AVIATION SUMMIT INAUGURA UMA NOVA VOCAÇÃO PARA O MAPA
(texto e fotos: Solange
Galante)
O primeiro
evento Aviation Summit realizado em São Paulo pela G2C Events teve como
principal destaque ser realizado dentro do Hangar 05 do novo Museu Aeroespacial
Paulista, o MAPA, que deverá abrir as portas para o público em 2027. Embora o
acesso ainda seja restrito, os dois principais hangares da fase inicial do
Museu provaram sua adequação para este e outros eventos do gênero.
Criada em 2019,
a G2C, única empresa brasileira especializada em eventos de aviação, já está
bastante conhecida por eventos com exposição estática de aeronaves, como o Heli
XP, realizado em Carapicuíba anualmente, e o Aviation XP, que ocorre
regionalmente. Os seminários Aviation Summit já aconteceram em vários locais do
Brasil este ano, como em Curitiba, Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Porto
Alegre, e o próximo ocorrerá em Fortaleza, no próximo dia 17.
O Aviation
Summit foi criado para atender à crescente necessidade de um evento exclusivo,
objetivo e prático no setor da aviação. O foco da programação são temas
estratégicos e inovadores, permitindo a conexão e troca de experiências entre
líderes e influenciadores do mercado.
A primeira
palestra, inaugurando a chegada dos seminários à capital paulista, esteve sob
responsabilidade do Coronel Aviador da Força Aérea Brasileira, piloto da
Aviação de Transporte com mais de quatro mil horas de voo, Bruno
Perrut Garcez dos Reis, do efetivo do MAPA. Em sua apresentação, o Oficial
detalhou o processo de idealização do museu, as fases de implantação dos
núcleos museológicos e as oportunidades de investimento pela iniciativa
privada, por meio da Lei Rouanet (Lei Federal nº 8.313/1991). O coronel
atuou por 10 anos no Centro de Comunicação Social da Aeronáutica - CECOMSAER, onde
chegou a Chefe Operacional da Comunicação Social da Aeronáutica. Ele,
inclusive, destacou a vinda de mais aviões para o MAPA, inclusive o primeiro
KC-390 da Embraer, previsto ainda este ano.
Em seguida,
o Major Aviador Eric Ferreira dos Santos, ministrou uma palestra sobre Segurança
de Voo, um tema que, sem dúvida, deve estar sempre presente na aviação. Ele é chefe
da Seção de Investigação do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção
de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV).
A palestra
seguinte foi conduzida por Katia Veraza, diretora de Assuntos Governamentais e
Relações Regionais da Vertical Aviation International (VAI) – herdeira da
antiga Helicopter Association International (HAI). A palestra focou no Panorama
da Aviação Vertical e Oportunidades de Negócios. Em sua função, ela desenvolve
e implementa estratégias de defesa e argumentação em favor de uma causa. É um
processo de reivindicação de direitos, a chamada “advocacy”, que tem por
objetivo influir na formulação e implementação de políticas públicas que
atendam às necessidades da população junto a autoridades federais e estaduais
nos Estados Unidos. Ela também promove as prioridades legislativas e
regulatórias da VAI nos âmbitos estadual, federal e internacional, e colabora
com autoridades públicas para enfrentar desafios regionais e incentivar
legislações favoráveis à indústria da aviação vertical – setor hoje muito mais
amplo que a comunidade dos operadores e fabricantes de helicópteros
representada pela HAI.
Seguiu-se
uma mesa redonda mediada por Heron Nobre, da Bombardier, com participação de
Rogério Prado, CEO da PAX, concessionária do Aeroporto Campo de Marte,
Francisco Lyra, sócio-idealizador da Universidade do Ar, Rodolpho Pandolfi, da
ADP Advogados, o Brigadeiro Moreno, ex-CENIPA e Humberto Vinhais, head de
Vendas Governamentais e Aeronaves Novas na TAM Aviação Executiva. Vários
assuntos foram discutidos, em especial os relacionados à aviação executiva.
O
representante da TAM destacou o mercado de São Paulo para a aviação de
negócios, onde se concentra 25% do market share da operação de jatos
desse semento. Heron Nobre, como representante de uma das maiores fabricantes
de aviões executivos do planeta, observou que a cadeira produtiva da aviação
ainda sofre os impactos da pandemia de covid-19.
Quanto aos
profissionais da aviação, Francisco Lyra, da EAR, observou que falta mão de
obra em todos os segmentos da aviação,
não apenas entre pilotos e mecânicos, que têm sido assediados pelas empresas
estrangeiras, que vêm ao Brasil para recrutá-los. E como a formação faz parte
dessa falta de mão de obra, um incentivo, segundo Lyra, é o curso de piloto da
EAR financiado pelo FIES - Fundo de Financiamento Estudantil.
Ainda sobre
a necessidade de mais profissionais na aviação brasileira, o Major-Brigadeiro
do Ar Marcelo Moreno, que foi chefe do CENIPA até agosto do ano passado, pediu
que as empresas de aviação executiva invistam sempre, e jamais pensem em
economizar na qualificação dos tripulantes.
No tocante à
infraestrutura aeroportuária, Rogério Prado disse que em 10 a 15 anos só
passageiros “premium” poderão estar voando em São Paulo, devido à falta de
aeroportos na região.
Os desafios
da reforma tributária brasileira também estiveram no centro da mesa e prevê-se
grande judicialização devido ao diferencial da alíquota do ICMS. A inclusão de
aeronaves no chamado “Imposto do Pecado” também preocupa, bem como a extinção do Ato COTEPE,
com a gradativa substituição do ICMS e do ISS pelos novos impostos IBS e a CBS.
Outro
desafio futuro será a entrada no mercado dos eVTOL pois, autônomos ou pilotados
remotamente, é preciso discutir-se quem será o responsável por esses veículos
em caso de acionamento de seguro, bem como o aspecto regulatório precisa ser
melhor estudado nesse novo segmento.
No final da
programação do Aviation Summit, todos foram convidados para um coquetel
oferecido pelos organizadores e realizado no Hangar 01 do MAPA, o que exibe a
maior parte do acervo do Museu.
Assim, o
novo Museu Aeroespacial Paulista decola para uma nova vocação, ser o palco de
importantes encontros não só para o público em geral, mas para todo o trade
da aviação.
Abaixo, algumas fotos do Aviation Summit São Paulo 2026:














































