sábado, 11 de maio de 2019

PÉROLAS VOADORAS!

NOSSA EXCLUSIVA 
COLEÇÃO DE PÉROLAS VOADORAS!!!


Erros da imprensa especializada e não-especializada sobre aviação.



“Itens como autorização para embarcar com o respirador portátil (...) foram um dos obstáculos. Anac e Agência Federal de Aviação (FAA), dos Estados Unidos, tiveram que conceder autorização exclusiva para ela."

(Revista Flap Internacional, número 537, junho de 2017)

A famosa FAA foi criada em 1958 e designada Federal Aviation Agency. Mas, desde 1967 sua designação mudou para Federal Aviation Administration.


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"O avião destinado à companhia internacional tem as cores da TAP Portugal e será o primeiro avião destinado à companhia portuguesa."

(Revista Aero Magazine, número 293, outubro de 2018)

A companhia aérea de bandeira de Portugal já se chamou Transportes Aéreos Portugueses, depois TAP Air Portugal, passou a TAP Portugal e, desde 2017, regressou à denominação TAP Air Portugal, que utilizou entre 1979 e 2005.


Foto: Afonso Delagassa/maio de 2019

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Quem acompanha meu Blog, e até quando Caixa Preta era uma coluna em outros sites de aviação, sabe que publico também erros de português (Caixa Preta de Camões), de inglês (Caixa Preta de Shakespeare) e até de idioma espanhol  (Caixa Preta de Cervantes). Mas não só idiomas, até geografia costuma confundir os redatores, da imprensa especializada, inclusive. Que tal, então,uma Caixa Preta de (Alexander von) Humboldt, considerado o fundador da moderna geografia física? 


CAIXA PRETA DE  HUMBOLDT


"Na Bolívia foi inaugurado o Aeroporto de Copacabana, na fronteira com o Peru, às margens do Lago Tititaca." (Revista Flap Internacional n. 551, agosto/2018)

Na verdade o lago boliviano, muito famoso, por sinal, é o Titicaca.

( Confira: https://www.machupicchubrasil.com.br/pacotes/america-do-sul/peru/lago-titicaca/c85 )



CAIXA PRETA DE  CAMÕES + CERVANTES*

Pela primeira vez na história editorial mundial Camões anda de mãos dadas com Cervantes. Uma nova revista de aviação lançada no mercado brasileiro, irmã caçula da edição espanhola, publicou artigos em idioma assemelhado ao híbrido “pontunhol”. Uma regra importante para quem escreve é: jamais revise o que você próprio escreveu ou traduziu, se quiser realmente uma revisão impecável. E se você tiver como língua materna o idioma do texto original que está sendo convertido para o idioma da revista, então, pior ainda!  Com certeza, você deixa passar batido palavras no idioma que não se deseja manter.
Isso acaba gerando pérolas como essas abaixo (os itálicos são por nossa conta):
“Conferi duas veces que todos os sistemas...”
“... levando a aeronave a un voo nivelado até que el piloto comande o contrário.”
“...continuará supervisionando y gerenciando a organização.”
“O avião anfíbio, llamado SkiGull...”
“Mooney apresenta seus nuevos biplaces...”
(Legenda): “Dereita A ponta externa...”
(Legenda): “A dereita A aviônica...”
“Hélice Hartzel cuadripá de material composto...”
Aunque o tamanhño (sic!) dos tanques seja calculado...”
“...uma forza corretora que o piloto pouede sentir nos comandos.”

Bem, até que chegou o momento de eu deixar de anotar, porque cansei...

*Publicada no Blog em 2015

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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Plantão Caixa Preta

***Análise Exclusiva***

"O PADRÃO BOEING CAIU SIM"
(declaração de nosso entrevistado)




(por Solange Galante)

Em março passado publiquei entrevista exclusiva com piloto brasileiro da Lion Air analisando o que poderia ter acontecido com o modelo 737 MAX 8, então também envolvido em acidente com a Ethiopian Airlines. (Vide em: https://caixapretadasolange.blogspot.com/2019/03/plantao-caixa-preta_11.html ).
Mantendo-se anônimo, ele fez mais comentários recentes sobre a situação da aeronave da Boeing e da própria companhia aérea onde trabalha:


Cmte:“Diante de tudo o que li em diversos artigos, infelizmente tenho que dizer que a Boeing deu azar por ter tido a falha com pilotos inexperientes. Poderia ter acontecido com qualquer um, novo ou antigo, isto não é o ponto principal, mas, veja bem, todos na Lion sabem que a primeira pane apareceu logo após a decolagem de Tianjin, na China, indo para Bali, Indonesia. Foram quase 7 horas de voo, com o lado esquerdo do painel (do comandante) apresentando a falha, que eles conseguiram ‘esconder’ e prosseguiram o voo usando o lado do copiloto. Qualquer companhia teria voltado e parado a aeronave lá mesmo. Após a decolagem de Bali para Jakarta, na mesma aeronave, – a empresa diz que foram efetuados reparos na aeronave; afirmo que a manutenção em Bali já é precária para os 738 e 739 ER antigos,  imagine para um avião novo – e a apresentou a pane novamente. O piloto que estava no jumpseat , segundo informaram, era o mesmo que veio da China, e deu a dica para o comandante que assumiu o voo em Bali e conseguiram voar até Jakarta. Novamente vale lembrar que qualquer companhia com doutrina de segurança de voo teria ‘groundeado’ a aeronave, mas na Lion segurança vem em primeiro lugar somente no Manual de Operações, os chefes cobram horário dos comandantes locais e, sem combustível extra, e a cultura local devido à religião, deixa os mesmos cegos e não seguem os itens básicos de segurança, apenas obedecem os Chefes.”
Bem, em Jakarta, trocaram de comandante, e como é proibido comentar qualquer ocorrência sobre segurança em nenhum dos nove grupos do Telegram, ninguém comentou nada com ninguém, foram para casa e logo depois ocorreu o acidente com o Max. Com relação à Boeing ‘esconder’ o problema, vale lembrar que no início das operações da Airbus na TAM, existiram relatos de aeronaves que entraram em órbita sozinhas, pois os pilotos não programaram direito o voo, então tripulações se assustaram na aproximação para o Aeroporto Santos Dumont por que o vento jogou a aeronave próxima ao Pão de Açúcar e quando o piloto tentou aumentar o ângulo de curva, o avião não aceitou, pois estava além do limite de proteção. Mas isso não estava nos manuais, se os fabricantes forem colocar cada detalhe, vai ficar impossível voar, imagine de quantos dias seria um ‘ground school’? Seria muita informação para os pilotos, o importante é que o sistema proteja em caso de necessidade e o piloto seja treinado para que nunca chegue naquele limite onde o sistema terá que atuar para prevenir um possivel acidente. Infelizmente, hoje, com a geração whatsapp, iphone etc... e a busca incessante de lucro, as companhias não investem como deveriam na base, no treinamento inicial dos novos pilotos, se o piloto aprendeu a programar o FMC e já acertou pousar, já o liberam para voar em rota como copiloto, mas a maioria não sabe os memory itens , que seria o mínimo, já que são o backup do comandante se este tiver algum problema, se nada acontecer, legal, porém se tiverem algum imprevisto acontece como aconteceu nos dois acidentes com os MAX.”

(E o comandante brasileiro  prossegue...)

Cmte: “Mas preciso te comentar algo que não concordo com a Boeing: vender itens de segurança como opcional, deveria ser banido da aviação, como ocorre com o indicador de ângulo de ataque, que poderia alertar os pilotos e é opcional, neste ponto eu concordo que a FAA tem culpa no cartório
A Lion recebeu alguns 737-800 recentemente, por força de contrato, os aviões com menos de um mês aqui já apresentam falhas que não poderiam existir num avião novo e que vieram da fábrica. O padrão Boeing caiu sim. Veja este detalhe do armário, na Lion Air diminuíram o espaço para a saída de emergência para colocar um trolley um armário, e mais uma fileira de poltronas, tudo na intenção de obter lucro.”



(E ele finaliza com uma pergunta...)

Cmte: “Será se a FAA homologou isso?”

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Com a palavra, as autoridades envolvidas!

NOTÍCIAS CAIXA PRETA

JOVEM COM SÍNDROME DE DOWN REALIZA O SONHO DE VIRAR AEROMOÇA

(Texto e fotos: assessoria JeffreyGroup Brasil)
São Paulo, 30 de abril de 2019 - Em algumas situações, o time de bordo da American Airlines tem a oportunidade  de realizar conexões especiais com passageiros que voam com frequência. A história de hoje é da jovem Shantell “Princesa” Posser, que viaja regularmente de Dennarmark, Carolina do Sul, para Cincinnati, Ohio, onde realiza tratamento em um hospital infantil para uma doença terminal que está bloqueando suas vias aéreas.

Com essa rotina, além de se apaixonar por aviões, Shantell passou cada vez mais a admirar os comissários de bordo e sonhar em um dia se tornar uma aeromoça, e essa vontade aumentou no momento que o piloto Matthew Coelyn a convidou para um tour em sua cabine. Foi ai que sua mãe, Deanna, percebeu a verdadeira paixão de Shantell e que esse não era apenas um sonho passageiro.

Shantell com o time de bordo da American Airlines


Princesa já ultrapassou a expectativa de vida dada pelos seus médicos. Então, quando seu 17º aniversário estava chegando, sua mãe não mediu esforços para tornar seu sonho realidade e enviou uma mensagem para alguns amigos que trabalham na companhia aérea com o intuito celebrar seu aniversário da maneira que Shantell mais gosta: em um avião. 

Festa de aniversário de Shantell no voo da American Airlines

Deanna se juntou ao Capitão Matthew Coelyn e ao seu time de bordo para coordenar um evento especial para a Shantell. As aeromoças decoraram a cabine com faixas escritas “feliz aniversário” e, enquanto o jato taxiava na pista, Shantell vestiu seu uniforme da American Airlines e teve a oportunidade de atuar como comissária de bordo. Ela ajudou na demonstração dos protocolos de segurança e a conduzir o serviço de bordo, quando pôde servir a seus amigos e familiares.

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Parabéns à American Airlines pela iniciativa, e espero que a companhia continue incentivando o gosto pela aviação de sua passageira (e aeromoça por um dia) especial!!! (Solange Galante)

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Plantão Caixa Preta

AZUL DEIXA A ABEAR - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS AÉREAS


(por: Solange Galante)

Recebi há pouco a informação de que a Azul Linhas Aéreas deixou a Associação, conforme comunicado enviado aos funcionários.
O estresse teria sido motivado pela proposta que a Azul fez por parte da Avianca – empresa que se encontra em recuperação judicial desde dezembro passado – que, por sua vez, provocou uma espécie de "acordo" entre as empresas Latam e Gol, acordo este que, por sua vez, segundo o presidente da Azul John Rodgerson tem como principal objetivo impedir o crescimento de sua empresa no Aeroporto de Congonhas.
A esse propósito, veja entrevista de Rodgerson na revista Exame, no mês passado: https://exame.abril.com.br/negocios/em-disputa-por-ativos-da-avianca-presidente-da-azul-acusa-gol-e-latam/
Com isso, a própria ABEAR se verá em apuros, já que perderá também a Avianca como sócia.

"Senhores passageiros, aguardem novas informações sobre a continuidade desse voo."

quinta-feira, 25 de abril de 2019

PÉROLAS VOADORAS!

VAI FAZER UM ANO... E A SWISSAIR AINDA OPERA NO AEROPORTO DE GUARULHOS!!!

Quase um ano após termos fotografado a Swissair na relação de cias. aéreas que operam no Aeroporto de Guarulhos... ela continua lá, em todas as placas semelhantes!

O flagrante do ano passado:

As fotos abaixo foram  feitas dia 13 de abril de 2019 (por Solange Galante) :




quinta-feira, 18 de abril de 2019

SPEECH

UMA HISTÓRIA QUE QUASE FICOU ESQUECIDA

(por Solange Galante)

(Reprodução de foto de  Benito Latorre)

No final do ano passado, perdemos nosso amigo Benito Latorre, precocemente, precocemente demais. Uma pessoa educada, inteligente, excelente fotógrafo, muito conhecedor de aviação comercial. Certa vez, eu estava curiosa para saber de uma história de porta aberta em voo em um Boeing 727 em que o Benito estava. Numa noite em que estávamos eu e nosso amigo Carlos França jantando no restaurante oriental onde Benito trabalhava como sushiman, gravei seu depoimento. Para uma reportagem futura, talvez. E acho que agora chegou a hora.

"Na ida foi sossegado, problema nenhum... O avião estava com 164 pessoas a bordo" – não ficou claro, no depoimento, se eram apenas passageiros nesse cálculo – entre a primeira classe e a classe econômica... O avião da Fly era o PR-BLS. "Tinha primeira classe, era um ex-Continental Airlines. Na volta, em Fortaleza, o engenheiro de voo começou a pressurizar o avião em solo mas o avião não estava pressurizando, mas no cheque de portas estava acusando que estava tudo fechado. Então, o engenheiro disse que iria pressurizar em voo, após a decolagem."

Mas, antes mesmo da decolagem, segundo o Benito, dava para se ouvir um assovio. Até uma das aeromoças veio bater na porta dizendo “Comandante, tem um barulho muito estranho lá fora.” “Quando estiver pressurizado esse barulho some” – ele, então, garantiu.

“Aí, nós recebemos autorização para decolar, e na hora da decolagem, V1, velocidade de rotação, deu 'rotate', o engenheiro apertou o botão para pressurizar o avião, e nada. E eu lá na cabine só observando...”

Benito prossegue: “O avião decolou, a aeromoça veio bater na porta de novo. ‘Cmte, os passageiros estão se levantando, ‘tá um barulho incrível, insuportável, lá atrás!’. Aí o flight disse que iria lá atrás, na cabine de passageiros, ver” “Eu vou com o senhor”, disse o Benito.

O engenheiro, muito experiente na aeronave, saiu da cabine e percebeu que os passageiros estavam todos já se levantando das cadeiras, e repletos de medo.

“O 727 tem uma porta auxiliar atrás para o caso de pouso em aeroporto onde não tem equipamento de solo, abaixo da cauda e do motor número dois. Havia uma tampa que fechava ali, e nós fomos lá ver. Então vimos que tinha uma fresta aberta que passava um braço! ‘Por isso que o avião não ‘tá pressurizando. Onde há o extensor de porta, ele está fechado, mas aqui ele não fechou’ havia constatado o engenheiro. Era uma borracha que estava fora, essa borracha prendeu na porta e a porta não fechou totalmente. Quando estava a porta aberta, parecia que o motor estava lá do lado, na minha orelha... o revestimento acústico lá atrás é muito pouco.... Aí voltamos para a cabine e passamos a informação do que estava acontecendo para o comandante, que decidiu: ‘Vamos ter que voltar!’”

Segundo Benito me contou, o avião deve ter subido até pelo menos 8 mil pés. O 727 estava muito pesado e estava muito calor. Teve início o alijamento de combustível no ar. “Pois você não pode pousar a aeronave com o mesmo peso de decolagem, senão ela pode quebrar. Só após alijarem combustível o suficiente, pousaríamos em Fortaleza. O comandante colocou no transponder o código de emergência e fez uma órbita sobre o mar para alijar combustível, e depois retornamos a Fortaleza. O comandante pousou tranquilo, fez um pouso maravilha. E o avião ainda estava tão pesado que saímos na última intersecção,  no final da pista. Aí, na hora que o avião deu reverso, escutamos, da cabine mesmo, os passageiros se levantando e indo para frente, longe dos motores. Ou seja, quando o comandante deu o reverso e os passageiros começaram a ouvir o barulho lá dentro da aeronave, um tumulto  teve início... Depois, ficamos parados fora da posição de embarque e desembarque, que é chamada de área remota. A manutenção olhou o problema, até fechar a porta lá atrás, mas ficamos 40 minutos em solo. Porque o trem de pouso estava ainda com a temperatura muito alta, se a gente decolasse de novo, iria gerar mais atrito e poderiam estourar os pneus na decolagem. Ou, se recolhesse o trem de pouso de novo poderiam estourar os pneus lá dentro. Só sei que ao todo quatro pessoas desembarcaram do avião, não seguiram viagem. Saiu até matéria no jornal de lá.”

Benito estava viajando por conta dessa reportagem da revista Flap que foi publicada em março de 2001.






Registrada essa história! E que Benito, esteja onde estiver, continue curtindo aviação como nunca, pois ele sempre viveu intensamente essa paixão, em especial pelo Boeing 727! 

(foto: Solange Galante)

terça-feira, 16 de abril de 2019

SPEECH

RESPEITO COM RESPEITO SE PAGA

(por Solange Galante)


(Foto: Ana Laura Haddad)

Os fotógrafos de aviação por hobby – mais conhecidos como plane spotters – de décadas atrás sabem como viveram tempos difíceis no Brasil. Não raro, sua atividade era considerada marginal e vários chegaram a ter filmes apreendidos ou fotos digitais apagadas, ou eram proibidos de fotografar ao redor de aeroportos, isso quando não ficavam sob a mira de armas apontadas contra eles por seguranças que acham que todo mundo é criminoso. Ou, então, simplesmente não encontravam nenhum local de onde pudessem ter acesso visual às aeronaves desejadas.
Com a concessão de vários aeroportos brasileiros à iniciativa privada, grupos locais de spotters se mobilizaram para explicar sua atividade às concessionárias, embora todas tenham uma empresa gestora de aeroportos participando, várias delas já acostumadas a ver fotógrafos de aviação em aeroportos internacionais.
Com isso, com organização e, sobretudo, com respeito aos limites que qualquer aeroporto precisa ter, eventos foram sendo realizados com a participação de spotters locais e de fora da área de aeroportos de São Paulo, de Brasília, do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, das capitais nordestinas e da Amazônia.
Aí se verificou um fenômeno bastante interessante a agradabilíssimo: a Infraero, que por décadas reinou absoluta como administradora de aeroportos em todo o país, e que havia se tornado até mesma inimiga de alguns grupos de fotógrafos pela rigidez de regras de segurança, começou a abrir espaço para o hobby em eventos regulares. De repente, spotters começaram a usar a famosa camiseta branca e azul dos "Spotters Days" e a atender à solicitação da empresa estatal para compartilhamento de fotos, assim, a Infraero não só realizou exposições com as imagens feitas pelos fotógrafos como aumentou sua disponibilidade de fotos institucionais.
O nome disso se chama "Respeito". A exemplo do que ocorre com as concessionárias privadas de aeroportos, para cada evento há uma chamada para inscrição, os fotógrafos selecionados participam de um briefing com os funcionários da Infraero, ficam sabendo de seus limites, há horários exatos para a atividade, e têm acesso a locais inacessíveis a eles no dia-a-dia de um grande aeroporto.
O último Spotter Day  foi na sexta-feira passada, dia 12 de abril, no 83o. aniversário do Aeroporto de Congonhas, o segundo mais movimentado do Brasil. Foi o 3o. Spotter Day de Congonhas, sendo que o primeiro aconteceu há três anos, quando o querido aeroporto paulistano se tornou "oitentão".
Mais uma vez a organização foi impecável, o clima foi descontraído e seguro, o resultado, que pode ser visto pelas fotos (como as minhas, conforme abaixo) foi excelente e todos saíram felizes do evento. Com a participação do Corpo de Bombeiros que atua dentro do aeroporto, tanto os mais jovens quanto os spotters mais experientes tiveram acesso visual à grande variedade de aeronaves do tráfego intenso e diário de "CGH", além de tirar duvidas com os "soldados do fogo" e funcionários da própria Infraero. Quem participou, desta vez, foi o próprio superintendente João Márcio Jordão. Tudo ocorreu na mais perfeita ordem, segurança, pontualidade e descontração.
Quem me conhece sabe que sempre fui crítica quanto à Infraero. Mesmo sabendo de suas limitações como empresa pública, sempre clamei junto aos spotters mais assíduos que eu pela oportunidade de exercer esse hobby tão belo e famoso mundialmente. Os fotógrafos de aviação por hobby não raras vezes registram aeronaves raras e situações de perigo como presença de pássaros e balões na área aeroportuária que servem como alerta para as autoridades. Ou seja, além de testemunhas da história da aviação, acabam realizando um trabalho que é muito útil para toda a comunidade.
Todos sabemos que o Governo Federal está se empenhando em concessionar à iniciativa privada a maioria de nossos aeroportos, em breve, todos os principais, por isso, o destino da Infraero é incerto. Mas, enquanto existir, ela está empenhada em ser a grande amiga dos fotógrafos de aviação e, acredito, já varreu para longe aquela má fama, felizmente!
Da nossa parte, além de agradecer imensamente à iniciativa da Infraero – antes tarde do que nunca! – desejo que também os spotters continuem sendo bacanas com a empresa. Pois respeito com respeito se paga!