(por Solange Galante)
Completando oficialmente 90 aninhos neste domingo 12 de abril de 2026, o principal aeroporto da capital paulista (me desculpe, GRU, mas sem você já vivemos por muito tempo...) teve sua primeira inauguração uma semana antes, no dia 5 de abril de 1936, também um domingo. O interessante foi como descobri isso, por acaso, pois reportagens ou livros sobre o aniversário do aeroporto só registravam o 12 de abril!
Décadas atrás, procurando na Biblioteca Municipal Mário de Andrade a página com o convite oficial para a inauguração em Congonhas, anterior ao dia 12, fui recuando nas edições do jornal O Estado de S. Paulo que folheei usando delicadas luvinhas até deparar com uma notinha comentando da inauguração... "anteontem"!
Na época, e por muito tempo, jornais em São Paulo não tinham edições às segundas-feiras, que era o dia de folga dos jornalistas (assim como continua sendo dos feirantes...), então foi na edição da terça-feira, dia 7 de abril, que encontrei referências a uma tarde de aviação ocorrida no domingo anterior!
Pois então recuei mais uma edição (já que pulávamos a de segunda-feira, inexistente) e descobri isso (conforme abaixo) no dia 5:
Essa primeira “inauguração” de sua primeira pista ocorreu nesse dia 5 de abril de 1936, quando sua construtora, a S/A Auto-Estradas quis promover o local como candidato a futuro aeroporto oficial da cidade, já que o Campo de Marte vivia alagando quando o Rio Tietê transbordava e já havia campos de pousos, aeródromos limitados mas operacionais, em outros bairros da cidade inteira, querendo o mesmo: ser o substituto de Marte.
Consta que o evento foi um sucesso. Porém, a Auto-Estradas quis reforçar sua presença, já que percebeu que o governo paulista ainda estava indeciso... e sendo, claro, assediado pela concorrência!
Por isso, a campanha foi realizada já no dia 12 de abril. E foi quando, conforme a imprensa registrou, atraiu mais público, autoridades e destemidos pilotos acrobatas, e, então, essa data passou a ser a oficial de inauguração do aeroporto, embora não tenha sido marcada por nenhum corte de fita ou estouro de espumante. Justamente porque surtiria o efeito desejado!
Anos após eu ter publicado em uma revista fotos escaneadas de um jornal da década de 1980 contendo a história inicial de Congonhas e essa minha descoberta, Victor Cukurs, cuja família ficou conhecida por realizar voos panorâmicos com hidroaviões na represa de Guarapiranga, publicou em seu Facebook mais informações sobre o primeiro avião que pousou lá naquela pistinha ainda experimental – o da abertura desta matéria:
Foi isso mesmo, os pioneiros foram esse famoso instrutor e seu aluno. Aí, surgiu outra curiosidade na minha vida relacionada a esse aeroporto. Tive a honra de, ainda adolescente, por coincidências do destino, conhecer Renato Antônio Arens pessoalmente! Obviamente, ele já estava já bem idoso, e residia no Edifício Comodoro, localizado na Pça. Amadeu Amaral, perto da Av. Paulista, onde eu morava com meus pais, sendo que meu pai era zelador do prédio. Quando comentei sobre a história de Congonhas no jornal de 1980, meu pai reconheceu o nome Renato Arens e disse "Ele mora aqui no prédio!" E não é que morava mesmo?!
Meu pai me levou até o apartamento dele. Mostrei ao senhor Renato a foto abaixo, reproduzida do jornal Ibirapuera News, onde ele, à direita, posa junto a seu instrutor Renato Pacheco Pedroso, após a “façanha” de aterrissar na pistinha de poucas centenas de metros naquele fim-de-mundo que era o caminho para o distante bairro de Santo Amaro – então cidade independente.





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