sábado, 29 de agosto de 2026

SPEECH

ÀS VEZES, O MAIS IMPORTANTE É SILENCIAR 



                                                                                                     por Solange Galante

Tenho certeza absoluta que, às vezes (ou muito frequentemente...) estranham o meu silêncio. Minha ausência de manifestação, ou até uma aparente ignorância minha sobre fatos que ganham repercussão nacional, que estão em todas as bocas... (menos na minha). 

Por isso, resolvi mais uma vez me expressar "nos autos", como o fazia a Ministra Rosa Weber... que só se manifestava... nos autos!

Certíssima estava ela, quando, ao contrário de seus colegas do STF, evitava a exposição, os eventos, as entrevistas, as palestras. Acredito que soubesse que é lá, fora de seu ambiente de trabalho e de suas tarefas, o mundo onde vivem os urubus, os papagaios-de-pirata, os caçadores de autógrafos, e por aí vai. 

No meu caso, os autos são o meu espaço, meu Blog.

Portanto, vamos lá.

As frases abaixo, ao longo de décadas de experiência vida, pude comprovar serem eternamente válidas:

"O SILÊNCIO É UMA PRECE"

"DEUS SABE (E AUTORIZA) CADA FOLHA DE ÁRVORE QUE CAI"

"NADA É POR ACASO"

"NINGUÉM CARREGA UMA CRUZ MAIOR DO QUE PODERIA AGUENTAR"


Sim, claro que estou me referindo ao caso LITO SOUZA

Mesmo sem qualquer alarde e manifestação, nos últimos dias tenho acompanhado MUITOS vídeos dele, da esposa Mila, dos amigos, e até de médicos e jornalistas que nunca o conheceram mas deram suas opiniões. TV Globo, companhias aéreas que já o criticaram um dia, etc. Tenho lido também os comentários anexos aos mesmos (o que é muito importante). Mas tenho evitado ME manifestar publicamente porque, em casos assim, que não ME dizem respeito, muito particulares, pessoais, íntimos, até, prefiro simplesmente entender detalhadamente o que se passa e orar em silêncio, sem berreiro, e desejar de coração o melhor que estiver reservado à pessoa em questão pois NEM SEMPRE o que julgamos "o melhor" para ela é REALMENTE "o melhor". Muitas vezes colocamos apenas um pensamento egoísta e comodista à frente dos outros. E as lições dessa experiência eu trago da própria vida. 

Não sou insensível. Estou muuuito longe disso. Os vídeos comoventes de Lito no hospital me lembraram de experiências própias no seio da minha família. Eu aprendi o significado da palavra COMPAIXÃO quando acompanhei, dia a dia, durante seis meses, meu próprio pai gradativamente se esvair, desfazer-se em cerca de 200 dias durante um câncer de reto descoberto além do início. Diarreia contínua. Sem posição para se sentar. Sem apetite, ficando cada dia mais fraco, perdendo gradativamente o olfato, o paladar, a fala, a força muscular, qualquer resquício de ânimo de viver. Sei o quanto é terrível ser pêga de surpresa por uma realidade dessas, não raras vezes causando uma guinada na vida de uma família toda, a perda total de chão sob nossos pés. E meu pai só tinha a mim e a uma amiga vizinha, ou melhor, uma "anja". E ele só se foi quando, enfim, perdoamo-nos mutuamente, em seu leito de despedida. Quando esse ciclo foi cumprido, ele pôde ir em paz.

Quando uma doença desaba sobre nossas cabeças, resta-nos o consolo de normalmente ter tempo para algum tipo de despedida, ao contrário da morte por violência extrema, como as que todo dia assistimos pelas redes sociais e diversas mídias.

Poucos se recordam que, anos atrás, Lito esteve temporariamente ausente do canal. Eu, na ocasião, até julguei que poderia ter sido Síndrome de Burnout mas, neste momento, realmente não me recordo qual foi o motivo. Mas quando ele regressou no mesmo ritimo, um pensamento chegou de repente em minha cabeça: "Ele vai ficar doente de novo." Mas eu não tinha noção se isso realmente aconteceria e de que forma ou intensidade, muito menos quando.

Mas falei que só publico esse tipo de comentário nos "autos", no caso, nos meus canais, de preferência longe das postagens alheias porque, especialmente em momentos de forte comoção pública, qualquer coisa que se diga nas redes sociais, ambiente de pessoas de toda espécie, evolução e intenção, corre-se o risco de não ser bem recebida por alguns. Já fui, por exemplo, fortemente ridicularizada por ter pedido a confirmação do hospital onde o Lito estava para colocar, junto com seu nome, o endereço na caixa de orações de um centro espírita...

Talvez eu só não tenha sido tão ridicularizada quanto a própria Mila, esposa do Lito, segundo boatos que ouvi sobre ela ter sido vítima de zombarias em redes sociais.

A esposa sofrendo zombaria; noutras postagens toneladas de fake news politizando a situação dos dois; os negacionistas das vacinas creditando a doença dele à efeitos colaterais da vacina da Covid-19; fora as milhares de receitinhas caseiras para sua "cura"; falsas "vaquinhas" para arrecadação de fundos e anúncios de médicos com as mais diferentes "especialidades" querendo que ele os consultasse. Sem contar todos canais e personalidades dfentro e fora da Aviação tomando carona no caso e explorando o drama e a imagem de uma pessoa fragilizada.

E ainda uma alta exposição de seu drama por parte de alguns não com o intuito de ajudá-lo, mas querendo dar esperanças sem o devido conhecimento dos trâmites regulares das ciências e das pesquisas. Sendo que, normalmente, a ética da Ciência não passaria à frente da fila nem o Papa. Ou seja: vendeu-se uma ideia que dificilmente seria entregue.

Conclusão: Se não o foi antes, justamente agora LITO é vítima da escravidão e do rolo compressor das redes sociais e do sensacionalismo da mídia em geral.

Tudo devidamente "monetizado", diga-se de passagem, pois são as gigantes da tecnologia e da informação que mais faturam com isso tudo. NUNCA acredite em frase do tipo "Este vídeo não está sendo monetizado", pois Youtube, Instagram, X, Tik-Tok, Facebook NUNCA saem perdendo. Se não existe almoço grátis, alguém lucra com esse almoço. E quanto mais drama, melhor, mais lucro!

São movimentos de péssimas ENERGIAS e VIBRAÇÕES, tudo do que um doente não precisa, nesse momento tão delicado.

Sim, o ser humano, às vezes, age assim, explorando a dor alheia em proveito próprio... E todo dia, na mídia, vemos o resultado disso... 

Enfim, em silêncio mesmo oro por ele e sua família. Pois aprendi na carne a ter compaixão diante de quem definha, se esvai gradativa e dolorosamente. E todos sabemos que nada garante que não estejamos amanhã mesmo sofrendo da mesma maneira. E até explorados da mesma maneira.

Exploração deixada de lado, eu admiro MUITO as pessoas que não usam as redes sociais apenas para mostrar o lado bom de sua vida, mas também para expôr suas próprias tristezas, medos, fraquezas, desgraças pessoais, para provar que são seres humanos e para que seus dramas sirvam de inspiração para quem precisar se cuidar mais. Assim, PARABÉNS em especial ao próprio LITO por se deixar mostrar, por se deixar saber como está, o que sente, o que lhe dói. Não há nenhum pingo de falsidade ou de dramalhão em seu ligítimo drama. Não cabe, nesse momento, ironia alguma quanto à sua realidade hoje. E talvez o maior legado que Lito possa deixar a partir de agora seja a importância da saúde, dos momentos de alegria vividos intensamente junto às pessoas que amamos, da resiliência e da fé.

Eu acredito que nossa verdadeira Vida não está aqui neste mundo tão limitado. E essa crença é a melhor sustentação em momentos difíceis.

Não me importa você não acreditar em mim, não concordar comigo, e até jogar-lhe pedras. Eu tenho dezenas de motivos para acreditar no que eu acredito, e, um dia, os hoje descrentes também terão meios para acreditar, naturalmente, sem pressão, e mesmo sem a necessidade de "religião".

Eu nunca vi a eletricidade, mas vejo seus vários EFEITOS e sei que a eletricidade existe.

Enfim, desejo, de todo coração, que as entidades mais elevadas possam anestesiar todos que estejam perturbados, e trazer para suas almas muita PAZ e CONSOLO, independentemente do que venha a acontecer com o Lito.

Ah, sim, dois recados finais:

Não preciso publicar nenhuma foto do Lito aqui.

E se você olhar para o lado, verá milhares de pessoas passando por drama semelhante, mas sem redes sociais para lhes dar visibilidade. Pense nelas, também.

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