quinta-feira, 1 de outubro de 2026

SPEECH

Ninguém está imune a nada,

já pensaram nisso?


(Foto: extraída de redes sociais)


(por Solange Galante)

Vou falar do ser humano, nossa frágil espécie, que está sempre se auto-destruindo.

Mas nem sempre ela se auto-destrói: também temos predadores, que não são leões, tubarões, hipopótomos, embora estes animais também nos ataquem quando lhes damos essa oportunidade.

Já disseram que o maior predador do ser humano é o vírus, um ser que nem animal e nem planta é. Incrivelmente pequeno mas incrivelmente poderoso.

Quando o leão não nos ataca, quando o vírus não nos mata, quando não provocamos nós mesmos a nossa morte, por suicídio direto ou indireto, ainda assim a Vida nos prega peças, e milhares de anos de medicina, chinesa, indiana, ou mesmo a medicina contemporânea, bem mais jovem mas igualmente vigorosa, repleta de remédios de laboratório, injeções, cápsulas e pílulas, ou mesmo cirurgias, sabem explicar o que acontece dentro de cada ser humano.

Por várias vezes vi, ao vivo e em cores, pessoas cheias de saúde minguarem em poucos meses diante de seus entes queridos e de uma maneira enormemente sofrida. Olhos sem expressão, corpo em pele e osso, falta de voz, falta de energia, tanto em leitos públicos quanto em leitos sofisticados. Sem qualquer diferenciação de classe social ou berço da família, todos da mesma maneira.

Muitas dessas pessoas me foram muito próximas, sei como o sentimento de vazio toma conta dos que ficam. Perdemos o chão. Perdemos o céu. Até mesmo chegamos a pensar em ir junto. Mas, felizes os que têm uma âncora para se manter vivendo. Essa âncora pode ser uma grande causa, que extrapola a dimensão familiar, ou mesmo a continuidade da própria família, qual seja: um filho.

Por outro lado, eu tenho motivos de sobra para acreditar na continuidade da Vida em outros planos. Para acreditar nisso, não basta um religioso nos contar e nos convencer, pois ele nunca irá nos convencer. Não basta a ciência disponibilizar uma hipótese de 0,0001% disso existir. Para acreditar, é preciso VIVER algum tipo de experiência inexplicável para a Ciência de hoje – mas que seu CORAÇÃO consegue explicar. Que, por sinal, a mesma Ciência um dia remoto já negou muita coisa – ou a totalidade – do que hoje sabemos ser real, "científico".

Minha crença laica se baseia de que tudo é energia e na vida nada se perde, nada se cria, tudo se transforma, como já dizia Lavoisier. Mas isso é apenas um resumo bem resumidinho do que eu acredito.

Enfim, tudo isso para dizer que sim, estou chocada com a rapidez com que a doença de nome esquisito e que ninguém conhecia até então levou LITO SOUSA. Muito mais rápido que casos de câncer, AIDS, escleroses múltiplas já nos ensinaram. Mas, principalmente, chocada com a fato de que todos nós podemos vir a ter um final assim. Não estamos imunes nem que nos cuidarmos a ponto de nos distanciarmos dos leões, dos tubarões, dos pitbulls soltos, nos precavermos dos vírus (como até ocorreu no caso da covid-19) e da auto-destruição humana por violências, por descuidos, por exageros, por insuficiências, por racismos, por polarizações, por radicalismos, por dogmas, por invejas e mesmo pela destruição de onde vivemos.

Ninguém está imune a nada, já pensaram nisso?

Enfim, foi uma tragédia cruel, e rogo às Forças mais poderosas do Universo que deem o suporte necessário aos parentes, em especial ao filhinho, à esposa, e aos amigos mais próximos de quem, embora não fosse unanimidade para muitos grupos ligados ou não diretamente à aviação, – muitos que o criticavam há poucos meses hoje postam saudades e homenagens – teve sim sua Missão neste planeta e neste país, deixou marcas profundas e se destacou onde muitos tentam e poucos conseguem se destacar.

Há cerca de um mês assisti a um vídeo no Youtube de um canal que eu nem conhecia, de uma Cigana Sulamita. Ela declarou que não conhecia o Lito, não havia ouvido falar dele, mas foi procurada para ler cartas, e leu no vídeo as cartas ciganas, dizendo depois que "o rapaz" queria MUITO viver, mas de uma maneira que ele conseguisse continuar o trabalho dele, influenciando positivamente seu público, e não ser um peso para a família. Essa seria uma condição para continuar vivendo, inclusive para ele não sofrer muito. Caso tenha curiosidade, o vídeo está neste link: https://www.youtube.com/watch?v=49l1CCLK6cI

Um dia o Marquês de Pombal disse, a respeito do grande terremoto em Lisboa no século 18: "Enterremos os mortos e cuidemos dos vivos". Mas, não é bem assim. Em algum lugar, os "mortos" continuarão sua Missão, muito maior do que aquela que pudemos enxergar. Uma delas, continuar a servir de exemplo para os vivos. Apenas uma amostra: incentivar mais pesquisas sobre a tal doença.
E não nos esqueçamos das pessoas bem próximas de nós que podem também estar sofrendo muito, por diversas doenças, mas sem nenhum apoio, nem mesmo familiar. Inclusive aquelas que um dia já pensaram em desistir e em antecipar seu próprio fim.