quarta-feira, 13 de junho de 2012

CAIXA PRETA # 82



13 de junho de 2012

CARISMA

Carisma: substantivo masculino. “Conjunto de habilidades e/ou poder de encantar, de seduzir, que faz com que um indivíduo desperte de imediato a aprovação e a simpatia das massas; Qualidade pessoal ou capacidade de despertar admiração, respeito, entusiasmo etc. e, com isso, de liderar, ter influência.”
Eu penso que faça falta, nas companhias aéreas brasileiras hoje, esse substantivo. Hoje, acabada a história de glórias da Varig, da Transbrasil e da Vasp, sentimos a verdade disso.
Conversando com o Juiz que administra o processo de falência da Viação Aérea São Paulo, ele comentou comigo como se surpreendeu diante de credores, funcionários da empresa, que ainda se sentem orgulhosos de terem pertencido a uma verdadeira família, não de Sousas, Silvas, Teixeiras, Limas etc, mas da família “Vaspeana”. Mesmo sendo credores e após cinco anos da falência decretada.
E a Varig, então? Deixou milhares de “viúvas” e “viúvos”, “órfãos” e “órfãs”, todos da família “Variguiana”, desde o dia daquele leilão que dividiu a Varig em duas, e ambas as partes sucumbiram (ou você acha que o nome Varig ainda estampado em alguns Boeings hoje é ainda a “VARIG”?).
E a Transbrasil? Considerada até hoje uma das companhias mais simpáticas do Brasil, com seu fundador e presidente tocando piano no aeroporto e pousando um B767 só por lazer como quem pousa uma flor em uma mesa? Sempre a menorzinha, com menor frota, participação no mercado, malha etc, e a mais jovem das três. Mas uma das mais queridas, sem dúvida!
Recentemente, levei a uma feirinha de colecionadores diversos objetos da Vasp, entre usados e não usados, para vender. Em menos de uma hora todos haviam sido vendidos, e praticamente sem os interessados discutirem o preço. Já os objetos que eu tinha levado de companhias “mais recentes”, pela terceira ou quarta edição da feirinha, permaneceram encalhados.
Com todo respeito pelas famílias que construíram as companhias aéreas brasileiras líderes hoje, não vejo nenhum de seus funcionários bater no peito com orgulho de ser da TAM ou da Gol ou tanto quanto orgulhosos eram os Variguianos, os Vaspeanos e os “Transbrasilianos” (se essa palavra não existe, o sentimento existia sim). Claro, hoje as regras são outras, a competição, os custos, as necessidades, e o romantismo na aviação acabou. Eu, que acompanho o setor há mais de 30 anos, sinto no ar como são diferentes os tripulantes, os aviões, o serviço de bordo, enfim, tudo, da aviação brasileira atual. Talvez seja apenas sinal dos tempos, quem sabe?

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SERÁ QUE A GENTE NÃO DEVERIA
OLHAR PARA OS NOSSOS AEROPORTOS ANTES?????

Fonte:

Brazil to fund Tamale International airport expansion project

6 June 2012

The Brazilian government has agreed to finance $173.2m for the expansion of Tamale International Airport in Ghana.
The modernisation of Tamale Airport, which is part of the Savannah Accelerated Development Authority (SADA) programme, will allow the it to gain international status and make it a major export hub for farm-produced goods and other products.
Following the discussions, Brazil's national EXIM bank BNDES will finance the project, while construction work will be carried out by Brazilian infrastructure development firm, Queiroz Galvao.
The firm has signed a memorandum of understanding with the Ghana Ministry of Transport and has finished the required designs and phasing for the project.
During the initial phase, Queiroz Galvao will expand the existing runway to handle large body aircrafts, which will take about a year to complete, and construct an international standard terminal facility, expected to take nearly two years to complete.
The next phase includes the provision of additional services, such as hangers, a maintenance area, catering and ground handling.
During the final stage, Queiroz Galvao will construct a cargo village for fresh fruit farmers in the Savanna regions, as well as the various processing companies in the area.
According to the government, the overall project is expected to be completed in four years. Following which, the airport is expected to increase its passenger handling capacity exponentially from the current limit of 1,500.
The Tamale International Airport, managed by the Ghana Airport (GACL), will repay the financing amount from its own operations.

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DOIS AVIÕES, MESMO VOO

Fonte: Novela “Insensato Coração” (2011)

O avião que pousou foi este: 


Mas os tripulantes e passageiros desembarcaram mesmo deste:  


Veja mais perto: 










Escolha o seu preferido!!!

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“NOSSAS PRINCIPAIS SEÇÕES”


DIRETAMENTE DOS NOSSOS “ARCHIVOS”

Anúncio da Panair do Brasil de 1946



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CAIXA PRETA DE SHAKESPEARE

Em alguns casos, ele apenas presta serviços para os operadores de aeroportos (...). Faz a interface com empresas de cathering, handling e combustível (...).
(fonte: Revista “2”, outubro de 2009 )

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NOSSA NADA MODESTA COLEÇÃO DE PÉROLAS VOADORAS

(Erros da imprensa que capturamos por aí. Vamos contar os pecados, mas vamos manter sigilo dos pecadores...)



A Pérola da imprensa especializada em setembro de 2009 (revista 2)

 

“A cabine de comando, repleta de relógios e instrumentos de voo, também tinha espaço para o engenheiro aeronáutico.”

A cabine, no caso, era do Concorde e, é claro, estavam se referindo a engenheiro de voo, pois “engenheiro aeronáutico” geralmente não compõe tripulação...



A Pérola da imprensa especializada em setembro de 2009 (revista 1)

“O Olckheed C-5B, o maior avião de transporte da USAF, pousa na pista de Wittman Field..”

Claro que o nome corretamente digitado é “Lockheed...”



A Pérola da imprensa especializada em fevereiro de 2011 (revista 2)

 

“Ainda não se sabe a causa do acidente e a caixa preta da aeronave também não foi encontrada.”

O acidente, no caso, foi com o Airbus A330 da Air France. Como há duas “caixas pretas” nos aviões, o FDR e o CVR, e nenhuma havia sido encontrada até então, o certo é que “as caixas pretas” não haviam sido encontradas.


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VALE A PENA LER DE NOVO

De CAIXA PRETA # 51 / 2006

Encontrei essa pérola em uma comunidade no Orkut:

“A causa do acidente, segundo a mídia

Acidente ocorrido com CITATION em Criciúma, Santa Catarina em 1995. Notícia publicada no DIÁRIO CATARINENSE fazia sensação em dizer que:
- " A provável causa do acidente foi porque o PLANO DE VÔO não foi encontrado entre os destroços da aeronave ". É de doer na alma...”

Sem comentários...


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Guerra de revistas usando uma arma de peso: o A380   

Revista “4”, edição de março de 2012: o repórter voou na classe executiva do avião; em abril, o mesmo repórter voou no avião de demonstração. Claro, em ambos, como passageiro.

Revista “2”, edição de abril: o repórter desta... pilotou o avião!...

O que falta vir por aí?

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ENQUANTO VOCÊ ESTAVA NA FIDAE 2012
OLHANDO PARA O CÉU...

                                                                                 
 ... acontecia, paralelamente à feira de Santiago do Chile, a conferência Wings of Change da IATA e o passageiro foi o foco principal de um dos fóruns.

                                                                  por Solange Galante

Após décadas de aperto, desde que a aviação perdeu o seu glamour e voar tornou-se mais acessível para todos, companhias aéreas e fabricantes de aeronaves passaram a se preocupar mais com o conforto de seus clientes finais. Afinal, hoje os passageiros procuram se informar mais, trocar idéias com outros viajantes e selecionam melhor avião e companhia para suas viagens. Atenta a isso, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), entidade que reúne mais de 240 companhias aéreas em todo o mundo, inseriu o tema Tecnologia e a Experiência do Passageiro na sétima conferência Wings of Change (Asas da Mudança) promovida pela Associação e realizada paralelamente à Feira Internacional do Ar e Espaço (FIDAE) 2012. A Wings of Change ocorreu durante três dias, com palestras de importantes executivos que discutiram a aviação comercial na América Latina e no Caribe. No penúltimo dia sentaram-se juntos no palco do salão de conferência da FIDAE Frederico Curado, diretor-presidente da Embraer, Rafael Alonso, vice-presidente para a América Latina e Caribe da Airbus, Randy Tinseth, vice-presidente de marketing de aviões comerciais da Boeing, Cyrille Bataller, diretor da Accenture (empresa global de consultoria para serviços de tecnologia e terceirização) e Norbert Steiger, vice-presidente regional de vendas e gerenciamento de relacionamentos para a América Latina e Caribe da SITA (empresa especializada em Tecnologia da Informação e comunicações em transportes). Sob a moderação de Margaret Gilligan, representante da Administração Federal de Aviação (FAA) norte-americana, os executivos apresentaram a solução de suas empresas para tornar mais agradável a experiência de voar de seus clientes finais.

Frederico Curado – que, infelizmente, teve que ir embora logo após o fim de sua própria palestra – apresentou o Fator PAX . PAX é “passageiro” no código “airimp”, usado em aviação e turismo. O “PAX Factor” apresentado pelo presidente da Embraer engloba um conjunto de ferramentas para entender e atender às preferências e necessidades dos viajantes. Com o poder de decisão nas mãos, os passageiros de hoje são mais informados e motivados para pagar mais por uma experiência de viagem melhor e não são passivos, muito menos indiferentes a ponto de aceitar o que as companhias aéreas lhe oferecem como única alternativa. Eles também trocam ideias com outras pessoas sobre suas experiências com as empresas. Curado citou depoimentos de CEOs da Flybe (Jim French) e da Virgin Blue (Brett Godfrey), respectivamente: “85% de nossos bilhetes são vendidos pelo site”; “Hoje é possível pesquisar sobre qualquer coisa online. Desde informações sobre destinos até sobre as companhias aéreas, assentos nos aviões e produtos específicos.”. Isso confirma que o passageiro pesquisa muito antes de selecionar a companhia aérea e o avião onde quer voar.
E o que está sendo feito para melhorar a experiência do passageiro? Curado apresentou o uso de melhores soluções para esterilizar e purificar o ar na cabine; melhora na conectividade; melhor conforto térmico em temperatura, umidade, velocidade do ar e radiação, além de diretrizes e conceitos de design para criar um controle de clima individual. A engenharia da fabricante brasileira desenvolve ferramentas para prever a percepção do passageiro quanto à vibração e acústica (ruídos) e evitar o desconforto dos ouvidos humanos e a fadiga diante da baixa pressão em altitude. Para tornar as cabines mais ergonômicas, são analisadas as fontes de desconforto em potencial e estabelecidas diretrizes para evitá-las e garantir o bem estar do passageiro ao mesmo tempo em que o uso de materiais naturais para a cabine atendem aos interesses ambientais. A experiência da família de E-Jets da Embraer teria trazido como lição que cortar custos é necessário mas isso é apenas parte de uma equação e que as companhias aéreas podem lucrar mesmo pensando no maior conforto do passageiro, podendo até mesmo garantir sua fidelidade ao utilizar aeronaves adequadas às suas escolhas.
Rafael Alonso, da Airbus, por sua vez, observou que os passageiros querem ter a bordo entretenimento e conectividade, alimentos e bebidas, como têm em terra, bem como espaço para tudo o que transporta consigo, além de um ambiente agradável para viajar. Isso tudo requer investimentos em tecnologia e entretenimento para todas as classes, iluminação adequada, janelas panorâmicas, mais espaço para o conforto pessoal de passageiros fisicamente maiores, carregando consigo computadores, crianças e seus acessórios etc. Segundo Rafael Alonso, mais até do que o pitch – a distância entre as poltronas – é a largura do assento que influencia muito a sensação de conforto do passageiro. Ele citou a tradição de conforto da Airbus quanto a isso desde os modelos pioneiros A300 e A310, com 24 polegadas a mais de cross-section que os concorrentes de então, até as 222 polegadas totais do A330 em largura de fuselagem. Ele destacou que o A320 é sete polegadas mais largo que a concorrência atual – leia-se, os Boeing 737 – e não deixou de lembrar que é da Airbus o avião que possui a cabine mais larga já construída: o A380.
Poe sua vez, Randy Tinseth, da Boeing, usou o novíssimo Dreamliner (Boeing 787) como exemplo do que sua empresa está fazendo pelos passageiros. As principais inovações são o uso de materiais compostos na estrutura; motores de nova geração e aerodinâmica avançada, além daquelas que os passageiros podem ver e sentir, como a altitude de cabine menor (seis mil pés), o que reduz queixas de dor de cabeça e fadiga, comuns nas altitudes de cabine mantidas normalmente em oito mil pés; ar mais limpo e purificado; melhorias no controle de temperatura, qualidade de som dos sistemas de entretenimento etc.
Em sua apresentação, Cyrille Bataller, da Accenture, lembrou que mesmo enfrentado gargalos na infraestrutura, a indústria aérea continua crescendo e o processamento operacional de passageiros em terra, após 100 anos de aviação, tem se tornado mais complexo e incômodo causando-lhes um impacto negativo. Nesse momento surgem novas tecnologias biométricas e de localização, como o sistema de reconhecimento de face usado no aeroporto de Heathrow, em Londres. Ele citou também o controle de passaporte “self-service” lançado naquela mesma semana no aeroporto Schiphol de Amsterdã, que também usa reconhecimento de face, e que beneficia passageiros da União Europeia e outros países daquele continente cujo passaporte possui chip. E Norbert Steiger, da SITA, apresentou um vídeo que praticamente resume tudo o que os demais palestrantes identificaram como características dos passageiros atuais, seus desejos e perspectivas.
É isso aí. Feira aeronáutica não vive só de avião subindo ou descendo ou aeronave posando para fotos no pátio sob sol escaldante...

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ATENÇÃO!

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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Plantão Caixa Preta

Vejam na edição de junho da Avião Revue minhas seguintes matérias:

*Entrevista com Alexander Zschocke - Gerente sênior de biocombustíveis da Lufthansa

(foto: divulgação Lufthansa)


*Lembra quando os voos domésticos brasileiros tinham classe executiva?

(foto: Solange Galante)



*A segunda edição da Airport Infra Expo realizada recentemente em São Paulo.

E

*O "pouso de emergência" do Aviodrome. Felizmente, sem vítimas!

(foto: Solange Galante)




sexta-feira, 1 de junho de 2012

Plantão Caixa Preta

Vejam na edição de maio da revista Flap Internacional minha reportagem sobre Carga Aérea.

(Foto: Afonso Delagassa)


terça-feira, 29 de maio de 2012

Plantão Caixa Preta

PASSAREDO APRESENTOU A NOVA ATR 72-600 À IMPRENSA E AUTORIDADES 

Texto (editado): Phábrica de Ideias - Assessoria de Imprensa
Fotos: Solange Galante 

29 de maio de 2012- A Passaredo Linhas Aéreas apresentou na manhã de hoje para autoridades, convidados e imprensa, sua primeira aeronave ATR 72-600.

Até 2015, 26 novas aeronaves ATR 72-600 e ATR 72-500 integrarão a frota da empresa, que objetiva com este investimento, se fortalecer na aviação regional brasileira.

Participaram da cerimônia o presidente da Passaredo Linhas Aéreas, comandante Felicio Filho, a prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera, além dos fundadores da empresa, sr. José Luiz Felicio e Marina Felicio.

Em seu pronunciamento, a prefeita fez questão de enfatizar a importância do desenvolvimento da empresa para a cidade- “A Passaredo é um orgulho para Ribeirão Preto, leva o nome de nossa cidade com qualidade e excelência para todo o país”- ressaltou Darcy.

“É preciso ousadia, conhecimento técnico e uma equipe competente para conquistar o mercado” – declarou o sr. José Luiz Felicio, em seu discurso emocionado.

Marina Felicio apresentou uma canção, de autoria do compositor Ricardo Gama, criada especialmente para a empresa e, juntamente com a família e a Prefeita, descerrou a cortina que cobria a nova aeronave.

Homenagem aos Pássaros

Todas as novas ATRs da Passaredo serão batizadas com nomes de pássaros brasileiros – “Uma homenagem da nossa empresa à fauna nacional e uma alusão ao nome Passaredo, que significa revoada de pássaros”- afirmou Comandante Felicio Filho, ao apresentar a nova ATR 72-600, batizada de Bem-Te-Vi. “Este pássaro, considerado o mais popular do Brasil, é conhecido por seu canto logo ao amanhecer”- explicou.

A nova aeronave entrará em operação no dia 11 de junho, ligando Ribeirão Preto a Guarulhos e Ribeirão Preto a Uberlândia “Essa nova frota operará em rotas do interior dos estados para as capitais e em rotas de menor alcance para a qual a aeronave ATR 72-600 se apresenta altamente adequada, oferecendo conforto ao passageiro com o menor custo/beneficio do mercado e menor impacto ambiental.”explicou Eduardo Busch – vice presidente executivo da Passaredo. 

PASSAREDO LINHAS AÉREAS

Com sede em Ribeirão Preto (300 Km ao norte de São Paulo), a Passaredo Linhas Aéreas iniciou suas operações em 1995. Atualmente, é considerada uma das principais empresas de aviação regional do país. Sua frota atual é composta por 14 jatos Embraer 145. A Passaredo opera atualmente 104 voos diários, chegando a 26 destinos no Brasil.



















quinta-feira, 24 de maio de 2012

CAIXA PRETA # 81 - ESPECIAL


Sexta-feira, 25 de maio de 2012

PROTESTO

A Esquadrilha da Fumaça completou 60 anos com uma bela festa onde, infelizmente, uma frente fria, não convidada, entrou de penetra e mandou água – o que, entretanto, não maculou a pela comemoração!
Muito mais bem organizada que os últimos Domingos Aéreos no PAMA-SP em que participei, tinha tanta lixeira pelos pátios e hangares que quem jogasse lixo no chão seria prontamente taxado de retardado... resultado: pelo menos no sábado, quando compareci, nada, absolutamente nada daqueles montes de lixo de mais de metro de altura que já vi no Campo de Marte ainda antes do fim da festa... Talvez o público fosse também mais educado que aquele que normalmente comparece aos Domingos Aéreos em Sampa...
Mas, um ponto negativo a ressaltar: fiquei muito chateada ao ver o PT-TRB, o T-6 de nosso inesquecível Braga, ao alcance das mãos e pés dos visitantes, sem uma cerca, sem soldados para cuidar dele, e, principalmente, sem um banner ou algo semelhante para explicar aos visitantes de quem era aquele avião. Ele estava lá exposto como um "cacareco" qualquer. Os aviões do Instituto Arruda Botelho, os da FAB, os das equipes visitantes, todos estavam devidamente preservados, mas não o do Braga, que merece todo nosso respeito, avião antigo, muito voado, extremamente histórico como é. Sou a biógrafa oficial do Cel. Braga, com a biografia dele prestes a ser lançada e não gostaria que o Cmte. Braga Júnior e demais familiares do grande fumaceiro vissem o quanto cutucaram o avião, pularam sobre a asa, mexeram nos flapes etc.
Lembrando que é a criança que se educa para conhecer seus heróis, respeitar o passado etc.

O EDA é o que é hoje em grande parte pelo RP que o Braga fez em todo o Brasil e, de retribuição, o EDA trata a memória e o avião do Braga do jeito que nós vimos neste final de semana.
Tô muito chateada... :(

Esta foto foi tirada no sábado, num raro momento sem pessoas subindo na asa do avião. Imagino o que pode ter acontecido no domingo... 

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* H O M E N A G E M   E S P E C I A L* 
Eu comecei a gostar de aviação, curiosamente, após ver no Jornal Nacional, então apresentado pelo Cid Moreira e Sérgio Chapelin, as informações sobre um gravíssimo acidente aéreo ocorrido nos Estados Unidos em uma sexta-feira, como hoje, 33 anos atrás. Este acidente ainda é hoje uma das maiores tragédias já ocorridas nos Estados Unidos.
Nesta Caixa Preta Especial eu narro como ocorreu o acidente e suas causas. Talvez mais curioso ainda tenha sido eu me apaixonar pelos aviões DC-10 mas só ter voado até hoje em apenas um, também de uma outra companhia aérea norte-americana, também um DC-10 série 10 e também após decolar de Chicago, mas rumo a outro destino naquele país.

O sacrifício dessas 273 vidas, a quem presto minha homenagem nesta data, foi o ponto de partida para meu interesse pela aviação.


“O DC-10 DE CHICAGO”

(COMO UM DOS MAIORES ACIDENTES DA HISTÓRIA DA AVIAÇÃO MUNDIAL COMEÇOU COM UMA FALHA NOS PROCEDIMENTOS DE MANUTENÇÃO)

         Vinte e cinco de maio de 1979. O tempo estava magnífico, a visibilidade era de 15 milhas mas ventos de superfície de nordeste (020 graus) com velocidade entre 19 e 22 nós e rajadas de 28 nós (35, 40 e 50 km/h, aproximadamente) predominavam na cidade de Chicago. Era uma sexta-feira e o final de semana seria prolongado pelo feriado do Memorial Day, na segunda-feira.
         Tendo vindo de Phoenix, Arizona, poucas horas antes, o DC-10-10 matrícula N110AA (aeronave com serial number 46510, entregue à companhia em 28 de fevereiro de 1972, com 19.871 horas de excelentes serviços prestados) realizaria o vôo 191 da American Airlines, das 15 horas, horário local, entre Chicago e Los Angeles, sem escalas e com quatro horas de duração. Subiram a bordo 258 passageiros, tendo esgotada a capacidade do jato e a tripulação era composta por 13 tripulantes, comandados pelo captain Walter H. Lux, de 53 anos (22 mil horas de vôo), que tinha a seu lado na cabine de comando o primeiro-oficial James Dillard, 49 (10 mil horas de vôo) e o engenheiro-de-vôo Alfred Udovich, 56 (15 mil horas).
         O aeroporto O'Hare já era, então, um dos mais movimentados do mundo. Em suas seis pistas realizavam-se dois pousos e duas decolagens por minuto. O DC-10 iniciou seu curto táxi às 14:59 h c.d.t. (central daylight time) e desceu os flaps em 10 graus. Seu peso máximo de decolagem seria de 172 toneladas (379 mil libras).  Os dois pilotos inseriram as velocidades de decolagem nos velocímetros: V1 (velocidade de decisão) de 139 KIAS (Knots Indicate Air Speed), VR (rotation) de 145 e V2 (velocidade de segurança na decolagem) de 153. O trijato foi autorizado para a posição 2 (ponto de espera) da pista 32 R, de mais de três quilômetros de extensão, e recebeu permissão para a decolagem pouco depois, às 15:02:38 h.
         Após uma corrida de decolagem de 1.830 m, o DC-10 iniciou a rotate. Nesse momento, o controlador no alto da torre de 61 m do O'Hare viu, horrorizado, todo o motor CF6-6D esquerdo e seu suporte (pilone ou barca) separarem-se da asa esquerda do jato e voarem por sobre ela, antes de se espatifarem na pista atrás do avião que já ganhava o ar.
         O controlador imediatamente procurou contatar o N110AA: "American 191, você não quer voltar? Nesse caso, que pista você quer?" Mas não houve resposta. A tripulação estava extremamente ocupada para poder responder e sequer teria tempo de recolher o trem de pouso.
         Michael Laughlin, aluno de pilotagem e fotógrafo amador, estava no terraço do O'Hare e registrava o movimento das grandes aeronaves. De repente, pareceu-lhe que uma delas, que acabara de decolar, apresentava problemas.
O fotógrafo mirou a câmera em sua direção. Fotografou o início de sua subida e, depois, registrou-a com as asas perpendiculares ao solo, numa inclinação de 90 graus! Fumaça branca (combustível vaporizado) saía da asa mais baixa, a esquerda. Sua foto seguinte foi de uma gigantesca bola de fogo e fumaça atrás dos prédios do aeroporto, resultante da explosão. Michael fizera algumas das únicas fotos do então maior acidente aéreo dos Estados Unidos. Outras duas foram tiradas por um passageiro a bordo de outro DC-10 em aproximação final para a pista 09R. Todas as cinco fotos seriam analisadas, na investigação.
         O N110AA, decolado cerca de trinta segundos antes, havia se desintegrado sobre um pequeno campo de pouso desativado, a apenas 90 metros do estacionamento de trailers de uma área de camping. Ele mal havia passado de 100 m de altura e voado a distância de 1.400 m a noroeste da pista de decolagem. Eram aproximadamente 15:04 h. Enquanto as equipes de resgate tentavam, em vão, resgatar sobreviventes do desastre em meio à alta temperatura no local da explosão (além dos ocupantes do jato, duas pessoas em terra morreram, sendo que apenas doze corpos estavam inteiros; outras duas pessoas feriram-se gravemente), as testemunhas confirmavam o que havia ocorrido: a turbina esquerda (motor n º 1) do trijato havia simplesmente caído da asa, junto com seu pilone e aproximadamente um metro do bordo de ataque da mesma asa, logo após a VR (rotation), velocidade de decolagem na qual o avião realiza o movimento de cabrar (ou seja, ergue o nariz) para adquirir sustentação. De qualquer maneira, todo avião é planejado para decolar bem mesmo perdendo um dos motores -- expressão normalmente usada para perda de potência, não literalmente de todo o motor, como no caso do vôo 191. Teoricamente, portanto, o N110AA e seus ocupantes poderiam ter sido salvos. Afinal, por que caiu?
         Um parafuso de três polegadas de diâmetro foi encontrado partido na pista de decolagem e logo apontado como o vilão da tragédia. Imediatamente a FAA (Federal Aviation Administration) requereu que toda a frota mundial de DC-10 tivesse inspecionados os quatro parafusos que, no pilone, suportam as cargas ocasionadas pelo empuxo do motor. Algumas empresas aéreas, inclusive, preferiram trocá-los; depois, foi requerida uma inspeção nos pilones. Após ambas, todos os DC-10 continuaram voando. Porém, em 30 de maio o administrador da FAA, Langhorne Bond proibiu o vôo de todos os DC-10 do mundo. Até então havia 275 aviões do tipo voando em serviço e a suspensão de vôo acarretou grandes problemas de tráfego aéreo e protestos de muitas companhias. O cancelamento dos certificados de aeronavegabilidade dos DC-10s nos EUA começou em 06.06.79 pela FAA (pg.178) e deu-se início às investigações, que reuniu não menos que cem pessoas. Testes em simuladores de vôo foram realizados utilizando-se dados do DFDR (Digital Flight Data Recorder) do N110AA. Algumas atitudes do avião foram propositadamente exageradas. O FDR registrou pela última vez empuxo do motor número um dois segundos antes da VLOFF (Velocity of Lift Off) e outros dados, como as posições de um dos lemes e um dos profundores, deixaram de ser registrados após a perda do motor. Ainda assim, foi possível perceber, pelos dados disponíveis, o quanto a tripulação técnica lutou para não perder a estabilidade da aeronave. Apesar do insistente uso de ailerons e lemes para a direita, o DC-10 havia rolado 112 graus para a esquerda, e apresentava um pitch negativo (para baixo) de 21 graus, ficando de dorso antes de atingir o solo. Quem pilotava o avião era o primeiro-oficial.
 Quanto ao CVR (Cockpit Voice Recorder), muito pouco de sua gravação foi aproveitado. Ele logo parou de funcionar, devido à perda da energia elétrica que o alimentava (proveniente somente do motor 1), mas registrou um desabafo anônimo no cockpit: "Damn!" ("Maldição!").      A perda do motor n º.1 e seu gerador acarretou também a perda de muitos instrumentos, como os de vôo do comandante.
 As características aerodinâmicas de um DC-10 sem o motor esquerdo e seu respectivo suporte foram analisadas em um túnel de vento na NASA (National Aeronautics and Space Administration). Concluiu-se que a velocidade de estol da asa esquerda havia aumentado por razões de assimetria. Essa assimetria deveu-se à avaria dos ductos hidráulicos durante a separação do motor e pilone e conseqüente perda de pressão hidráulica. Com isso, as cargas alares forçaram os slats externos (os localizados entre o motor e a ponta da asa) a se recolherem, o que provocou o estol da asa. Sua velocidade de estol  com uma inclinação para a esquerda de quatro graus foi estimada em 159 KIAS (em condições normais seria de 124), equivalente, naquele vôo, a V2 + 6 nós -- foi precisa e imediatamente abaixo dessa velocidade, 20 segundos após a VLOFF, que começou a rotação. Onze segundos depois, o N110AA foi de encontro ao solo.
A perda dos alarmes de estol e de assimetria de slats existentes somente na asa danificada não permitiu que a tripulação identificasse o problema a tempo de corrigi-lo, mesmo porque a asa não é visível do cockpit e, devido a isso, seguiu os procedimentos normais de pane durante a decolagem, que indicavam a utilização da V2 -- essa velocidade era precisamente seis nós abaixo da velocidade de estol da asa esquerda. A existência de alguma turbulência também camuflou qualquer vibração proveniente do estol, como a que haveria nos comandos do estabilizador esquerdo se o estol não estivesse restrito à parte externa da asa. A tripulação não ouviu qualquer alarme prevenindo-a de sua ocorrência e assim, ao desacelerar a aeronave até a V2, inadvertidamente levou a asa esquerda ao estol fatal.
         Os alarmes de estol foram ativados somente em alguns vôos simulados pós-acidente e os resultados foram variados. Mas todos os pilotos utilizados nos testes sabiam o perfil do DC-10 daquele vôo 191, ou seja, sabiam o que estava ocorrendo com o avião, a assimetria, as causas do rolamento etc e, principalmente, como se recuperar do estol, o que a tripulação real daquele fatídico vôo, completamente pêga de surpresa, desconhecia.

                                      FALHAS DE MANUTENÇÃO

Como era óbvio, nenhuma turbina desprende-se sem um bom motivo e as primeiras especulações eram de que tivesse engolido pássaros e explodido. A história já registrara um caso desses no aeroporto Kennedy, em Nova Iorque, em 1975, ocasião na qual um DC-10 teve a decolagem abortada e não houve sequer feridos.
Durante a paralisação após o acidente várias companhias, em todo o mundo, descobriram rachaduras, corrosão e parafusos soltos nos pilones dos motores de seus aviões. Eles eram vistoriados anualmente e a McDonnell Douglas passou a recomendar que fossem examinados a cada dez dias ou após 100 horas de vôo. Oficialmente, a Varig não detectou problemas nos seus DC-10-30 mas, por precaução, trocou todos os parafusos dos suportes de turbinas dos seus.
         Embora o principal suspeito foi inicialmente aquele parafuso, naturalmente, um encadeamento de falhas e fatores sempre precede todo acidente aéreo. Partes recuperadas do avião acidentado foram montadas para teste em outras aeronaves com fraturas semelhantes. Os testes foram realizados pela American Airlines, FAA, NTSB e McDonnell Douglas, em conjunto ou isoladamente. Peças específicas do suporte de motor foram submetidas a esforços diversos em vôo e/ou testes de laboratório. Descobriu-se, na verdade, que o que rompeu-se durante a rotation e provocou a queda do conjunto logo depois, foi a viga (bulkhead) traseira do suporte (pilone) esquerdo, distante seis pés da dianteira, devido a uma fratura de 13 polegadas (aproximadamente 33 cm) causada por pressão excessiva. A paralisação, que acarretou grandes prejuízos à todas as operadoras daquele tipo de aeronave, tanto da versão doméstica (como a série 10) quanto da intercontinental (série 30). (A Varig, por exemplo, utilizava os seus nas rotas para os Estados Unidos e Europa) mostrou-se muito oportuna. O mais importante  foi a descoberta de outros seis DC-10-10 com fraturas na estrutura dos pilones semelhantes a do N110AA. Destes DC-10s, quatro pertenciam à American Airlines e dois à Continental Airlines.
Investigando-se o passado de todas as aeronaves do tipo, descobriu-se que outras duas da Continental haviam tido fraturas semelhantes detectadas em dezembro de 1978 e fevereiro de 1979. Tendo sido devidamente reparadas após testes realizados pela fabricante, voltaram a voar sem problemas. A Mc Donnell Douglas emitiu em janeiro de 1979 um relatório de alerta indicando que o problema havia sido causado por procedimentos inadequados de manutenção, mas não relatou como a falha ocorreu. A fabricante não tinha autoridade para investigar e aprovar ou desaprovar as práticas de manutenção das operadoras e aceitou a avaliação feita pela própria Continental sobre como a fratura surgira. (Segundo testemunhas, o pessoal de engenharia e manutenção da American Airlines não estava informado quanto a esse relatório). Dois meses após o primeiro caso a Continental reportou uma fratura semelhante à anterior e ainda assim a fabricante não se preocupou em verificar por que isso continuava acontecendo. As duas aeronaves da Continental que haviam sido reparadas não tiveram seu caso informado à FAA ou melhor investigado. Enquanto isso, também um DC-10-10 da United Airlines apresentou problemas em outras partes do pilone do motor n º 3 (sob a asa direita). Particularmente, a tragédia do vôo 191  começou quando a proprietária da aeronave utilizou procedimentos não recomendados pela fabricante
Em 1977 American Airlines soube que a United utilizava um guindaste e retirava como uma peça única o motor e o pilone (ao invés dos dois separadamente, como recomendado pela Douglas) de seus DC-10-30. Contatou a fabricante, que disse desconhecer tais procedimentos mas forneceu o dado solicitado pela American: centro de gravidade do conjunto para sua retirada, Posteriormente, a empresa aérea calculou o centro de gravidade do conjunto dos DC-10-10, nos quais também passou a realizar os mesmos procedimentos, mas através do uso de uma empilhadeira com forquilha (forklift) cuja aprovação não foi solicitada ou requerida pela fabricante ou pela FAA e não realizada uma avaliação, antes e durante a execução, da precisão necessária ao equipamento para realizar a tarefa, as conseqüências de seu mal uso e o grau de dificuldade para a equipe que o operaria. A American Airlines avaliou somente a economia de 200 homens/hora por avião e a redução do número de desconexões (hidráulicas, de combustível, elétricas etc) de 79 para 27. Na maneira utilizada para retirar o conjunto motor-pilone, qualquer erro de cálculo nos movimentos da empilhadeira durante sua operação poderia impor uma carga de vinte mil libras na viga traseira. Testes concluíram que menos de oito mil libras poderiam já fraturar a borda da mesma viga.
Nas nove aeronaves com problemas semelhantes (incluindo o N110AA e excluindo o DC-10 da United que tivera problemas no pilone do motor 3), o procedimento de retirada do motor foi o mesmo (ele não foi retirado do pilone antes deste ser retirado da asa e na retirada do conjunto foi utilizado a empilhadeira ).
         Entre 29 e 31 de março de 1979 o N110AA tivera seus motores e pilones retirados para substituição dos mancais esféricos das vigas traseiras dos pilones. para cumprimento dos boletins de serviço números 54-48 e 54-59 do fabricante. A empresa costumava remover o pino de fixação da viga traseira do pilone antes de  remover os encaixes da dianteira e, sendo estes removidos, a borda superior da viga traseira poderia tocar a peça em forma de U, sob a asa, na qual é fixada a viga traseira, sendo pressionada. Testemunhas disseram que a empilhadeira ficou sem funcionar durante algum tempo, durante a operação, por falta de combustível. Testes realizados com tais equipamentos durante as investigações mostraram que, nessas condições, devido ao escoamento de fluido hidráulico, a empilhadeira pode ter seu centro de gravidade movido em 0,4 polegada -- suficiente para produzir uma fratura de sete polegadas na borda da viga do pilone. Nos dois casos semelhantes ocorridos com DC-10s da Continental a fratura foi ouvida pelo pessoal de manutenção. Nos demais casos, provavelmente algum ruído ambiente camuflou o som produzido por ela.       Uma vez reinstalado na asa, o pilone não voltou a ser examinado.

                                      AS LIÇÕES DA TRAGÉDIA

         O NTSB determinou que a causa do acidente foi uma combinação de três eventos:1) o estol assimétrico e o resultante rolamento da aeronave devido à retração de seus slats externos da asa esquerda; 2) a perda dos alarmes de estol e 3) do alarme de assimetria de slats existentes na mesma, tudo isso provocado pela separação do pilone e turbina esquerdas durante a fase crítica de decolagem, separação esta resultante de procedimentos impróprios de manutenção que permitiram a existência de uma falha na estrutura da pilone. Cada um desses eventos isoladamente e não numa fase critica como a decolagem não causaria a perda de controle. Causas contribuintes: vulnerabilidade das fixações do pilone às avarias de manutenção; vulnerabilidade do sistema de slats às avarias causadoras de assimetria; deficiências da FAA em detectar e prevenir o uso de procedimentos de manutenção indevidos; deficiências nas práticas e comunicações entre os operadores, o fabricante e a FAA, que também falhou em não disseminar recomendações de segurança quanto a incidentes causadores de falhas durante a manutenção; e a inadequação dos procedimentos operacionais relativos a esse tipo particular de emergência. A separação estrutural do pilone resultou da falência da borda dianteira da viga traseira cuja resistência foi criticamente reduzida por uma fratura induzida por manutenção e foi aumentada por sobrecargas de serviço.
         Segundo o NTSB, a McDonnel Douglas deveria ter previsto a vulnerabilidade, durante a manutenção, de partes do pilone. Concluiu-se também que o desenho básico da fixação traseira do pilone à asa era desnecessariamente vulnerável a avarias durante a manutenção. O DC-10 foi certificado de pleno acordo com as regras em vigor na época. Suas características aerodinâmicas, por exemplo, não requeriam dispositivos que impedissem o recolhimento indesejado dos slats em vôo, mas sempre era considerada a disponibilidade de todos os motores funcionando. As regras também não cobravam da fabricante uma análise do efeito sobre os sistemas da aeronave de falhas consideradas extremamente improváveis, como a quebra de uma asa, estabilizador horizontal ou perda de um motor e seu pilone, pois são estruturas cuja resistência excede as cargas suportadas pelo avião ao longo de toda sua vida útil.
         Este artigo foi redigido utilizando basicamente dados do relatório final do NTSB publicado em 21 de dezembro de 1979 (menos de sete meses após o acidente) e também informações da imprensa da época. Não tem o objetivo de difamar as empresas envolvidas no caso, mas apenas mostrar o quanto a segurança de vôo depende de mínimos detalhes e que, felizmente, ela melhora muito graças ao que aprendemos com cada acidente.

Foto: flagrante do spotter Michaël Laughlin, fotógrafo de Toronto, publicada na revista Manchete


Observação:
O texto acima foi publicado originalmente pela autora no Jornal ATR News da Associação de Tripulantes da Rio-Sul (linha aérea).
Qualquer outra publicação é ILEGAL por não ter sido autorizada previamente pela autora.

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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Plantão Caixa Preta

Quando  eu cito, no final de minhas postagens mensais, a Lei de Direito Autoral, eu quero realmente mostrar que essa Lei existe e surte efeito.
Recentemente fui beneficiada por uma vitória, mesmo tendo se passado uma década. Contra a lentidão da Justiça, pouco podemos fazer. Mas devemos exigir sim nossos direitos.
O texto abaixo foi baseado no redigido e divulgado à imprensa pela APIJOR (www.autor.org.br), aqui editado apenas para preservar nomes e não revelar valores, mas dá uma clara noção de como ocorreu o processo. Observo apenas que a empresa ré teve seu principal diretor entrevistado e fotografado por mim para uma reportagem em revista de aviação, e fez isso de muito bom grado, pois estava divulgando sua escola gratuitamente. O tal diretor gostou tanto da minha reportagem que o incluía que colocou parte do material em seu site, no ano seguinte, mas sem pedir permissão e sem identificar a autora do texto e foto. E quando descobri isso e fui pedir uma indenização bem simbólica diante do que ele tinha feito de errado, além de ter me negado, procurou me intimidar (era eu contra ele, a esposa e dois advogados, lá em sua empresa) e alegou que eu havia me aproveitado de sua grande experiência na área na matéria. Bem, busquei meus direitos e ele poderia ter dormido sem essa: o valor a me pagar foi MUITO maior...


                               A jornalista Solange Galante, jornalista de São Paulo, entrou com ação judicial em 2002 contra a empresa XXXXX (uma Escola de Aviação) por ter utilizado no seu site institucional fotografia e texto de sua autoria sem autorização e crédito autoral. A ação foi julgada improcedente pelo Juiz da 2ª Vara Cível do Foro de Santana, Capital, por entender que não havia violação aos direitos autorais da jornalista porque seu texto e fotografia eram de matéria jornalística sobre a própria escola . Mas, anos depois, a 1ª Câmara do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por unanimidade de votos, acolheu o recurso de Apelação da jornalista, com a fundamentação do Desembargador Relator Paulo Eduardo Razuk, dizendo que a matéria jornalística encontra proteção na Lei de Direitos Autorais, determinando o pagamento da indenização moral e patrimonial, no valor total de R$ XXXXX. Com juros e correção monetária, a execução foi iniciada em R$ XXXXX (quase três vezes mais que o valor acima), e o réu fez acordo para o pagamento da dívida parceladamente, o que acabou de cumprir neste mês.

Recado dado: RESPEITE O DIREITO AUTORAL que, aliás, não é só de jornalistas, mas de todo e qualquer autor.