quarta-feira, 26 de maio de 2021

ENTREVISTA ESPECIAL

 

 



Com entrevista EXCLUSIVA: 
DOMÍCIO ANGELO DA FONSECA 


Arquivo pessoal

Ex-Flight Engineer de Boeings  

(707, 727 e 747) da empresa


(por Solange Galante)


A história “rasa” da aviação (sem pesquisa, sem investigação, sem profundidade) registra que a também gloriosa e saudosa VARIG teria sido a única empresa aérea brasileira a operar o icônico Boeing 747, apelidado de Jumbo. Por exemplo, foi o que o site Aeroflap publicou no último dia 7 de maio:

"A primeira e a única companhia aérea brasileira a operar o Boeing 747, a Varig se ainda estivesse operando estaria completando hoje (07) 94 anos de vida."

Podemos dizer que a Transbrasil nunca operou uma aeronave desse modelo com suas próprias cores. Mas várias empresas operaram aeronaves, de modelos inéditos ou não, com as cores das proprietárias das aeronaves que arrendou ou alugou. Lufthansa, Futura, Euroatlantic, Britannia, Transavia, Nigeria Airways foram algumas delas que tiveram suas cores viajando nos céus brasileiros com o nome de nossas companhias (Vasp, Varig, Transbrasil, em especial) adesivado nos aviões ou não. Da mesma maneira, dizer que uma empresa nunca operou determinado modelo de aeronave porque "não era dela" também é incorreto, pois, inclusive, há décadas a maioria das empresas aéreas do mundo operam aeronaves de empresas de leasing, de propriedade de bancos ou de outras companhias. Não fosse assim, a Varig, muito maior que a Vasp, por exemplo, teria deixado em nossos aeroportos muito mais aeronaves de sua propriedade sucateadas do que a empresa paulista.

A entrevista mais abaixo  provará que a afirmação acima, de que a Varig teria sido a "única" brasileira a operar o 747 foi uma fake news. A Varig não precisa desse tipo de “homenagem”.

E O ÚNICO 747 QUE RECEBEU AS CORES DA EMPRESA ... NÃO FOI OPERADO POR ELA!


Muitos já viram algumas raras fotos do Boeing 747-100 N472EV da companhia norte-americana Evergreen repousando em Marana (Arizona) com uma cauda muito semelhante a da companhia Interbrasil Star, regional da Transbrasil. 

As fotos foram reproduzidas em reportagens de revistas, em sites especializados na internet e em livros, com comentários semelhantes a este:  

"A Aerobrasil também negociou o arrendamento de uma aeronave Boeing 747SR-46 junto à companhia norte-americana Evergreen. O negócio não foi finalizado e o jato nunca chegou a ser entregue para a empresa, apesar de ter recebido uma pintura especial, lembrando as cores da Interbrasil Star, regional pertencente à Transbrasil, e a matrícula PT-TDE (ex-N478EV)."

(Fonte: Passageiro de Primeira reproduzindo matéria da revista Flap Internacional)

No entanto, o que nem todo mundo sabe é que uma das empresas mais queridas do Brasil em todos os tempos operou sim o “Jumbo”.  Há sites que lembram disso, com pequenos registros, como o exemplo abaixo:

“Em 1996 a empresa (AeroBrasil Cargo) chegou a utilizar um Boeing 747 da Evergreen.” (site aviacaocomercial.net)

Gianfranco “Panda” Beting, em seu livro "Tango Bravo Alfa" registra com mais detalhes isso.

Portanto, embora não tivesse recebido a aeronave em Marana, durante pouco mais de um ano a divisão cargueira Aerobrasil fez algumas centenas de voos com aeronaves da empresa norte-americana Evergreen com tripulação quase sempre totalmente brasileira, da própria Transbrasil. Se as aeronaves não receberam o nome Transbrasil ou mesmo AeroBrasil na fuselagem, suas tripulações o tinham no peito com suas "asinhas" da Transbrasil e por ela eram remunerados, provando que a companhia brasileira também voou o então maior modelo de avião cargueiro e civil ocidental.

Sabendo disso, cheguei até Domício Angelo da Fonseca, 58 anos, um dos engenheiros de voo que trabalharam nessas fantásticas aeronaves. Antes de  voar na Transbrasil ele já tinha passado pela Varig, desde 1982, trabalhando na manutenção dos Electra e Boeings 727 e 737. Depois de sair da Transbrasil ainda voou no DC-10 da cargueira MTA e, hoje, trabalha na Embraer dando treinamento a pilotos no ground school do KC390. Infelizmente, ele disse que não conseguiu guardar fotos daqueles tempos, lembrando que não existiam câmeras digitais e nem smartphones, o que dificultava o registro por parte de fotógrafos amadores. Porém, fotos exclusivas de suas lembranças de seus voo no Jumbo ilustram essa matéria. Acompanhe!

CAIXA PRETA: Em que período você trabalhou na Transbrasil e com qual cargo?

Domício Ângelo da Fonseca:  Eu trabalhei na Transbrasil de 1986 a 1998. Comecei como técnico de manutenção e depois F/E.

CP: Já tinha essa função quando a empresa operou o Jumbo?

Domício: Sim, eu já era F/E no Boeing  707. 

Coleção pessoal Domício Fonseca



CP: Em que período essa aeronave voou pela empresa? 

Domício: Esses voos começaram no início de 1996 e finalizaram em fevereiro de 1997.

Acima: exemplo de voos como tripulante extra (no PP-TAE/Boeing 767 da Transbrasil) e operacional nos aviões da Evergreen (identificados como NEV). Coleção pessoal. 




Acima: Landing, Takeoff Data e Cruise Data de alguns voos que Domício realizou.  

CP: Como soube que a empresa iria operar essa aeronave e quanto tempo tiveram de treinamento?

Domício: Quando estávamos ainda no Boeing 707 nos comunicaram que a Transbrasil iria fazer o arrendamento de um Boeing 747. O treinamento nos incluiu e nós tripulantes da Transbrasil tiramos a habilitação do FAA em Ft Lauderdale (Flórida) para voar a aeronave com matrícula americana, depois o treinamento teórico no Oregon e, depois, o treinamento em simulador de voo em Denver. Isso teve a duração aproximadamente de cinco meses.


CP: A tripulação no 747 sempre foi da Transbrasil, portanto, tratava-se de um "dry lease"?

Domício: Sim, chegamos a voar a aeronave somente com tripulantes brasileiros.

CP: Quais foram algumas das rotas realizadas e qual a carga predominante? Pela necessidade de uma aeronave tão grande, acredito que eram cargas de grande volume, correto? Você se lembra o número do(s) voo(s)?

Domício: A rota normalmente era GRU-MAO-MIA-JFK (Ou seja, Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP)-Aeroporto Internacional Eduardo Gomes (Manaus)- Aeroporto Internacional de Miami (EUA)-Aeroporto Internacional de Nova York (EUA). Eram cargas de grande volume.  Nos voos nacionais que eram GRU-MAO-GRU os números eram 800/801 ou 802/803. Nos voos internacionais MAO-MIA-JFK os números eram 950/951. Normalmente, era um voo diário GRU-MAO-GRU e nos finais de semana subíamos pra MIA-JFK.

Acima: Manuais do Boeing 747 da Evergreen estão entre as lembranças de Domício. 

CP: Por quanto tempo você trabalhou no 747 arrendado?

Domício: Incluindo treinamento e voo, foram aproximadamente um ano e cinco meses.

 

CP: O 747 era de que modelo? Era apenas uma aeronave, sempre a mesma?

Domício: Durante o tempo em que estivemos operando o 747 a Evergreen só tinha Boeing 747-100 e Boeing 747-200. Todos os finais de semana os aviões da Evergreen subiam pra JFK para fazer manutenção e na maioria das vezes eles trocavam a aeronave (isso estava no contrato). Eram 13 no total. Praticamente, voamos todos os 747 da frota da Evergreen.

CP:  Por outro lado, um 747-100 recebeu a pintura da Interbrasil Star mas nunca voou pela empresa, correto? 

Domício: Sim,  esse avião chegou a estar pintado em Marana-EUA e sua matrícula original era N472EV. Curiosamente, foi o único que nunca voamos!

CP: Segundo o livro do Gianfranco “Panda" Beting, a AeroBrasil encerrou as operações em fevereiro de 1997. Coincidiu, então, com o fim do contrato com a Evergreen?

Domício: Sim. Foi isso mesmo. O 707 já tinha parado, estava o 747 arrendado voando a carga e quando o 747 parou a aviação cargueira da TBA acabou. A partir daí eram utilizados os porões de carga dos 767 passageiros. Eu fiz parte da tripulação do último voo dessa aeronave (o Jumbo) aqui no Brasil. Esse voo foi MAO-GRU no dia cinco de fevereiro de 1997 com uma carga de 70 toneladas de Jet Skis.

CP: Você consegue resumir como era trabalhar com o Boeing 747?

Domício: Como experiência própria, eu entendo que o tripulante que passa a operar o Boeing 747  sente que chegou ao ápice da sua carreira na aviação, por esta aeronave ser um ícone, um clássico entre todas as outras.

Um avião de design diferenciado, lindo, enorme e ao mesmo tempo fácil e suave de operar! Eu sentia um misto de satisfação e orgulho por operar essa máquina maravilhosa.

Enfim, era como se passasse um filme na minha cabeça, desde o meu início de carreira na aviação até ocupar um assento no cockpit do Jumbo! Um sonho realizado!


terça-feira, 25 de maio de 2021

Plantão Caixa Preta

                            

Imagens exclusivas do avião da Total no trecho dos Estados Unidos rumo ao Brasil. Estamos ansiosos por você, PS-TLA!!! 

(Fotos: Steve Giordano via Twitter)






E lá vem ele!





sexta-feira, 21 de maio de 2021

SPEECH


NELLA, A MISTERIOSA...


(por Solange Galante)





Meus leitores já acompanharam aqui no Blog minhas críticas à imprensa especializada, em aviação e em turismo, em relação à Nella. Óbvio que recebi, em resposta, críticas em relação a isso. Não se trata de não querer que a companhia, bem como outras, "decolem", façam sucesso, empreguem bastante gente e levem suas aeronaves e suas cores para o país inteiro. Quando a Gol surgiu, logo após a Nacional (já ouviu falar?) e outras empresas que não se mantiveram no mercado, ela também parecia pouco promissora, mas está aí, felizmente, empregando bastante gente e operando em dezenas de destinos. Precisamos disso. Precisamos de MAIS disso. Precisamos de maior concorrência, mais alternativas e, por que não, mais companhias que realmente nos façam – somos todos passageiros – voltar a nos sentir felizes depois de cada voo, como no passado. Aquele passado que muitos "especialistas" do século XXI só ouviram falar por vídeos do Youtube, aqueles lindos flashbacks sobre Varig, Vasp, Cruzeiro, Transbrasil e outras, inclusive regionais, como Rio-Sul e Pantanal.

Minha crítica é sobre quem quer ser coadjuvante de uma história que nem começou direito e dar esperança a tanta gente desempregada, querendo colocação na aviação, como se tudo já estivesse alicerçado de fato. Enfim, minha crítica é sobre vender sonhos. 

Vamos devagar com o andor que o santo é de barro! Todo santo, na aviação, É de barro. Com margens de lucro minúsculas, se já vimos gigantes como Pan Am, Varig, TWA e versões anteriores da Alitalia irem à lona, não duvide das dificuldades das pequenas companhias num país com elevadas dificuldades, tributárias e de infraestrutura, que até empresta seu próprio nome ao Custo "Brasil".

Com 25 anos de jornalismo de aviação e mais de uma década, além desse tempo, só como observadora da  aviação, já vi muita coisa acontecer, de bom e de mau, no mundo empresarial brasileiro. Mas, não acreditem na minha desconfiança, se não quiserem!!! Que tal, então, acreditar na revista de aviação mais amada do Brasil, e mais longeva atualmente, a mega famosa Flap Internacional?

Segundo a revista apurou em sua edição de abril passado, a Nella protocolou seu pedido junto à ANAC em novembro. Aqui no Blog Caixa Preta eu também noticiei isso (vide link https://caixapretadasolange.blogspot.com/2020/11/plantao-caixa-preta.html), destacando minha frase final "A aviação brasileira precisa de mais empresas. Desde que voem, e saudavelmente, é claro!" Pois, é claro, não precisamos de mais empresas vendendo mas não cumprindo, e deixando na mão não só passageiros mas também funcionários.

Como também a revista acertadamente apurou, desde então "três conhecidos executivos do mercado não chegaram a esquentar a cadeira na direção da empreitada, abandonando o posto por diferentes razões."  Foi uma das AFAs (vulgarmente Associação dos Fofoqueiros de Aeroportos) mais comentadas, entre tantas outras, além de memes diversos sobre a empresa e seu presidente.(Onde há fumaça, há fogo...)

Em março, segundo afirma o redator – pessoa muito séria, com quem já trabalhei – a Flap Internacional recebeu em sua conhecida redação o misterioso empresário Mauricio Souza, que está à frente da mais misteriosa ainda Nella. Nas instalações da Flap são fotografados e entrevistados grandes empresários e executivos da  aviação comercial atuando no Brasil e/ou no exterior. Boa parte dessas visitas eu mesma acompanhei.

A Flap não engoliu essa Fake News...


A revista goza, como é sabido, de enorme prestígio e credibilidade, sendo a mais admirada do país e leitura obrigatória de geração após geração ao longo de décadas. Você, ainda assim, pode não concordar com tudo o que lê na Flap mas não pode negar que ela , quando quer, vai fundo nas questões fundamentais da aviação comercial, em especial. Inclusive, me admirou só agora estarem publicando uma ampla reportagem sobre a Nella. Outras empresas aéreas que pareciam promissoras aos olhos externos à Flap, fora do seu  escritório nas proximidades da Av Faria Lima, foram imediatamente colocadas em dúvida pelos anos de experiência do fundador e mandachuva da publicação, Carlos Spagat, um especialista (ele sim) que não fala de feiras de aviação sem ter ido lá pessoalmente conferir, não analisa empresas sem tê-las visitado ou sem ter conversado olho-no-olho com seus executivos. Isso quando não envia seus correspondentes mais além, para descobrir os bastidores. E não foram só companhias aéreas em desenvolvimento ou em promessas que a revista Flap colocou em dúvida ou até mesmo desmascarou. Empreendimentos como o Aerovale de Caçapava, bem como badaladíssimos eventos como o IBAS (Aeroporto do Galeão, 2017) e a Labace em Congonhas tiveram suas falhas e vícios trazidos à tona e expostos na primeira página das matérias enquanto o resto da imprensa jogava confetes em todos eles. Nada escapa ao perspicaz Spagat: falta de flor no banheiro, um furo na decoração, não cumprimento de promessas, aviões-fantasmas, rotas impossíveis de se operar. Exageros ? Alguns, talvez. Mas os confetes, inclusive, como hoje é comum haver, nas "lives" foram muito mais exagerados e são eles que eu critico.

Noutro trecho da mesma matéria sobre a Nella, a revista apurou que o Boeing 737-500 da companhia venezuelana Albatros, da qual Maurício Souza teria 25% das ações, não decola do solo venezuelano desde março de 2020, quando a companhia daquele país deixou de voar. A revista possui correspondentes na maioria dos países latino-americanos e não trabalha com "ouvi dizer" mas com informações precisas, acompanhadas em tempo real.

A revista também publicou que, (sempre) segundo Maurício Souza, a Nella já estaria na fase 3 (de 5) do processo de homologação junto à ANAC para a obtenção do COA (Certificado de Operador Aéreo) mas, na verdade, mal havia concluído ainda a fase 1 (segundo a ANAC; informação que eu mesma comprovei nesta semana, 18 de maio).


Não se trata apenas de ironia, mas de conhecer o mercado...

Em todas as entrevista e "lives" a que acompanhei, o misterioso Maurício Souza justifica a demora para a Nella realmente estar preparada para operar fazendo-se de "vítima" das circunstâncias. Ora, problemas burocráticos, financeiros, jurídicos, políticos, bem como pandemias e guerras são inerentes às atividades empresariais, em especial à aviação, com aqueles lucros microscópicos que já citei. Por que algumas empresas conseguem trazer seus aviões, apresentá-los, voá-los, operá-los e, mesmo que não durem muitos anos por motivos diversos, pelo menos apresentaram algo de concreto, para funcionários e passageiros, até então? Não estou dizendo que a Nella está apenas devagar em seu processo. Tempo nem sempre é um bom termômetro. Apenas acredito, ainda, que esse processo está estranho e nebuloso demais para se apoiar. Se eu estiver errada, ótimo, teremos mais uma empresa para empregar e prestar serviços. Mas se a Flap fer coro ao meu faro...


Qual é a diferença entre determinação e teimosia?

O site abaixo me deu algumas pistas sobre o processo de criação da Nella:

(https://www.blog-desenvolvimento-pessoal.pt/2015/05/04/resiliencia/)

"Teimosia é qualidade de teimoso; teima; birra; pertinácia; insistência.

Uma pessoa teimosa não cede a opiniões de terceiros. Mantém-se firme nas suas premissas e ideias sem pestanejar ou mostrar sinal de dúvida.

O "Teimoso" é a pessoa cujo temperamento se caracteriza por não mudar no que acredita mesmo que esteja visivelmente errada. (FonteResilience Core” – Gail M. Wagnild ®, 2010)

Etimologicamente, persistência deriva do latim: persistentia – persistir, que significa “manter-se firme”. Designa o que é perseverante e duradouro; pessoa que não desiste com facilidade.

Pesquisando perseverança, encontramos a seguinte definição: “capacidade de aguentar ou manter-se firme em face de dificuldades” (Fonte: www.dicionarioinformal.com.br/significado/perseverança) e os sinónimos: firmeza ou constância, persistência e tenacidade.(Fonte: www.priberam.pt – Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [on line], 2008-2013)

Em Psicologia, perseverança é a capacidade de sustentação voluntária de uma atividade implicada por uma tarefa prolongada.(Fonte:  Dicionário da Língua Portuguesa, de J. Almeida Costa e A. Sampaio e Melo, Porto Editora, 8ª edição, 1999)

Segundo o dicionário Aurélio, perseverante é aquela pessoa que “procura conservar-se firme e constante, permanecer sem se mudar ou variar de intento.” Teimoso é aquele que ”teima de forma exagerada; é obstinado; insistente; birrento”.

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revista conclui a matéria com uma pergunta feita diretamente ao fundador e presidente da empresa, e sua resposta:


O tempo dirá se é apenas teimosia ou realmente persistência de Maurício Souza.

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Esclarecimento: a seção "Speech" deste Blog SEMPRE reflete minha opinião pessoal. Achei importante esclarecer isso porque alguns leitores chegaram a achar que alguns "Speeches" já publicados aqui eram reportagens, mas eles já tinham provado antes que não sabem a diferença entre textos opinativos, interpretativos e informativos. 

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Plantão Caixa Preta

EXCLUSIVO


EIS O DOCUMENTO !

Aprovado HOJE, 13 DE MAIO, oficializando a Autorização para o Translado do PRIMEIRO BOEING 737-400F da TOTAL LINHAS AÉREAS!

TUDO APROVADO! 
AGORA VALE!!!














 





sexta-feira, 7 de maio de 2021

Livros de Aviação

Vamos além de uma resenha. Apresentamos livros e indicamos onde podem ser conseguidos! (por Solange Galante)








VIAJE BEM VIAJE VASP
Gianfranco Beting


O publicitário, jornalista, fotógrafo – e, sobretudo, entusiasta apaixonado pela aviação comercial brasileira – Gianfranco "Panda" Beting acabou de lançar um de seus mais aguardados livros homenageando as empresas aéreas brasileiras.
A homenageada da vez é a VASP, que deixou uma saudade imensa para todos! Uma pesquisa bem elaborada e fotos em p&b e coloridas, a maioria delas inéditas, são o destaque.


Em português, com fotos/ilustrações em preto e branco e coloridas
2021 
272 páginas
25 cm X 25 cm
Brochura
Capa mole



Valor: R$ 180,00 

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"MÃE"? EU?


Em vários vídeos do canal PandAviation fui citada e até "apelidada" de "Mãe do livro da Vasp". Explico o que motivou isso...
Quando eu fui participar de um dos leilões de "suvenires" da VASP, dei uma olhada antes no edital e nos lotes, pois queria uma caixa preta, e aí dei de cara com um lote em que constavam os livros de ata da companhia, sua história oficial em oito livros, desde 1933 (ano da fundação) até 1974, e livros de assinaturas até posteriores a essa data. No dia do leilão, me empenhei para arrematar aqueles livros. Apareceu, on line, um concorrente, que disputou comigo lance a lance, até que ele perdeu o fôlego e eu arrematei! Do lance inicial de mil reais a atas saíram por 2.500,00! Foi, naquele dia 15 de setembro de 2014, o bem arrematado por maior valor. Passei o cheque e fui direto a uma agência do meu banco, a mais próxima, fazer um empréstimo automático para cobri-lo.
Mais ou menos na mesma época, recebi fotos mostrando que parte do material fotográfico da Vasp estava se perdendo pelo despreparo da administração da Massa Falida e do Conselho Nacional de Justiça em lidar com tão rico acervo. Muita coisa estava apanhando chuva, ou estava literalmente no lixo. Fiquei alarmada e falei para a pessoa que me contou do material "Eu compro!" Comprei. E mandei digitalizar dezenas de cromos. Felizmente, deu para salvar muita coisa mesmo!
Parte dessas fotos, além de outras garimpadas desde que a Vasp parou de voar, inclusive comercializadas por seus próprios funcionários em feirinhas de colecionadores, fariam parte de um livro que eu escreveria, junto com as informações das atas. O livro iria se chamar "A Vasp por ela mesma". Mas o "Panda" se interessou pelo meu material assim que soube dele e, de fato, preferi não escrever eu o tal livro, mas sim passar essa missão a quem tinha mais estrutura para publicá-lo e já começava também a buscar material para o livro que escreveria. Ele veio em casa, viu as atas, me pediu para digitalizá-las e lhe vendi também as originais, que estão agora em muito bom lugar, cuidadas com o máximo de carinho, mais do que aquele concorrente do leilão que não conseguiu me convencer dos motivos que o levavam a ter interesse pelo material – queria, depois, que eu doasse as atas por todo custo, mas rejeitei! E, com certeza, estariam no fundo de algum baú até hoje, intocadas ! Muito melhor destino tiveram para ajudar a compor o livro Viaje Bem Viaje Vasp! Além das atas, Panda selecionou também as melhores fotos de minha coleção, e me convidou para escrever o prefácio do livro, bem como o ajudei na revisão sem cobrar nada, o que me permitiu ver e comprovar o excelente trabalho de pesquisa realizado pelo selo de qualidade Beting Books. Tenho certeza que agradará a todos!

Ass: Mãe ...


sábado, 1 de maio de 2021

"NÃO É BEM ASSIM"



"... como falamos, como escrevemos,

como publicamos, como digitamos..."

Pérolas, deslizes e outros erros que acontecem por aí

(Em substituição ao "Pérolas Voadoras")

* * * * * 

O que são FAKE NEWS ? FAKE NEWS são notícias falsas. Noticias são "informações a respeito de acontecimentos ou mudanças recentes". E se há notícias falsas, os acontecimentos e mudanças recentes não são como se noticiou.

Notícias são como tijolinhos que constroem a história. Não por acaso, jornais são fontes primárias de pesquisas históricas, especialmente quando não se consegue mais entrevistas com os personagens mais relevantes que participaram da história. Por isso que eu assisti, no ano passado, a um curso online chamado "Imprensa Médica como fonte da história? Os Annaes Brasilienses de Medicina e a Gazeta Medica da Bahia em meados de 1860". O curso me deu maior conhecimento sobre como os historiadores – não falei jornalistas – usam a imprensa como fontes de informação e analisam sua CREDIBILIDADE ou não. Lembrando que hoje jornais, revistas, TV, rádio, internet, é tudo Imprensa.

Se UM, apenas UM desses "tijolinhos" (uma notícia) for de péssima qualidade e a História utilizar outros semelhantes – o oleiro, ou seja, o profissional que fabrica tijolos, pode ter usado os mesmos materiais e técnicas de baixa qualidade – poderá ocorrer o que aconteceu com o edifício que, em 1998, desmoronou no Rio de Janeiro por ter sido construído supostamente com areia de praia, de péssima qualidade para a construção civil.

"Blá blá blá blá blá blá..." ??? Não! Estou apenas "desenhando" para que entendam (muitos necessitam entender por "desenho", sabemos disso...) 

Enfim, as FAKE NEWS, sempre existiram. Dizem que a mentira de que comer manga e beber leite junto faz mal à saúde, dá indigestão etc começou quando os escravos, nas fazendas coloniais brasileiras, se alimentavam com mangas e depois bebiam o leite do gado de seus senhores, os quais criaram essa notícia falsa – que correu de boca em boca – para que eles não furtassem o precioso líquido. Foi tão penetrante essa fake news que hoje, no século XX!, ainda há quem acredite na lorota!

Mas, em tempos de Redes Sociais, as notícias falsas correm mais do que rastilho de pólvora, podendo, inclusive, explodir no final!!! 


 Bem, vamos aos destaques de hoje!!! Primeiro, analisando a falta de APURAÇÃO!!!


Título: "Leilão do Douglas DC-8 sucateado em Guarulhos não teve nenhum lance"

"No começo de abril, a GRUAirport, concessionária responsável pela administração do aeroporto internacional de Guarulhos, iniciou um processo de leilão de 12 bens em desuso ou desativados.

Um dos lotes chamou a atenção por ter o clássico avião quadrijato modelo DC-8-73F, que no Brasil foi operado pela BETA Cargo sob a matrícula PP-BEL. (...) O DC-8 tinha o lance inicial de R$ 125 mil. “Tinha”, porque a aeronave foi removida do processo sem ter recebido nenhum lance.

Curiosamente, essa não é a primeira vez que tal aeronave é colocada para leilão. Em 2013, um outro certame tentou vender o avião sucateado por R$ 110 mil, sem sucesso. 

(...) Para mais detalhes sobre o futuro da aeronave, enviamos uma mensagem ao GRU Airport e Superbid e informaremos aqui qualquer novidade.

Enquanto isso, a aeronave segue abandonada ao tempo, sabe-se lá por quanto tempo mais. Fato é que o seu destino mais provável seja alguma sucata."

matéria de fonte "Portal Aeroin" publicada no último dia 24 de abril, dá link para outra, do site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com chamada para o referido leilão de 2013.

Porém, entre o anúncio desse leilão (de 2013) e a retirada do DC-8 do leilão de abril de 2021, aparentemente, o site Aeroin não realizou nenhuma investigação a respeito para saber do resultado do leilão de 2013 e afirmou, achando-se convicto disso, que o leilão "não teve sucesso". Também se mostrou certo de que a aeronave estava "abandonada" no GRU Airport.

Dias antes, com o Título: "Clássico avião DC-8 da BETA vai a leilão no aeroporto de Guarulhos" continha uma informação correta (conforme coloquei em negrito abaixo) mas que não foi levada em conta posteriormente para uma investigação necessária sobre o destino do leilão da GRU Airport:

"O certame da empresa será realizado no dia 23 de abril de 2021, por meio do Superbid Marketplace."

carência de APURAÇÃO jornalística caracteriza falta de qualidade na informação. Conheço quem tentou dar lance no referido leilão da aeronave no dia 20 de abril sem saber que ele havia sido cancelado. Porque a imprensa não noticiou o cancelamento, precedido, aliás, de adiamento dos demais lotes de 23 para 29 de abril, onde a aeronave poderia se inserir também. Não era necessário aguardar a GRU Airport ou o leiloeiro Superbid ir à imprensa avisar que haveria adiamento e/ou cancelamento. Bastava acessar o próprio link do leilão e verificar a mudança das datas.

falta dessa necessária apuração, atualização, melhor informação ao leitor não foi exclusiva do Aeroin. Como sempre, a imprensa, especialmente a eletrônica, joga notícias copiadas de outrem nas telas sem qualquer checagem. E o leitor, coitado, acredita que está atualizado, que está sabendo de tudo que acontece na velocidade da internet... Abaixo, alguns títulos de matérias que tiveram replicadas informações incorretas a respeito desse leilão:

"Douglas DC-8 da Beta que estava em leilão, não recebeu nenhum lance" (inclusive, afirmando que "O leilão aconteceu no último dia 23 de abril (...)" (Site Aeroflap)

"Aeronave DC-8 da BETA abandonada em Guarulhos vai a leilão" (inclusive, afirmando que "O avião desatualizado e não consegue voar há muito tempo (sic). E o dono não pode mais ser encontrado." (Site Cavok)

Agora, analisando as FAKE NEWS geradas

por quem replicou informações incorretas de outrem: 

"GRU Airport não consegue vender avião sucateado" (Site GRU Diário)

"(...) A concessionária GRU Airport, que administra o Aeroporto Internacional de Guarulhos, não conseguiu interessados em adquirir o avião Beta Cargo, fabricado em 1969 e que operou em companhias da Alemanha e dos Estados Unidos, em leilão promovido neste mês. A informação é do Canal Aeroin.

"(...) De acordo com o Aeroin, o Beta Cargo não deve ser colocado para leilão novamente. 'A aeronave segue abandonada ao tempo, sabe-se lá por quanto tempo mais. Fato é que o seu destino mais provável seja alguma sucata.'”

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"Clássico avião DC-8 da BETA vai a leilão no aeroporto de Guarulhos." (Blog Desastres Aéreos News)

"(...) A concessionária GRU Airport, que administra o Aeroporto Internacional de Guarulhos, não conseguiu interessados em adquirir o avião Beta Cargo, fabricado em 1969 e que operou em companhias da Alemanha e dos Estados Unidos, em leilão promovido neste mês. A informação é do Canal Aeroin."

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"DC-8  ex-Lufthansa Cargo está à venda." (Site alemão Aero Telegraph)

"(...) E o dono não pode mais se encontrado. O operador do aeroporto está, portanto, à procura de um novo proprietário. Se estiver interessado, pode licitar o DC-8 por pelo menos 125 mil reais, o que equivale a cerca de 18.500 euros, segundo informa o portal Aeroin. As propostas ainda não foram recebidas." (OBS: original em alemão

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Como pode-se ver pelos negritos acima, a falta de apuração da fonte original desses três sites provocou essas FAKE NEWS pois o avião, pelo contrário:

1) Foi sim arrematado em leilão em 2013;

2) Tinha e tem dono sim, que não é o GRU Airport, que estava tentando leiloar o que SABIA não ser dele;

3) A aeronave não estava abandonada, apenas estava e está sendo alvo de medidas judiciais que a impedem, até o momento, de ser transferida para o dono de direito.

Este Blog publicou documentos, resultantes de apuração criteriosa e real, que comprovam as afirmações acima mas foram ignoradas pelos sites que alegaram que ocorreu o leilão dia 23 de abril (sendo que foi cancelado o leilão da aeronave antes de 20 de abril) e que não havia tido arrematantes mas não informaram que isso aconteceu porque o DC-8 foi retirado de leilão antes disso, mais exatamente tão logo surgiram denúncias de sua tentativa ilegal de venda, conforme os links abaixo:  

https://caixapretadasolange.blogspot.com/2021/04/plantao-caixa-preta.html

https://caixapretadasolange.blogspot.com/2021/04/plantao-caixa-preta_20.html


Moral da história: se quiser ser profissional e ter credibilidade, mas não tiver certeza do que publica, ou não tiver certeza da confiabilidade da fonte, não publique, tá? Um dos sites citados acima, inclusive, até recebeu uma notificação extra-judicial de uma fabricante de armamentos, por causa exatamente disso: publicar sem apurar. Ou seja: jornalismo, mesmo na internet, ou melhor, principalmente na internet, não é brincadeira!