarulhos, não conseguiu interessados em adquirir o avião Beta Cargo, fabricado em 1969 e que operou em companhias da Alemanha e dos Estados Unidos, em leilão promovido neste mês. A informação é do Canal Aeroin.

"(...) De acordo com o Aeroin, o Beta Cargo não deve ser colocado para leilão novamente. 'A aeronave segue abandonada ao tempo, sabe-se lá por quanto tempo mais. Fato é que o seu destino mais provável seja alguma sucata.'”

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"Clássico avião DC-8 da BETA vai a leilão no aeroporto de Guarulhos." (Blog Desastres Aéreos News)

"(...) A concessionária GRU Airport, que administra o Aeroporto Internacional de Guarulhos, não conseguiu interessados em adquirir o avião Beta Cargo, fabricado em 1969 e que operou em companhias da Alemanha e dos Estados Unidos, em leilão promovido neste mês. A informação é do Canal Aeroin."

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"DC-8  ex-Lufthansa Cargo está à venda." (Site alemão Aero Telegraph)

"(...) E o dono não pode mais se encontrado. O operador do aeroporto está, portanto, à procura de um novo proprietário. Se estiver interessado, pode licitar o DC-8 por pelo menos 125 mil reais, o que equivale a cerca de 18.500 euros, segundo informa o portal Aeroin. As propostas ainda não foram recebidas." (OBS: original em alemão

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Como pode-se ver pelos negritos acima, a falta de apuração da fonte original desses três sites provocou essas FAKE NEWS pois o avião, pelo contrário:

1) Foi sim arrematado em leilão em 2013;

2) Tinha e tem dono sim, que não é o GRU Airport, que estava tentando leiloar o que SABIA não ser dele;

3) A aeronave não estava abandonada, apenas estava e está sendo alvo de medidas judiciais que a impedem, até o momento, de ser transferida para o dono de direito.

Este Blog publicou documentos, resultantes de apuração criteriosa e real, que comprovam as afirmações acima mas foram ignoradas pelos sites que alegaram que ocorreu o leilão dia 23 de abril (sendo que foi cancelado o leilão da aeronave antes de 20 de abril) e que não havia tido arrematantes mas não informaram que isso aconteceu porque o DC-8 foi retirado de leilão antes disso, mais exatamente tão logo surgiram denúncias de sua tentativa ilegal de venda, conforme os links abaixo:  

https://caixapretadasolange.blogspot.com/2021/04/plantao-caixa-preta.html

https://caixapretadasolange.blogspot.com/2021/04/plantao-caixa-preta_20.html


Moral da história: se quiser ser profissional e ter credibilidade, mas não tiver certeza do que publica, ou não tiver certeza da confiabilidade da fonte, não publique, tá? Um dos sites citados acima, inclusive, até recebeu uma notificação extra-judicial de uma fabricante de armamentos, por causa exatamente disso: publicar sem apurar. Ou seja: jornalismo, mesmo na internet, ou melhor, principalmente na internet, não é brincadeira! 


quinta-feira, 29 de abril de 2021

ENTREVISTA

 

OS CAMINHOS

 

SANDRA ASSALI 
COORDENADORA DO LIVRO "ACIDENTE AÉREO - O QUE TODO FAMILIAR DE VÍTIMA PODE E DEVE SABER"

 

                    Foto: coleção pessoal da entrevistada                                 Foto: Reprodução


                                                                           Por Solange Galante

Recebi pelo correio um livro que considero muito importante. Seu título é "Acidente Aéreo - o que todo familiar de vítima pode e deve saber". 

Bem ao contrário do que você poderia supor, na capa do mesmo não há um avião destruído, corpos dilacerados, bombeiros trabalhando ao redor de destroços fumegantes. Na capa deste livro, um lindo campo de girassóis. A ideia foi do editor Carlos Monteiro, inspirado pelo depoimento de uma das familiares de vítimas que consta no livro. Ele também comenta que o girassol é uma flor emblemática, pois procura o sol, a vida. E, todos sabemos, as flores são usadas para homenagear as pessoas queridas que já partiram. Por isso que a primeira página do livro tem a frase "Nós usamos a flor que busca a luz – da verdade".

O livro foi escrito por 30 autores, todos especialistas em suas áreas, sob coordenação de Sandra Assali. Talvez você não se lembre dela... hoje! Quem se lembra do acidente com o Fokker 100 da TAM em outubro de 1996 em São Paulo talvez até se lembre dela, mas muito menos, com certeza, do que o "prefixo do avião (PT-MRK) ou de que ele era todo azul com uma pintura especial porque a TAM tinha ganhado um-prêmio-não-sei-de-quê..." Ah, sim, lembrar-se-ão que caiu no bairro do Jabaquara após decolar do Aeroporto de Congonhas e o reverso da "turbina" abrir. E é só.

Com absoluta certeza, quem não participou do resgate dos corpos, da investigação, do noticiário e muito menos, graças a Deus, era parente ou amigo próximo das 99 vítimas do "Vôo 402", assistiu ao desenrolar daquele drama, nas semanas e meses que se seguiram a ele, como se hoje assistisse a um seriado da Netflix. Ou seja, a gente "participa" remotamente da trama e, depois do "The End" desliga a TV e vai dormir.

No meio desta pandemia da covid-19, muita gente também não esperava da noite para o dia perder, em alguns casos, a família inteira, gente saudável, uma pessoa ou várias com filhos, às vezes netos, mil planos a realizar, prestes a casar ou recém admitido numa empresa, de uma doença tão pouco conhecida e altamente fatal, um ano após sua descoberta. Meu pensamento sempre compara a morte por doença à morte por acidente, seja automobilístico, aéreo, um desabamento ou mesmo a explosão da tampa de um bueiro a seus pés. Eu acho que a morte de pessoas queridas por "acidente", por ser muito mais inesperada que doenças, por mais graves que estas sejam, assim como a morte por "bala perdida" ou violência por crime de arma branca ou de fogo, são as que mais dilaceram o coração, o psicológico e a vida como um todo, daqueles que sobrevivem e permanecem.

Acredito que essa entrevista com Sandra Assali irá trazer de volta à memória de muita gente uma personagem que esteve em todas as mídias da época e hoje apresenta o mais valioso fruto de sua experiência de dor e de suor em prol dos que ficaram, não só seus próprios parentes e amigos diretos, mas inúmeros colegas de luto.


Caixa Preta: Além de presidente da ABRAPAVAA (Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos) você é advogada, mediadora de conflitos, palestrante e escritora. Qual era sua profissão até 31 de outubro de 1996, data em que perdeu seu marido no acidente com o TAM 402?

Sandra Assali: Eu já estava formada em Direito mas não advogava. Eu era Secretária Executiva e já havia trabalhado em grandes empresas, como Jonhson & Jonhson, BNDES, etc.

CP: Lembro como se fosse hoje do acidente... Incrédula desde que eu soube do ocorrido e já prevendo o tamanho da tragédia, pois foi um acidente ocorrido dentro de área densamente povoada da maior cidade da América do Sul, eu, formada em jornalismo há então menos de três anos e me dedicando em tempo integral à aviação há menos de dois, acompanhei tudo que pude pela TV e jornais, na época eu nem tinha acesso à internet... Mas eu percebi, mesmo fora de "redes sociais" como as que existem hoje, comentários preconceituosos e maledicentes sobre você e outras parentes de vítimas do TAM 402. Digo "outrAs parentes" porque, aparentemente – me corrija se eu estiver errada –, a maioria das vítimas do acidente eram homens, executivos que estavam viajando a trabalho, como era o caso do seu marido. Por isso, tais pessoas maldosas, aqui ou ali, comentavam "Vai cair o padrão de vida dessas viúvas, já que os maridos eram  executivos bem sucedidos, agora elas vão ter que trabalhar pra viver." Eu ouvi frases assim, e acredito que você também tenha ouvido ou lido.  Enfim, você sentiu esse preconceito logo após o acidente? E como lidou com isso?

Sandra Assali: De forma alguma... verdade que ouvimos muitas coisas, das mais absurdas, às mais acolhedoras... estávamos muito próximas e unidas à época e, muito expostas na imprensa/mídia, fosse na TV, nos jornais, rádios, etc. Sim.... ficamos em mais de 80 viúvas, mais de 100 órfãos menores... ninguém tinha ideia ou condições de avaliar o que estávamos passando diante da total ausência de apoio e assistência por parte da TAM e, principalmente, pelo fato de, a maioria, ter perdido seu provedor... achavam que, uma vez a grande maioria  das vítimas sendo executivos, estávamos todas em situação financeira confortável... estavam enganados mas também combinamos "não vamos responder a ninguém... deixem que falem..." e assim agimos. Tanto que, diante do nosso silêncio pelas provocações, os comentários cessaram. Não tínhamos de dar satisfações a ninguém... vivíamos um momento tão complexo e doloroso... nossas prioridades eram tantas... jamais perder tempo com provocações sem sentido.

CP: Até onde eu sei a ABRAPAVAA foi a primeira associação do gênero a ser fundada no Brasil. De onde surgiu a ideia? Você foi aconselhada a criá-la ou as próprias dificuldades causadas pela tragédia na sua vida a fizeram idealizar algo do tipo?

Sandra Assali: Sim... a ABRAPAVAA foi a primeira do gênero no Brasil. A ideia surgiu depois que as famílias passaram a se conhecer, criarmos um grupo, organizarmos algumas reuniões e identificarmos que todas estavam encontrando as mesmas dificuldades, ou seja, falta de informações, falta de assistência, não sabíamos por onde começarmos, quais os nossos direitos, etc. Então, numa dessas reuniões, chegamos à conclusão que, para termos respeito e exigirmos informações deveríamos fundar uma Associação e assim, reconhecidas "de direito" poderíamos "cobrar" por informações, respostas, atenção e respeito.

CP: Poucos meses após o acidente que vitimou seu marido, teve grande destaque na imprensa a morte do menino Ives Ota, de apenas oito anos de idade, após um sequestro em São Paulo, você deve se lembrar disso também. O pai da criança, Masataka Ota, mais do que usar a camiseta com a foto do filho, que se tornou icônica, para buscar justiça, batalhou até o fim da vida por tornar sua tragédia pessoal o ponto de partida para mudanças em leis, tornou-se vereador e criou um instituto de combate à violência e auxílio social que existe até hoje. Você consegue fazer uma comparação entre as duas tragédias pessoais que mudaram a sua vida e a vida de Masataka Ota? 

Sandra Assali: Eu acredito que as "adversidades" nos movem... principalmente em se falando na perda de um ente querido, como um filho, um marido, uma mãe, ou seja, toda situação onde seu familiar "é arrancado" de seu convívio em situações bruscas, inesperadas e dolorosas, elas nos movem... Apesar do choque, do luto necessário, da dor e da saudade, são exatamente esses os motivos que nos levam à busca por respostas, por responsabilidades e, principalmente, por um olhar onde se torna necessária a iniciativa por regulamentação, prevenção, mudança de atitudes e inciativas que previnam situações semelhantes, ou seja, "para que não mais aconteçam".

CP: Como surgiu a ideia do livro em si, lançado 25 anos após o acidente e quase isso desde a criação da Associação? Como amadureceu a ideia que, certamente, foi uma longa gestação? 

Sandra Assali: Meu primeiro livro foi lançado em 2016 – no dia 31 de outubro, data dos 20 anos do TAM 402: "O Dia que Mudou Minha Vida". E o lançamento de março último - "Acidente Aéreo - O que todo familiar de vítima pode e deve saber.": a ideia nasceu nasceu da experiência de 24 anos da ABRAPAVAA. Nossa rotina com os familiares de vítimas identificou uma dificuldade comum, e natural, para entenderem a linguagem própria e característica aeronáutica. O familiar quer respostas e informações mas, é um "mundo à parte"...  é complexo... de difícil compreensão. Foi nesse momento que surgiu a ideia de uma obra, convidando especialistas em suas áreas, que fossem autores numa linguagem "leiga" e de fácil entendimento a todo familiar de vítima.

CP: Você acha que as empresas, grandes e pequenas, ainda são despreparadas para lidar com um acidente aéreo? 

Sandra Assali: Em se falando da aviação comercial, temos hoje boas experiências e uma preocupação com treinamentos constantes seguindo principalmente, as orientações da IAC-200-1001 da ANAC. Já, quanto à aviação geral, nossa maior preocupação, diante do, ainda alto, número de acidentes aéreos e a razão do maior volume de trabalho da ABRAPAVAA, sim, é necessário ainda um olhar e uma preocupação para um maior preparo, envolvimento e treinamento aos proprietários e gestores de empresas como táxi-aéreo, executiva, rotativas, experimental, em se falando em gerenciamento de crise e assistência aos familiares de vítimas.

CP: Você também teve a percepção que eu tive, na época, e em outros acidentes, que os tripulantes das aeronaves envolvidas, especialmente os pilotos, são "esquecidos" quando ocorre um acidente? Ou seja, dá-se maior destaque às vítimas "passageiros" e aqueles tripulantes só são lembrados pela imprensa, principalmente, mas também pela polícia para serem acusados por seus prováveis erros e falhas?

Sandra Assali: Acredito que já sinalizamos mudanças, ainda longe do ideal. Sempre reforço que e, principalmente aos "achistas de plantão" que, mal o acidente acontece, já estão emitindo opiniões sobre o que pode ter acontecido, não podemos nos esquecer que, diante da TV ou de uma rede social, tem um familiar daquela vítima que está vendo/lendo aquelas informações e tudo que é precoce numa análise de um acidente aéreo, pode afetar grandemente um familiar. Já presenciei situações onde se atribuiu prematuramente a culpa ao piloto e o familiar estava presenciando aquela fala, o que lhe afetou de forma dolorosa e, posteriormente, a informação não procedeu... ninguém pediu desculpas e os prejuízos emocionais à aquela família foram terríveis!

CP: Eu coleciono reportagens sobre aviação desde 1995, gravando (antes em VHS, hoje em DVD e HD). Desde então, percebi que a imprensa, especialmente a de TV, tem tido mais cuidado hoje ao divulgar imagens das vítimas de acidentes aéreos, pelo menos borrando as cenas quando fortes. Inclusive, acho que a última grande tragédia em que houve exibição de imagens muito fortes a respeito foi justamente a do voo 402. Você acha que o 402 foi um divisor de águas a esse respeito? (Tenho um curso de aviação para jornalistas e estou preparando um sobre sensacionalismo da imprensa em relação à  aviação)

Sandra Assali: Sim... concordo. Hoje existe um cuidado maior e muito necessário na exposição de um acidente aéreo perante à imprensa/mídia. Por outro lado, temos um agravante: as redes sociais. Na minha rotina, é muito comum receber vídeos de cenas chocantes de acidentes aéreos, por pessoas que, assim que chegam  ao local do acidente, logo que acontece, começam a filmar pelo celular e imediatamente compartilham nas redes sociais. E isso por todo o Brasil.

CP: Na sua opinião, qual o "desserviço" da imprensa quando não trata com o devido cuidado, respeito e, principalmente, correção a pauta "acidente aéreo"?

Sandra Assali: Foi como mencionei acima... um trauma ao familiar de vítima. Falta de sensibilidade e respeito. Difíceis de superar!

CP: Ainda há familiares do Voo 406 lutando judicialmente com a TAM, mesmo hoje, quando ela já se tornou Latam? 

Sandra Assali: Não tenho conhecimento de mais nenhum caso pendente no 402 e quanto ao 3054 (2007) tem alguns casos de familiares que buscam reparação contra a Airbus nos EUA mas, quanto aos acordos no Brasil, foram todos finalizados.

CP: Qual seu recado final para quem se interessar pelo livro que coordenou?

Sandra Assali: O livro traz ao familiar de vítima, aos gestores, aos escritórios de advocacia, aos psicólogos, aos socorristas, aos legistas etc, informações importantes e de fácil compreensão, desde o momento que o acidente acontece, até a reparação/indenização, numa linguagem simples e clara. É um livro que, seguramente, poderá e levará orientação e informações importantes em situações de tragédia e perdas em massa, para além dos acidentes aéreos.

sábado, 24 de abril de 2021

*****Presente!*****

 

"O Mundo Maravilhoso da Aviação"

 pela VASP


Fascículo 4


(por Solange Galante)

Em 1978, a Viação Aérea São Paulo – nossa saudosa VASP – publicou encartados nas revistas Veja (semanal) e Exame (quinzenal) oito fascículos chamados "O Mundo Maravilhoso da Aviação". Eu, particularmente, tenho uma relação toda especial com essa publicação.





Dando continuidade a essa publicação gratuita neste Blog, espero que meu presente aos meus leitores possa ser útil e que agrade a todos. E, acima de tudo, que incentive mais e mais pessoas a se apaixonarem pelos aviões do passado e do presente!


















sexta-feira, 23 de abril de 2021

SPEECH

VAMOS AJUDAR A FRAN?




Por Solange Galante (texto e todas as  fotos)

Recebi o email abaixo e gostaria de contar com a ajuda pessoas interessadas para atualizar-me sobre o paradeiro dos aviões da VASP leiloados e também ajudar a Fran a conseguir locar uma bela cabine para sua produção.

Além das localidades citadas sabemos que há aviões da Vasp em outros lugares, nem todos completos, especialmente na cabine de comando. Alguns dos que foram desmontados, picotados etc, eu também sei. Mas, alguns que estavam completos há alguns anos, podem não estar mais. Vamos fazer uma relação do destino deles?



Boa tarde, Solange! Tudo bem?

Cheguei até o seu contato pelo blog Caixa Preta. Me chamo Fran Camilo e sou produtora de cinema. Estou produzindo uma série de ficção para TV que se passa praticamente toda dentro de um avião, mais precisamente o Boing 737-200.

Já fizemos várias pesquisas para tentar encontrar esses aviões aqui no Brasil. Até então tivemos o conhecimento de um em Araraquara-SP, um em Itapejara D'Oeste-PR, um em Cascavel-PR e um em Ipameri-GO, mas ainda acredito que possam existir outros.

Vi em seu blog que em 2014 aconteceu um leilão da Vasp de algumas aeronaves: https://caixapretadasolange.blogspot.com/2014/01/plantao-caixa-preta_30.html?m=0

Você teria mais informações sobre o paradeiro desses aviões? Se eles ainda existem e estão em boa conservação?

Desde já, muito obrigada e parabéns por todo o trabalho que você desenvolve em seu blog. Tem muita informação importante ali, um trabalho extremamente cuidadoso e necessário.

Abraços

Fran Camilo

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PÚBLICO QUALIFICADO

E PRESTAÇÃO DE SERVIÇO


Ao longo de 25 anos ininterruptos de jornalismo de aviação, minha credibilidade não só me levou a ganhar vários prêmios e elogios. Mas, sem que eu fosse buscar isso, atraí público qualificado que se manteve anônimo até me contatar diretamente. Entre essas pessoas posso citar deputados (sendo que um texto de minha autoria na revista Flap Internacional fez parte dos estudos da Comissão de aviação na Câmara Federal, em Brasília), produtores de séries do Discovery Channel, estudantes de várias áreas que usaram meu material (com autorização) ou colheram meu depoimento para seus trabalhos de conclusão de curso. Sem mentir nem exagerar, são poucos os jornalistas de aviação brasileiros com detalhes semelhantes na biografia.

Na era digital busca-se muitos "likes", "curtidas" e "compartilhamentos". Mas, o que este Blog sempre desejou mesmo é ter leitores qualificados e fazer a diferença, seja denunciando, servindo de fonte fidedigna para pesquisas, ou mesmo ensinando. Matérias e informações exclusivas ajudam a mostrar que sou procurada também por fontes que confiam no trabalho aqui desenvolvido, onde os bastidores da  aviação e assuntos menos explorados têm espaço constantemente. A Aviação precisa ser levada a sério, sem piadinhas e sem sensacionalismo. As atitudes de hoje podem até mesmo fechar importantes portas amanhã.

Em relação aos leilões de aeronaves da Vasp e Transbrasil (principalmente), sou, com certeza, a jornalista que, entre 2011 e 2016, mais acompanhou os desdobramentos do Programa Espaço-Livre Aeroportos do Conselho Nacional de Justiça. Tenho material o suficiente para escrever vários livros a respeito disso. Material que vale a pena ser usado por pesquisadores e historiadores, no futuro. Não se engane: informação de verdade, não só não se encontra em qualquer lugar como também faz a diferença na política, na economia, no entretenimento e na educação. Onde a qualidade vale mais que a quantidade.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Plantão Caixa Preta

 



    (QUARTA PARTE)

(por Solange Galante)

Documentos provaram que o GRU Airport estava tentando leiloar uma aeronave que não lhe pertencia. Minha convicção vai além dos documentos apresentados, porque eu já tinha conhecimento da maioria deles. E o problema não é recente. Eu acompanho esse caso e outro semelhante desde 2013.

Pergunto aos meus leitores: sabem porque duas outras aeronaves DC-8 ainda se encontram em outro aeroporto, o Eduardo Gomes, até hoje? Vamos, portanto, viajar um pouco no espaço e no tempo.

Deixando o Aeroporto de Guarulhos, convido meus leitores a viajar até o Aeroporto Internacional de Manaus, onde está um dos maiores cemitérios de aviões comerciais brasileiros atuais. Lá estão os "irmãos" do PP-BEL, os igualmente DC-8-73 PP-BEM e PP-BET. Todos ex-BETA Express Cargo.

Os problemas da BETA começaram com o escândalo dos Correios e o famoso "Mensalão" do PT.  O imbróglio jurídico levou a 7a. Vara Federal do DF/1a Região a decretar a indisponibilidade, entre outros bens, das aeronaves da BETA.  Isso aconteceu em 2007.

Agora estamos em novembro de 2016. A Infraero, administradora do principal aeroporto manauara, anunciou o edital do leilão das duas aeronaves citadas (BEM e BET) para o dia 11 de novembro daquele ano. Da mesma maneira que o PP-BEL em GRU, esse leilão era ilegal, pois as aeronaves lá no Eduardo Gomes estavam indisponíveis. O mesmo proprietário do PP-BEL deu lances únicos e arrematou ambos quadrijatos. Mas o leiloeiro Jimmy, do Leilões Amazonas, foi avisado que as aeronaves não poderiam ser entregues a ele antes do processo avançar mais rumo a uma solução. O depósito foi feito judicialmente mas o leiloeiro avisou a Infraero que o arremate não seria homologado.

O proprietário do DC-8-73 PP-BEL é, portanto, o mesmo dos outros DC-8. Paulo Renato Pires Fernandez arrematou ambos e não pôde levá-las e sabia que teria que esperar, como ainda espera. Questões jurídicas precisavam ainda ser resolvidas.

É por isso que se fez necessário e urgente que o PP-BEL também fosse retirado do leilão indevido. Primeiro, porque quem o estava vendendo não era seu proprietário. E, muito importante, porque quem o arremataria não o poderia levar, devido a citada indisponibilidade dos três aviões, dois em Manaus, um em Guarulhos.

Ninguém gosta de pagar e não levar, não é mesmo? E muito menos comprar algo que não é do vendedor que ofereceu. 

Simples assim.

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O PP-BEL quando ainda era D-ADUO na German Cargo, nos anos 1980 
(foto: Ulrich F. Hoppe)

O anúncio do leilão do PP-BEL semana passada correu o mundo e, por meio de um site alemão, descobri que ele já voou em uma  subsidiária da Lufthansa Cargo, a German Cargo, o que aumentou o interesse dos spotters alemães sobre seu caso, conforme alguns comentários. A matéria está neste link: 

https://www.aerotelegraph.com/ehemalige-dc-8-von-lufthansa-cargo-steht-zum-verkauf

Tanto o site alemão "Aerotelegraph" quanto alguns sites brasileiros só "teoricamente" especializados em aviação carecem de informações corretas. O avião não está e nunca esteve abandonado, apenas é objeto de uma demora jurídica para resolver seu caso. E tem dono sim.

Trazer informações claras, apresentando documentos, depoimentos e comprovação, narrando uma história com profundidade, é o que diferencia o jornalismo verdadeiro do Ctrl C + Ctrl V + tradução via Google – que pode ser sim o início de uma boa reportagem, mas JAMAIS a fonte principal da mesma. Quem aqui vos explica isso é uma jornalista com curso de jornalismo investigativo, inclusive. Por exemplo, eu testemunhei o caso do leilão da Infraero em 2016 e contatei o TRF 1a. Região na véspera do pregão de Manaus. O email abaixo é um deles:







O leitor sempre irá querer "qualidade", mesmo que "quantidade" lhe seja ofertada como em uma inundação de informações, gerando alguns "likes" por automatismo e aqueles comentários sem qualquer embasamento técnico que irão, muitas vezes, gerar fake news.

Pelo contrário, o leilão frustrado do PP-BEL foi um bom exemplo de como uma denúncia jornalística, inclusive dando espaço para todas as partes se manifestarem – oportunidade da qual o site de leilões e a concessionária do aeroporto paulista abriram mão – , pode gerar um resultado que, neste caso, preveniu um possível arrematante de pagar por algo que não poderia levar.


                            CONTINUAREI ACOMPANHANDO ESTE INTRIGANTE CASO!