quinta-feira, 23 de maio de 2019

NOTÍCIAS CAIXA PRETA



Primeira edição da HELI-XP, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, mostrou vigor do setor.

Segundo dados da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e da Abraphe (Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero), a cidade de São Paulo já tem, há alguns anos, a maior frota de helicópteros do mundo, tendo já superado a cidade de Nova York. A metrópole estadunidense, aliás, tem maior número de operações turísticas com essa categoria de aeronave, enquanto que São Paulo, por suas características de trânsito intenso, carência de vias de acesso, limitações de velocidade de tráfego e violência urbana, possui intenso uso da mobilidade aérea, especialmente dentro da própria região ou para sair da região metropolitana para pontos específicos do interior, ou vice versa. Sem contar a cobertura aérea da imprensa e atendimento para-público, em especial das polícias civil e militar paulistas, e incluindo o transporte de órgãos humanos para transplantes. Frequentemente, somente pelo ar grandes empresários, artistas e esportistas conseguem cumprir seus compromissos e reuniões fugindo do caos da mobilidade terrestre.

Com o crescimento intenso da frota brasileira desde meados da década de 1990, o setor, cada vez mais pujante, no entanto, não conseguia emplacar um evento exclusivo. Houve diversas tentativas, no Campo de Marte, por exemplo, e mesmo a famosa Labace (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition), a feira internacional de aviação executiva que marca presença anual no Aeroporto de Congonhas desde 2003, não tinha aeronaves de asas rotativas em suas primeiras edições.

Mas, enfim, o setor ganhou um presentão em 2019: o surgimento da Helicopter Experience ou, simplesmente, Heli XP. Organizado pela G2C Events, a feira escolheu um local mais do que propício para ocorrer: o Helipark, o centro de serviços e hangaragem para helicópteros, localizado na cidade de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo.

(Foto: Solange Galante)

O evento nasceu justamente por uma demanda de mercado. Foram dois dias – 15 e 16 de maio – só para quem gosta de helicópteros e quer fazer negócios voando ou já os utiliza como ferramenta de trabalho. O trade relacionado ao segmento estava em peso presente ao Helicopter Experience, cuja estreia já superou todas as expectativas de público, com cerca de mil e quatrocentos visitantes e 55 pousos de helicópteros. Sim, muitos deles nem estavam participando oficialmente do evento mas a presença de vários modelos, dos vários fabricantes com certificação no Brasil, especialmente dos usuários do Helipark, permitiram aos visitantes apreciar em voo a grande variedade dessas máquinas maravilhosas. O Heli XP mostrou-se um híbrido de feira de negócios e evento de relacionamento, aberto apenas para convidados e profissionais do setor como pilotos, empresários, fornecedores etc. Cinquenta marcas estiveram em exposição, além de 25 aeronaves expostas para comercialização – cerca de US$ 50 milhões em máquinas – , estandes ocupando um dos hangares do Helipark, mais uma área Premium, que movimentaram os dois dias do evento, atraindo um público de três mil e oitocentas pessoas no total. Ao todo, foram cento e setenta e quatro pousos de helicópteros particulares trazendo seus proprietários e convidados para o Helicopter Experience, isso sem contabilizar voos do aplicativo parceiro do evento e de helipontos próximos.

Entre as empresas presentes em estandes rigorosamente iguais em tamanho e características – para ninguém se sobressair, e todos serem tratados igualmente como importantes – estavam a Líder Aviação, Pratt & Whitney, EFAI, Razac Trading, Whelen Aviaton, Dancor Seguros, Aero Import Consultoria, Mach Training, Avionics Services, Sertrding, Mapfre, Bose e MTX Aviation. Um restaurante com preços e variedade que agradou a todos, banheiros limpos e bem localizados, tornaram as visitas ainda mais agradáveis.

Um auditório para palestras também foi uma das atrações e contou com temas e palestrantes de grande interesse aos visitantes.

(Foto: Solange Galante)























O SONHO E A REALIDADE

Os helicópteros, que já foram tratados apenas como artigos de luxo,  já fazem parte da rotina das pessoas e a feira veio fortalecer a presença e importância das aeronaves de asas rotativas como ferramenta de ganho de tempo, utilidade pública e mobilidade. Se desenhos animados e filmes de ficção científica do passado criaram na mentalidade das crianças de outrora a possibilidade de deslocamentos aéreos urbanos no então futuro “Século XXI”, essa realidade já se firmou por meio do helicóptero, ainda no século XX. Inclusive, a primeira empresa de voos urbanos por aplicativos – a evolução do transporte aéreo dentro das metrópoles – a aterrissar na capital paulista, a Voom, também presente ao evento, faz uso intenso do helicóptero. Além disso, vivemos o século do reinado dos drones, veículos aéreos não tripulados muito populares inclusive nas cidades, realizando as mais diferentes tarefas. Essas aeronaves utilizam justamente a tecnologia das asas rotativas e já são o embrião do transporte urbano de pessoas do futuro, sem pilotos, inclusive, já em desenvolvimento.  

Com um futuro tão promissor, e contando com o apoio de um evento desse porte, o setor comemora a primeira edição do Heli XP, que superou as expectativas de seus realizadores, patrocinadores, expositores e visitantes.

“Estimamos que o relacionamento proporcionado aos expositores irá gerar negócios para os próximos três meses. Só durante o evento, tivemos a concretização de cerca de US$ 5 milhões em negócios, segundo informações prévias fornecidas pelos próprios expositores”, comemora Gledson Castro, sócio idealizador da feira. Gledson, já no primeiro dia, ficou admirado com a quantidade de visitantes acessando o Helipark por automóvel, o que gerou, momentaneamente, um congestionamento no estacionamento local, jamais visto antes.

Segundo Roberta N. Yoshida, sócia criadora do evento, desde o conceito e criação até a comunicação do Helicopter Experience, o helicóptero foi tratado como uma importante ferramenta de mobilidade, principalmente nos grandes centros. E a partir deste kick off, que foi a feira em si, “passaremos a criar ações para manter o Heli XP ativo até sua próxima edição, através de ações para conectar os próprios expositores e fomentar a geração de relacionamento com o mercado e com os usuários, seja ele pessoa física ou jurídica”, completou.

A geração de negócios também se estendeu à área Premium, que contou com marcas como Cyrela, Intermarine, Via Itallia (Maserati), Alma Premium, Feira Parte, Esch Café e Porsche Design.

Por sua vez, o Helipark viveu seu dia de “Aeroporto de Congonhas das Asas Rotativas”, tamanho era o movimento de decolagens e pousos que nem a chuva, que teimou em aparecer, aplacou.

CABE NUMA MOCHILA

(Foto: Solange Galante)

Todos carregamos um notebook, um tablet, toda sorte de equipamentos em uma mochila. Agora, pode-se transportar também em mochilas GPUs (Ground Power Units), ou seja, Unidades de Energia de Solo com poder para energizar aeronaves, e a lista de modelos que podem utilizar o equipamento é enorme: além da maioria dos helicópteros presentes à Heli XP, e mesmo alguns que não estiveram presentes, como os aviões Grand Caravan, Bonanza, Baron, PC-12 etc.

Como explica Tamara Savelkoul, representante da empresa brasileira Flying Box, as unidades de 5 kg, que são montadas pela Avionics Service, podem substituir as tradicionais de 100 kg fornecendo 100 ampéres. Outro modelo, ainda mais potente, pesa cerca de 20 kg e fornece 300 ampéres. Este, naturalmente, não cabe em uma mochila mas também é muito mais compacto que um GPU tradicional equivalente.


MUITO MAIS QUE O DRONE QUE VOCÊ TEM EM CASA

(Foto: Solange Galante)

Por sua vez, Tiago Giglio Rodrigues, fundador e diretor executivo da empresa JetWind, exibiu uma maquete do RPA (Remotely Piloted Aircraft) RQ-17 ION que opera com características VTOL (Vertical Takeoff and Landing), atendendo o conceito de “performance de aeronave de asa fixa + flexibilidade operacional de aeronave de asa rotativa.” Como plataforma de inspeção e para filmagens aéreas, o RPA possui patentes sendo requeridas no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e no WIPO (World Intellectual Property Organization) da Suíça. Projeto 100% brasileiro, o RQ-17 ION foi lançado na última LAAD, no Rio de Janeiro,  no estande da ABINDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança).

GALERIA

Estive presente ao primeiro dia do Heli XP, com a sorte de ter o sol presente, em alguns momentos, entre uma chuvinha e outra, que refrescou mas não conseguiu reduzir o entusiasmo dos presentes. Confira mais imagens do Heli XP:

(Todas as fotos abaixo de Solange Galante)

 Bell 505, um dos maiores sucessos da fabricante dos EUA.


 Agusta Grand, um dos sucessos da Leonardo.


 MD 902 da MD Helicopters, sem rotor de cauda.


 A AGS Logistics literalmente embrulha os helicópteros que transporta.


AW 139 da Icon Aviation: conforto à toda prova.

 Esquilo AS 350 B2: dispensa apresentações!

Leonardo Agusta Grand à venda 



Outro modelo da Leonardo: Agusta A109 Power


 
Aeronaves da Robinson: os helicópteros mais frequentes no Brasil.


 
R66: o modelo a turbina da Robinson


 
Robinson R44

 Robinson e MD juntos

Dois Robinson R22 da Vertical Escola de Aviação 

 Compare as linhas externas deste R44...

 .. e deste R66.

 Mais um A109 Power

 Mais um R44 (preto) ao lado do R66 (azul)

 Bell 206 visitando a Heli XP.

 H120 Colibri

 O pátio esteve o tempo todo repleto de helicópteros.

 Mais um Leonardo/Agusta Power vindo para pouso.

 Newscopter R44 da Helicóptero Digital Ltda.

 
 Helibras AS 350 B3

Mais um AS 350 B3 

 Airbus EC 135P2+

 Decolagem do MD902

 Mesmo com alguma restrição de visibilidade durante a chuva leve,
muitas decolagens e pousos durante o evento.

 A organização do evento foi muito elogiada.

 O Helipark mostrou-se o local ideal para a Heli XP.

 Airbus EC 130 B4

 Na exposição estática, duas fileiras de aeronaves.

 O Newscopter "Tubarão" do Grupo Bandeirantes

 Um Dauphin AS 365 N2 de táxi aéreo.

 Um dos "Pelicanos" da Polícia Civil de São Paulo.

 O Newscopter com o Cmte. Hamilton nos comandos.

Mais um Esquilo decola: a decolagem do Heli XP
também foi tranquila e promete mais em 2020!




















 (Todas fotos abaixo de Solange Galante)


sábado, 18 de maio de 2019

SITES & BLOGS




AVIAÇÃO COMERCIAL EM PORTUGAL

O conhecido spotter brasileiro (spotter "raiz", ouso qualificar, rs) Afonso Delagassa mudou-se, por motivo de trabalho, no final do ano passado, da região de Curitiba, no Paraná, para a região do Porto, em Portugal. E não abandonou o hobby. Com a variada "fauna" aeronáutica europeia, especialmente em relação aos narrow-bodies, ele nos brinda com um Blog dedicado ao seu passatempo predileto. Nada como ver pinturas e até alguns modelos que não vemos no Brasil!

quinta-feira, 16 de maio de 2019

PERFIL

Associação prova que, sim!
Há vida após a Varig!!!


(Por Solange Galante)


Estreando a coluna "Perfil" deste Blog, trago o perfil de uma associação que sobreviveu ao fim da Varig e é um grande orgulho de seus associados! Trata-se da AMVVAR, Associação dos Mecânicos de Voo da Varig. 
Hoje existem no Brasil em atividade apenas nove mecânicos de voo – também chamados Engenheiros de Voo ou F/Es (Flight Engineers) – na Total Linhas Aéreas e dois ou três na Sideral Linhas Aéreas (a empresa é a de mais difícil comunicação, no País), as duas únicas empresas brasileiras que operam ainda o Boeing 727, aeronaves da geração onde os “terceiros homens” eram essenciais para as tripulações técnicas dos voos, como acontecia também com os Boeing 707 e 747-200, ou então o Concorde, o Airbus A300 de primeira geração etc
A saudosa VARIG teve esses tripulantes em diversos modelos de sua frota. Após o leilão da companhia em 2006, suas associações, como a APVAR (dos pilotos) e a ACVAR (dos comissários) tiveram suas atividades reduzidas, embora ainda existam formalmente. Mas aquela que tinha menos sócios, pois havia menos funcionários da categoria “mecânicos de voo”, a AMVVAR, por incrível que pareça, só cresceu na última década, pois se “reinventou”, e hoje é uma associação muito respeitada na aviação brasileira, proporcionando a seus sócios benefícios e atividade social intensa durante todo o ano. Conversei com um de seus ex-mecânicos de voo, Mauricio Morales Ferraresi, vice-presidente da Associação, que já possui respeitáveis 48 anos ininterruptos de atividades .

(Foto: coleção de Maurício Ferraresi)

Caixa Preta: Quando foi fundada a AMVVAR ?
Ferraresi: Ela foi fundada em 21 de junho de 1971, em São Paulo.

Caixa Preta: Onde se situa a sede da AMVVAR ?
Ferraresi: A AMVVAR tem, hoje, a sua sede no Rio de Janeiro, subsede em Porto Alegre e representações em SÃO (São Paulo), CWB  (Curitiba) e FLN (Florianópolis). 

Caixa Preta: A associação recebia verbas da Varig ou quais outras fontes de recursos além dos sócios ?
Ferraresi: Ela não recebia verbas da Varig.  A fonte de rendas, inicialmente, era somente a contribuição mensal de cada associado – somente mecânicos de voo (M/V).

Caixa Preta: A partir de quando a AMVVAR se “reinventou” ?
Ferraresi: A partir da década de 1980, com o avanço tecnológico e a chegada das aeronaves com sistema monitorado por computador, quando surge na Varig o Boeing 767, que já não utilizava o “3º Homem” no cockpit. Começamos, desde então, a nos adaptar para perenizar a associação e não perdermos seu foco inicial, cuja missão é a “excelência no atendimento ao associado, referenciado no querer e na vontade coletiva, preservando a instituição, defendendo o grupo e promovendo bem-estar e integração”.

Caixa Preta: Como ficou a Associação durante o agravamento da crise da Varig ?
Ferraresi: Com a crise da Varig, o grupo que administrava a AMVVAR passou a dedicar mais atenção à essa associação, criando modificações no seu Estatuto, adaptando-o à nova realidade, bem como atualizando o setor de informática da administração, o que gerou maior rapidez às ações empreendedoras, podendo, assim, prestar serviços de administração até para as associações coirmãs APVAR e ACVAR.

Caixa Preta: Como está a situação dessas outras associações de tripulantes da Varig (APVAR e ACVAR) hoje ?
Ferraresi: Encontram-se em situação de ativas, porém, sem atividades associativas.

Caixa Preta: E a AMVVAR, nesse contexto, como está?
Ferraresi: Nesse contexto, a AMVVAR consegue administrativamente ir se renovando, atualizando e adaptando-se às condições do mercado.

Caixa Preta: Como a Associação funciona, atualmente?
Ferraresi: A AMVVAR hoje funciona como uma entidade de utilidade pública e contratante de planos de saúde.

Caixa Preta: Quais as fontes de renda atuais da Associação e quais os benefícios que proporciona a seus associados ?
Ferraresi: As fontes de renda atuais da associação se dão por meio da administração de convênios de planos de saúde para mais de 3.000 participantes, fornecendo subsídios administrativo e financeiro aos Associados Efetivos Natos e viúvas de ex-M/V.

Caixa Preta: Quantos associados a AMVVAR possui hoje ? E quantos associados tinha em seu auge durante a existência da Varig
Ferraresi: Associados Efetivos Natos – 234; viúvas de ex-M/V- 64; Participantes – 2.722. No auge, durante a existência da Varig, eram 540 Associados Efetivos Natos.

Caixa Preta: Algo mais que deseje acrescentar.
Ferraresi: Com a perda dos postos de trabalho na Varig, a AMVVAR fez um trabalho de requalificação profissional para mecânicos de voo, onde formamos 120 pilotos para a Varig.

Mais informações: www.amvvar.org.br

sábado, 11 de maio de 2019

PÉROLAS VOADORAS!

NOSSA EXCLUSIVA 
COLEÇÃO DE PÉROLAS VOADORAS!!!


Erros da imprensa especializada e não-especializada sobre aviação.



“Itens como autorização para embarcar com o respirador portátil (...) foram um dos obstáculos. Anac e Agência Federal de Aviação (FAA), dos Estados Unidos, tiveram que conceder autorização exclusiva para ela."

(Revista Flap Internacional, número 537, junho de 2017)

A famosa FAA foi criada em 1958 e designada Federal Aviation Agency. Mas, desde 1967 sua designação mudou para Federal Aviation Administration.


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"O avião destinado à companhia internacional tem as cores da TAP Portugal e será o primeiro avião destinado à companhia portuguesa."

(Revista Aero Magazine, número 293, outubro de 2018)

A companhia aérea de bandeira de Portugal já se chamou Transportes Aéreos Portugueses, depois TAP Air Portugal, passou a TAP Portugal e, desde 2017, regressou à denominação TAP Air Portugal, que utilizou entre 1979 e 2005.


Foto: Afonso Delagassa/maio de 2019

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Quem acompanha meu Blog, e até quando Caixa Preta era uma coluna em outros sites de aviação, sabe que publico também erros de português (Caixa Preta de Camões), de inglês (Caixa Preta de Shakespeare) e até de idioma espanhol  (Caixa Preta de Cervantes). Mas não só idiomas, até geografia costuma confundir os redatores, da imprensa especializada, inclusive. Que tal, então,uma Caixa Preta de (Alexander von) Humboldt, considerado o fundador da moderna geografia física? 


CAIXA PRETA DE  HUMBOLDT


"Na Bolívia foi inaugurado o Aeroporto de Copacabana, na fronteira com o Peru, às margens do Lago Tititaca." (Revista Flap Internacional n. 551, agosto/2018)

Na verdade o lago boliviano, muito famoso, por sinal, é o Titicaca.

( Confira: https://www.machupicchubrasil.com.br/pacotes/america-do-sul/peru/lago-titicaca/c85 )



CAIXA PRETA DE  CAMÕES + CERVANTES*

Pela primeira vez na história editorial mundial Camões anda de mãos dadas com Cervantes. Uma nova revista de aviação lançada no mercado brasileiro, irmã caçula da edição espanhola, publicou artigos em idioma assemelhado ao híbrido “pontunhol”. Uma regra importante para quem escreve é: jamais revise o que você próprio escreveu ou traduziu, se quiser realmente uma revisão impecável. E se você tiver como língua materna o idioma do texto original que está sendo convertido para o idioma da revista, então, pior ainda!  Com certeza, você deixa passar batido palavras no idioma que não se deseja manter.
Isso acaba gerando pérolas como essas abaixo (os itálicos são por nossa conta):
“Conferi duas veces que todos os sistemas...”
“... levando a aeronave a un voo nivelado até que el piloto comande o contrário.”
“...continuará supervisionando y gerenciando a organização.”
“O avião anfíbio, llamado SkiGull...”
“Mooney apresenta seus nuevos biplaces...”
(Legenda): “Dereita A ponta externa...”
(Legenda): “A dereita A aviônica...”
“Hélice Hartzel cuadripá de material composto...”
Aunque o tamanhño (sic!) dos tanques seja calculado...”
“...uma forza corretora que o piloto pouede sentir nos comandos.”

Bem, até que chegou o momento de eu deixar de anotar, porque cansei...

*Publicada no Blog em 2015

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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Plantão Caixa Preta

***Análise Exclusiva***

"O PADRÃO BOEING CAIU SIM"
(declaração de nosso entrevistado)




(por Solange Galante)

Em março passado publiquei entrevista exclusiva com piloto brasileiro da Lion Air analisando o que poderia ter acontecido com o modelo 737 MAX 8, então também envolvido em acidente com a Ethiopian Airlines. (Vide em: https://caixapretadasolange.blogspot.com/2019/03/plantao-caixa-preta_11.html ).
Mantendo-se anônimo, ele fez mais comentários recentes sobre a situação da aeronave da Boeing e da própria companhia aérea onde trabalha:


Cmte:“Diante de tudo o que li em diversos artigos, infelizmente tenho que dizer que a Boeing deu azar por ter tido a falha com pilotos inexperientes. Poderia ter acontecido com qualquer um, novo ou antigo, isto não é o ponto principal, mas, veja bem, todos na Lion sabem que a primeira pane apareceu logo após a decolagem de Tianjin, na China, indo para Bali, Indonesia. Foram quase 7 horas de voo, com o lado esquerdo do painel (do comandante) apresentando a falha, que eles conseguiram ‘esconder’ e prosseguiram o voo usando o lado do copiloto. Qualquer companhia teria voltado e parado a aeronave lá mesmo. Após a decolagem de Bali para Jakarta, na mesma aeronave, – a empresa diz que foram efetuados reparos na aeronave; afirmo que a manutenção em Bali já é precária para os 738 e 739 ER antigos,  imagine para um avião novo – e a apresentou a pane novamente. O piloto que estava no jumpseat , segundo informaram, era o mesmo que veio da China, e deu a dica para o comandante que assumiu o voo em Bali e conseguiram voar até Jakarta. Novamente vale lembrar que qualquer companhia com doutrina de segurança de voo teria ‘groundeado’ a aeronave, mas na Lion segurança vem em primeiro lugar somente no Manual de Operações, os chefes cobram horário dos comandantes locais e, sem combustível extra, e a cultura local devido à religião, deixa os mesmos cegos e não seguem os itens básicos de segurança, apenas obedecem os Chefes.”
Bem, em Jakarta, trocaram de comandante, e como é proibido comentar qualquer ocorrência sobre segurança em nenhum dos nove grupos do Telegram, ninguém comentou nada com ninguém, foram para casa e logo depois ocorreu o acidente com o Max. Com relação à Boeing ‘esconder’ o problema, vale lembrar que no início das operações da Airbus na TAM, existiram relatos de aeronaves que entraram em órbita sozinhas, pois os pilotos não programaram direito o voo, então tripulações se assustaram na aproximação para o Aeroporto Santos Dumont por que o vento jogou a aeronave próxima ao Pão de Açúcar e quando o piloto tentou aumentar o ângulo de curva, o avião não aceitou, pois estava além do limite de proteção. Mas isso não estava nos manuais, se os fabricantes forem colocar cada detalhe, vai ficar impossível voar, imagine de quantos dias seria um ‘ground school’? Seria muita informação para os pilotos, o importante é que o sistema proteja em caso de necessidade e o piloto seja treinado para que nunca chegue naquele limite onde o sistema terá que atuar para prevenir um possivel acidente. Infelizmente, hoje, com a geração whatsapp, iphone etc... e a busca incessante de lucro, as companhias não investem como deveriam na base, no treinamento inicial dos novos pilotos, se o piloto aprendeu a programar o FMC e já acertou pousar, já o liberam para voar em rota como copiloto, mas a maioria não sabe os memory itens , que seria o mínimo, já que são o backup do comandante se este tiver algum problema, se nada acontecer, legal, porém se tiverem algum imprevisto acontece como aconteceu nos dois acidentes com os MAX.”

(E o comandante brasileiro  prossegue...)

Cmte: “Mas preciso te comentar algo que não concordo com a Boeing: vender itens de segurança como opcional, deveria ser banido da aviação, como ocorre com o indicador de ângulo de ataque, que poderia alertar os pilotos e é opcional, neste ponto eu concordo que a FAA tem culpa no cartório
A Lion recebeu alguns 737-800 recentemente, por força de contrato, os aviões com menos de um mês aqui já apresentam falhas que não poderiam existir num avião novo e que vieram da fábrica. O padrão Boeing caiu sim. Veja este detalhe do armário, na Lion Air diminuíram o espaço para a saída de emergência para colocar um trolley um armário, e mais uma fileira de poltronas, tudo na intenção de obter lucro.”



(E ele finaliza com uma pergunta...)

Cmte: “Será se a FAA homologou isso?”

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Com a palavra, as autoridades envolvidas!

NOTÍCIAS CAIXA PRETA

JOVEM COM SÍNDROME DE DOWN REALIZA O SONHO DE VIRAR AEROMOÇA

(Texto e fotos: assessoria JeffreyGroup Brasil)
São Paulo, 30 de abril de 2019 - Em algumas situações, o time de bordo da American Airlines tem a oportunidade  de realizar conexões especiais com passageiros que voam com frequência. A história de hoje é da jovem Shantell “Princesa” Posser, que viaja regularmente de Dennarmark, Carolina do Sul, para Cincinnati, Ohio, onde realiza tratamento em um hospital infantil para uma doença terminal que está bloqueando suas vias aéreas.

Com essa rotina, além de se apaixonar por aviões, Shantell passou cada vez mais a admirar os comissários de bordo e sonhar em um dia se tornar uma aeromoça, e essa vontade aumentou no momento que o piloto Matthew Coelyn a convidou para um tour em sua cabine. Foi ai que sua mãe, Deanna, percebeu a verdadeira paixão de Shantell e que esse não era apenas um sonho passageiro.

Shantell com o time de bordo da American Airlines


Princesa já ultrapassou a expectativa de vida dada pelos seus médicos. Então, quando seu 17º aniversário estava chegando, sua mãe não mediu esforços para tornar seu sonho realidade e enviou uma mensagem para alguns amigos que trabalham na companhia aérea com o intuito celebrar seu aniversário da maneira que Shantell mais gosta: em um avião. 

Festa de aniversário de Shantell no voo da American Airlines

Deanna se juntou ao Capitão Matthew Coelyn e ao seu time de bordo para coordenar um evento especial para a Shantell. As aeromoças decoraram a cabine com faixas escritas “feliz aniversário” e, enquanto o jato taxiava na pista, Shantell vestiu seu uniforme da American Airlines e teve a oportunidade de atuar como comissária de bordo. Ela ajudou na demonstração dos protocolos de segurança e a conduzir o serviço de bordo, quando pôde servir a seus amigos e familiares.

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Parabéns à American Airlines pela iniciativa, e espero que a companhia continue incentivando o gosto pela aviação de sua passageira (e aeromoça por um dia) especial!!! (Solange Galante)

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Plantão Caixa Preta

AZUL DEIXA A ABEAR - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS AÉREAS


(por: Solange Galante)

Recebi há pouco a informação de que a Azul Linhas Aéreas deixou a Associação, conforme comunicado enviado aos funcionários.
O estresse teria sido motivado pela proposta que a Azul fez por parte da Avianca – empresa que se encontra em recuperação judicial desde dezembro passado – que, por sua vez, provocou uma espécie de "acordo" entre as empresas Latam e Gol, acordo este que, por sua vez, segundo o presidente da Azul John Rodgerson tem como principal objetivo impedir o crescimento de sua empresa no Aeroporto de Congonhas.
A esse propósito, veja entrevista de Rodgerson na revista Exame, no mês passado: https://exame.abril.com.br/negocios/em-disputa-por-ativos-da-avianca-presidente-da-azul-acusa-gol-e-latam/
Com isso, a própria ABEAR se verá em apuros, já que perderá também a Avianca como sócia.

"Senhores passageiros, aguardem novas informações sobre a continuidade desse voo."