AGORA NO “PLANETA”
MARTE, A LABACE AGRADOU MUITO!
(por Solange Galante, texto e
fotos)
Atualizado às 20h
Como é tradicional, utilizo o espaço do meu Blog para
fazer uma análise geral da Latin
American Business Aviation Conference & Exhibition saindo do noticiário
comum mas agregando também fatos marcantes do evento.
Vou começar pela unanimidade:
frases que mais ouvi conversando com visitantes e expositores, sem a menor
dúvida:
1) “Deveria ter vindo para o
Campo de Marte faz tempo!”
2) “O piso, mais plano, está muito
melhor!”
Pois é... lembremos que há 20
EDIÇÕES – não 20 “anos” como muitos erraram ao dizer, já que a Labace não
ocorreu em três anos – a principal feira de aviação executiva da América Latina
começou ainda pequena, com poucas aeronaves, dividida entre o Complexo
Transamérica (estandes) e Congonhas (exposição estática, mas ainda no pátio
leste), com a Marginal Pinheiros entre os dois locais, onde o público perdia
muito tempo se deslocando e enfrentando congestionamentos. Depois, os estandes
foram para Congonhas e toda a feira se mudou para a área desativada da antiga
companhia aérea VASP, então em processo de recuperação judicial/falência.
Mas, justamente por ser um local
muito precário, com hangares quase caindo aos pedaços e piso totalmente
irregular, era necessário muito banho de loja para deixar a Labace no mínimo –
o bota mínimo nisso – possível condizente com seu público. Rampa de acesso íngreme
a partir da Av. Washington Luís, passarelas de plástico escorregadias na chuva,
carpetes que alagavam também nesses condições, depois deslocamento para o pátio
um pouco mais central do aeroporto com entrada pela estreita e sempre
congestionada Rua dos Tamoios, ou seja, sempre havia críticas à infraestrutura
disponível. Como a área não era própria não se podia melhorar muito mais do que
se conseguia, no improviso.
Ainda assim, a Labace foi um
grande sucesso, ano após ano e a ABAG – Associação Brasileira de Aviação Geral – jamais desistiu de
investir no evento.
Sempre havia um boato de que a
Labace iria se mudar, provavelmente para o Campo de Marte, principal aeroporto de
aviação geral do país. A Labace deveria sim se mudar, em busca de melhores
condições, mas Congonhas também tinha seu charme e a Labace tinha no principal
aeroporto paulistano seu habitat natural.
Mas, enfim, com a concessão de
Congonhas à espanhola AENA, que foi mais do que explícita ao revelar seus
planos de que o aeroporto era comercial e deveria seguir sua vocação natural de
servir às empresas aéreas e seu público prioritariamente, a Labace seria
praticamente “expulsa” de seu lar após 22 anos, desde a primeira edição, em
2003.
E, enfim, de paliativo, o
Aeroporto Campo de Marte, que também havia sido concedido à iniciativa privada
(PAX Aeroportos) após se
salvar da campanha maciça que pedia sua desativação ou limitação aos
helicópteros, se mostrou o local ideal para a Labace dar continuidade à sua
história de sucesso, ainda mais com o apoio da Força Aérea Brasileira, que
cedeu a área do Parque de Material Aeronáutico de São Paulo – PAMA-SP, onde já
ocorre há muitos anos o Domingo Aéreo. E com o pátio plano, realmente muito
melhor que o da Vasp, para homens e mulheres, com ou sem salto alto, poderem
circular adequadamente no espaço!
Vinte Edições de Experiência
Conheci a primeira Labace,
ocorrida em 2003, escrevendo para a extinta Aviação em Revista, até me tornar a
responsável pela edição especial da Flap Internacional, que circulava lá dentro
da feira, por várias edições, até inclusive o ano 2018. Não deixei de visitar o
evento nos anos seguintes, exceto, é claro, nos anos de pandemia, e, em 2022 e
2023 fiz a cobertura internacional para a norte-americana Aviation
International News. Mesmo quando não cobria por alguma revista, eu coloquei
fotos e comentários aqui no Blog e realizei entrevistas com players do mercado
no meu Canal no Youtube, inclusive com convites de presente para acesso gratuito
ao evento. Este ano, chegaram a me chamar informalmente de “Musa da Labace”,
com o que discordo. Musa, para mim, é a Lílian Favareto, da Aero Safety, com seus brownies
deliciosos, com os lanches da Marcia’s
Catering, com suas sacolas vermelhas à prova d’água, com seus equipamentos
de segurança para a aviação (fundamentais!) e sua simpatia inabalável – tudo
isso em ordem crescente de importância (mas todos importantes) para o evento!

Mas a Labace sempre começa antes
da abertura dos portões. Na véspera do evento a Líder Aviação, outra empresa que acompanha a feira
desde seu início, já anunciou à imprensa o início de sua representação dos
veículos elétricos da norte-americana BETA, demonstrando mais uma vez seu
pioneirismo, conhecido desde os tempos em que o Cmte. Assumpção dirigia
pessoalmente a Líder. Não podia ser
melhor, não é?
Confira detalhes desse anúncio em
https://caixapretadasolange.blogspot.com/2025/08/noticias-caixa-preta.html
Outra empresa que nunca deixa a
desejar é a TAM Aviação
Executiva. Entre tantos destaques e vendas de aeronaves durante o evento
– ou, pelo menos, a canetada final no contrato durante a Labace – o SkyCourier, o mais novo utilitário da Cessna, mostrou seu tamanho, robustex e,
ninguém duvida, ele será um marco no transporte aéreo assim como o irmão mais
velho Caravan, também da categoria turbo-hélice, também foi um divisor de
águas.
Cessna 408 SkyCourier
Cabine do SkyCourier versão passageiros.
Aviões GRANDES e som
ambiente propício
Cessna Citation Latitude: um dos grandes destaques da TAM Aviação Executiva
Há alguns anos, por diversos
motivos, a Labace sente falta de verdadeiros giagantes da aviação executiva,
como os Gulfstreams, os Falcons e os Bombardiers. No entando, ainda falando da
TAM, seus Citation Longitude e Latitude já começam a marcar território, ocupando
espaço na feira como grandes destaques do setor. Com as novidades trazidas pela
Cessna e Textron, bem como por outros fabricantes como a Piper, HondaJet,
Diamond, Airbus Helicopters, Leonardo, Robinson, Embraer, Pilatus, Cirrus e
muitos outros players, o principal evento latino-americano de aviação executiva
mantém um leque de opções para todos os gostos, necessidade e bolsos.
Em torno das principais estrelas –
as aeronaves, é claro – às quais se juntam hoje os diversos projetos de mobilidade
aérea elétrica como os eVTOLs orbitam um sem número de serviços como
treinamento, consultorias, seguros, gerenciamentos, portfólio de peças,
combustíveis, logística etc. Pois não basta embarcar e sair voando!
Há ainda o apoio de órgãos que
também estiveram representados no evento como DCEA, ANAC, Polícia Federal,
Polícia Civil, bem como a imprensa especializada e, lembrando que os seres
humanos envolvidos também precisam se alimentar com estilo, que tal até mesmo
um sorvete alcoólico de caipirinha ou de chocolate com uísque?
Enquanto isso, o sobe e desce do
tráfego aéreo do aeroporto da zona norte de São Paulo parecia confirmar: A casa
da aviação geral é AQUI!
História relembrada
O Corsair do Museu Asas de um Sonho já chegou a Marte para o Museu Paulista
Em memória da participação
brasileira na Segunda Guerra Mundial, o busto do herói Brigadeiro Nero Moura, à
frente de uma exposição temática, recepcionava os visitantes ainda antes dos
bloqueios de acesso à feira. Lá dentro, grande destaque ficou por conta do MAPA – Museu Aeroespacial Paulista
que, em breve, fará parte do futuro do Campo de Marte como braço do Museu Asas
de um Sonho. E também parecia um sonho ver lado a lado o Vought F4U Corsair, o Supermarine
Spitfire, o Republic
P-47 Thunderbolt e o Messerschmitt BF 109 que são as primeiras
aeronaves do futuro Museu.
Detalhe: em tempos de mimimi, a
suásticas do avião alemão estava coberta para ninguém achar que se tratava de
apologia n@z1st@. Lembrando que a culpa é de quem inverteu seu significado, já
que, em religiões orientais como o hinduísmo e o budismo, a também
chamada cruz gamada é um símbolo religioso antigo, associado a boa sorte,
prosperidade e o movimento do sol. Deriva
do termo sânscrito "svastika", que significa "bem-estar" ou
"boa sorte”. Mas é melhor deixá-la coberta mesmo para evitar
contratempos...
Sem suástica. Não faz falta, mesmo.
Nublado, chuvoso, ensolarado
Quarta-feira...
Quinta-feira...
Labace sem chuva não é Labace. E sem frio, e sem sol, e sem calor. No primeiro dia, nublado e temperatura amena. No segundo, chuviscos pontuais, às vezes apertando um pouco, e a temperatura despencou. No terceiro, o sol chegou forte e todo mundo tirou o casaco. Mas os frequentadores da Labace, mesmo não pertencentes à fauna paulistana, já se acostumaram: chove, correm para dentro dos estandes e aproveita para conhecer melhor as empresas expositoras. O sol volta, correm para a exposição das aeronaves. E, em todo canto, portanto, havia aglomerações.O que, felizmente, não teve mesmo foi vendaval. Que, sabemos, é um dos grandes inimigos das aeronaves.
Um plus: o próprio Campo de Marte
No mais antigo aeroporto de São Paulo, e o que mais conecta a aviação geral ao resto do país, o movimento de sempre dava aquele gostinho de "meu mundo é aqui" e a FAB também desfilou – nada programado, é claro – para os visitantes. No céu, tráfegos de Congonhas e de Guarulhos também podiam ser vistos. Foi o show da aviação.


Labace foi bem movimentada,
recebeu muito público nos três dias, e ainda havia muito fluxo de pessoas nas
passarelas de madeira – mais charmosas e convenientes que os antigos pisos de
plástico – mesmo na proximidade do horário de encerramento do terceiro e último
dia.
As fotos dirão mais sobre o evento! 
O tradicional corte da fita marcando a abertura oficial da Latin American Businesse Aviation Conference & Exhibition.
Aviões perfilados à espera do cliente.
A passarela de madeira já havia sido testada e aprovada na edição passada da Labace.
Uma das novidades da Labace no Campo de Marte é o Shuttle que transporta os visitantes entre os dois lados do aeroporto.
Airbus: "Bem-vindo à nossa casa. Sinta-se à vontade."
Reais lá fora, maquetes lá dentro.
A TAM comemorando excelentes resultados no evento. E "soltava" fogos de artifício (virtuais).
A sempre presente e mega especializada empresa de logística AGS
O turbo-hélice Kodiak, que hoje é vendido pela Daher. A fabricante terá ainda este ano um escritório em São Paulo, conforme antecipou à imprensa presente.
Uma parceria que deu muito certo: Aeromot e Diamond.
ACH 145 da Airbus/Helibras
Linha Piper, sempre presente também.
O sempre movimentado estande do Ricardo Beccari.
Labace também tem espaço para a cultura vintage.
Para combinar com os aviões da Cirrus, malas de viagem da griffe Cirrus!
Uma ideia que também deu muito certo: Cartões postais (sim, eles ainda existem!) com os modelos Textron representados pela TAM Aviação Executiva, carimbos de madeira e almofada para carimbo (também existem!) à disposição para todos que quisessem fazer um agrado aos amigos. Bastava usar a critividade na hora de carimbar, endereçar e colocar na caixinha de correio, e a TAM cuida de enviar.
Curioso, criativo, baixo custo, personalizado: Labace também é isso!
Parece que o Brigadeiro Nero Moura também gostou do show!