quarta-feira, 28 de novembro de 2018

PÉROLAS VOADORAS!

FAKE NEW DO ESPÍRITO SANTO

Nosso leitor Calebe Murilo nos autorizou a compartilhar seu post no Facebook na semana passada, conforme segue:



Calebe Murilo tem toda razão. Informações erradas podem causar má interpretação e assim chegar às autoridades aeronáuticas. Em alguns casos, as reportagens podem ser usadas em processos judiciais.

A notícia completa está abaixo (o link é visível na primeira foto)

 
 


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Diretamente dos nossos "Archivos"

UM JORNALISTA PICADO PELO VÍRUS DA AVIAÇÃO DESDE TENRA IDADE

(por Solange Galante)



Este é o depoimento da mãe de um garoto de três anos de idade, que já gostava (muito) de avião, conhecia vários modelos de aeronaves e queria ser aviador.

Esse menino cresceu, tirou brevê, mas abraçou mesmo a carreira de jornalista, com excelência.

Roberto Pereira de Andrade nos deixou em 29 de agosto de 2015. Ele foi, sem dúvida, o maior especialista em indústria aeronáutica brasileira, com vários livros sobre o tema, constantemente atualizados, em inglês e em português. Falava oito idiomas, inclusive, português arcaico. Escrevia em inglês, francês, italiano, alemão e espanhol, além do português corretíssimo.

Esta foto de autoria de Márcio Jumpei era a predileta de Roberto Pereira de Andrade. Reprodução do site http://www.defesaaereanaval.com.br 

Eu o conheci quando fui indicada pelo piloto, empresário e então articulista de aviação Décio Corrêa para escrever para a revista Aero Magazine, onde Roberto era, então, editor chefe. A matéria "Mulheres na Cabine de Comando", publicada em junho de 1996 e Prêmio Santos Dumont (Categoria Aviação Comercial) naquele ano foi a primeira oportunidade de exibição profissional de meu talento. Roberto me apelidou de "Gioconda" (ele próprio não sabia o porquê) ou me chamava de "broto". Seu jeitão era meio rude, mas o conhecimento que ele passava era imenso. Aliás, transbordava conhecimento. E, mesmo que não fosse querido por alguns – mais do que normal – era muito respeitado por todos do meio.

Roberto Pereira com Ozíres Silva, então presidente da Embraer.
Foto: coleção de Roberto Pereira, sem identificação do autor.

Nascido no Rio de Janeiro em 1940, Roberto residia em São Paulo há 48 anos. Formado em Jornalismo e História, exercia sua profissão há 52 anos. Seu primeiro livro, "História da Construção Aeronáutica no Brasil", tornou-se referência para os pesquisadores e apaixonados pela aviação. Trata-se de um registro histórico extremamente importante e completo. Publicou ao todo mais de uma dúzia livros, entre eles: "A Caça ao Corneta Halley", "Chernobyl, Ameaça Nuclear", "Vickings, os Senhores do Mar", "Confidencial", "Foguetes e Mísseis", "Carros de Combate", "Veículos Militares Brasileiros", "Os Russos no Espaço", "Grandes Enigmas da Humanidade", "História da Construção Aeronáutica no Brasil" (quatro edições), "Enciclopédia de Aviões Brasileiros", "Aircrall Building-A Brazilian Heritage" (ern inglês), "Construção Aeronáutica no Brasil-100 Anos de História".

Trabalhou nos veículos: Jornal do Brasil, Manchete, Fatos e Fotos, Folha de S. Paulo, Boletim Cambial, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Tribuna da Magistratura, Rádio Gazeta, TV Cultura, TV Bandeirantes, revista Magnum, revista Bandeirante.Fez parte das equipes de criação do Jornal da Tarde e da Veja. Foi Diretor de Imprensa e Relações Públicas da TAM Regional. Foi editor das revistas nacionais Brasil Defesa, Defesa Latina, Flap Internacional, Aviação em Revista, boletim da Helibras, boletim da TAM, Aero Magazine.




Foram mais de 30 outros artigos publicados em revistas estrangeiras como Aviation Magazine, Interavia, Panorama Difesa, Jane's All the World Aircraft, JP4. Por ocasião de seu falecimento era editor do site de negócios Aerobusiness e colunista e articulista da revista Avião Revue.

Um dos últimos artigos de Roberto Pereira na Avião Revue, em dezembro de 2014.

O acervo em livros, fitas de vídeo, documentos e fotos raras de Roberto Pereira de Andrade está com a jornalista também especializada em aviação Maria Lucchiari Nunes, que trabalhava com ele desde 1988. Hoje ela detém os direitos de produção de seus livros e título de site (Aerobusiness) e ainda possui exemplares do livro "Aircrall Building-A Brazilian Heritage" (ern inglês) para vender.




sábado, 10 de novembro de 2018

COMIDA DE AVIÃO

VOANDO DE VIRACOPOS PARA LISBOA

No último dia 6 de novembro nosso colaborador Afonso Delagassa voou no PR-AIT (Airbus A330) da Azul Linhas aéreas (voo 8250) na classe econômica.

(Foto: Afonso Delagassa )

"Carne cortadinha com polenta ou macarrão com molho.
Salada, pão, manteiga, molho da salada e um doce de leite."

Segundo ele, esqueceram de servir bebidas, ele foi buscar um vinho pessoalmente na galley.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Livros de Aviação



“LIVROS DE AVIAÇÃO”

Vamos além de uma simples resenha. Apresentamos livros e indicamos onde podem ser conseguidos!



O BOEING 707 E SUA OPERAÇÃO NO BRASIL
Marcelo Magalhães



Resultado de mais de oito anos de extensas pesquisas do autor junto à arquivos particulares, sítios da internet, bibliotecas, hemerotecas e contando com a colaboração de inúmeros entusiastas, fotógrafos e pesquisadores de renome, tanto nacionais como estrangeiros – além de tripulantes que voaram a aeronave –, "O Boeing 707 e sua Operação no Brasil" cobre os mais de 50 anos de atividades do clássico jato no país. 

Capítulos dedicados à cada um dos operadores brasileiros do 707, mais de 450 fotografias – muitas delas inéditas ou nunca antes publicadas em livros –, 37 ilustrações comissionadas especialmente ao artista norte americano Jennings Heilig, depoimentos dos protagonistas da história da aeronave no Brasil; certamente a presente obra permanecerá como fonte de consulta e referência sobre o tema. (texto do autor)


Em português; repleto de ilustrações e fotos
2018 (1a. edição)
292 páginas
30 cm X 24 cm
Brochura
Capa dura


Onde pode ser adquirido?

Contatando diretamente o autor:

Valor: R$ 110,00 (mais custos de envio) 

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Plantão Caixa Preta

FALHA DE MANUTENÇÃO CAUSOU O ACIDENTE COM O D-ALCM EM 2016.


(foto: Seba Borsero)



No dia 10 de novembro de 2016, há quase dois anos, o MD-11F da Lufthansa Cargo D-ALCM (Buongiorno Italy), com dois pilotos a bordo, que fazia o voo LH8273 de Curitiba (PR, Brasil, Aeroporto Afonso Pena) para Buenos Aires (Argentina, Aeroporto Ezeiza), ao aterrissar, teve sua roda esquerda do trem de pouso dianteiro separada da perna do conjunto e arremessada contra a fuselagem do próprio avião, avariando-o.

Inicialmente, pensou-se que havia ocorrido a explosão de um dos pneus mas os spotters locais publicaram fotos da falta da roda da aeronave. A JIAAC (Junta de Investigación de Accidentes de Aviación Civil), autoridade local, foi a responsável pela investigação, com a qual a Alemanha colaborou.
O relatório final foi publicado pela autoridade de segurança aérea argentina no último dia 31 de outubro de 2018. Embora contrariando o Anexo 13 da ICAO por ter sido divulgado, ao menos por enquanto, apenas em espanhol – o que limita e dificulta a prevenção global da repetição das causas do incidente, classificado como “acidente” pelos argentinos –  as conclusões foram as seguintes:
- falta de trava de segurança no espaçador da roda
- falta de supervisão e controle de qualidade na escala de Dakar (o voo era Frankfurt-Dakar-Viracopos-Curitiba-Buenos Aires).
Segundo divulgou o boletim do site The Aviation Herald (AvHerald), a roda só foi encontrada após dez dias desde o acidente – a aeronave, aliás, permaneceu por algumas semanas em manutenção em Buenos Aires, antes de ser transferida também para manutenção para os Estados Unidos (Victorville / California), só voltando aos voos regulares meses depois.
O AvHerald prossegue informando que  “A investigação relatou que a roda do nariz esquerdo foi substituída durante uma escala em Dakar (Senegal). A Lufthansa realizou a troca de rodas e verificou o funcionamento correto da roda.”
O JIAAC analisou que nem o pessoal de manutenção nem a tripulação podiam detectar que faltava o mecanismo de bloqueio,  que deveria manter fixo e impedir que o espaçador e o conjunto se desenroscassem. A separação da roda, portanto, foi causada por uma tarefa de manutenção deficiente.
Observo que eu comentei o caso na Caixa Preta em janeiro de 2017 e, a princípio, acreditei que pudesse ter sido uma explosão de pneu por corte provocado por FOD – à semelhança do acidente com o Concorde na França, em 2000 – mas essa versão preliminar logo foi enfraquecendo, após comentários de especialistas em pneus aeronáuticos. Enfim, a  aeronave voltou ao voo está na ativa até hoje.


Veja outras fotos quanto ao relatório final diretamente no site:

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

MATÉRIA ESPECIAL


O JOVEM ENTUSIASTA

APAIXONADO POR JATÕES ANTIGOS

(por Solange Galante)

(Foto: coleção de Calebe Murilo)



Todo mundo sabe que estamos na era digital. Na aviação, isso implica em facilidades como reservas e check-in pelo smartphone e telas (e não  mais “reloginhos”) no painel dos aviões de todos os tamanhos, só para citar dois exemplos.
O século XXI, infelizmente, foi inaugurado com pavorosos atentados terroristas utilizando uma nova “arma” de destruição em massa: o avião comercial. Ou seja, em determinado momento, “mísseis” passaram a ser aeronaves repletas de passageiros atiradas contra locais repletos de pessoas, ceifando a vida desses inocentes em nome de causas políticas e/ou religiosas. E o que tem de mais perigoso nessa constatação? Que os terroristas supostamente teriam aprendido a voar Boeings a partir de modernos simuladores de voo, domésticos ou não. É a tecnologia digital e a insegurança urbana em cheque.
No meio desse caldeirão, muita coisa se perdeu. Em todo o mundo, como também em países como o Brasil, agravou-se o processo de perda do romantismo da aviação comercial. O que isso quer dizer? Os fundadores/presidentes/CEOSs das principais companhias aéreas deixaram de ser aqueles apaixonados aviadores de antigamente, que verdadeiramente amavam o que faziam; bem como praticamente deixaram de existir aqueles homens (antigamente, só homens mesmo) bons de pé e mão que pilotavam aeronaves sem o auxílio de computadores como os que conhecemos hoje, e que hoje seguem rotas definidas por satélites e por tecnologia de ponta; também hoje estão cada vez mais escassos os locais em aeroportos onde pais podem levar filhos para verem aviões “subindo e descendo” para que o amor à aviação brote em seus coraçõezinhos – e não é qualquer criança que tem acesso aos bons e velhos aeroclubes e campos de aviação do interior.
Apresentar a aviação aos jovens não tem o objetivo apenas de evitar que tenham medo de voar ou mesmo de chegar perto de um avião mas, quem sabe, que sigam uma carreira aeronáutica, tenham uma opção a mais para escolher no futuro. A aviação, em geral, é uma das atividades humanas com o menor lucro, pois é necessário muito investimento para que qualquer aeronave decole, e a maior parte desse investimento paga a segurança, seja por meio de muito treinamento a seus funcionários, seja pela tecnologia empregada na infraestrutura ao longo de todo o processo que culminará no voo. A aviação também é daquelas atividades onde o ser humano mais é exigido em matéria de saúde, seja física, mental ou social, pois o corpo sofre, a cabeça pode pirar e o convívio com outras pessoas é mais difícil pela falta de horários. Conheci dezenas de pessoas da aviação que ficaram muito doentes, adquiriram problemas psicológicos ou psiquiátricos, tiveram que se separar de cônjuges que não entenderam sua rotina de trabalho. Junte-se a isso os mais diferentes níveis de pressão profissional, desde o patrão que manda o piloto seguir viagem mesmo em condições desfavoráveis até os colegas que puxam o tapete do colega, pois a aviação envolve sempre muita grana, muito status, muita vaidade e orgulho. Por isso, quem insiste em seguir carreira na aviação de maneira honesta e até sacrificada é um vitorioso, um guerreiro, e teima em voar ou fazer os outros voarem porque realmente gosta do que faz. Ou melhor, não apenas “gosta” mas AMA mesmo, jamais pense que é uma paixãozinha de verão.


Eu e Calebe no evento Aeroin na Base Aérea de SP (2016) (Foto: coleção de Calebe Murilo)

Nesse contexto, vim a conhecer o adolescente que destaco neste texto. O capixaba Calebe Murilo cedo conquistou o carinho dos “spotters”, os entusiastas que apreciam ver e/ou fotografar aviões em aeroportos. Ele também direciona sua paixão à página TMA Vitória, que criou em 30 de novembro de 2013 no Facebook e no Instagram: www.facebook.com/tmavitoria   e www.instagram.com/tmavix/


Calebe, ainda criança, com o pai.  (Foto: coleção de Calebe Murilo)


O pai de Calebe foi aeroviário de algumas empresas aéreas (Transbrasil, Gol e Azul). Calebe nasceu bem depois do fim da Transbrasil e bem depois do 11 de setembro de 2001, a trágica data dos atentados nos Estados Unidos, e já sob a Era Gol, a low costs mais antiga e uma das mais bem sucedidas do Brasil. O incentivo do pai, apaixonado pelo que fazia, foi inevitável. Em apoio a essa “infecção” pelo vírus aeronáutico, o pai o levava ao Aeroporto Eurico de Aguiar Salles (também conhecido como Aeroporto de Goiabeiras), de Vitória, para ver grandes aeronaves bem de perto, e foi aí que Calebe, além dos aviões da Gol, que foram os primeiros que conheceu, também podia ver os ATR da extinta companhia aérea TRIP (fundida com a Azul). E foi justamente no pátio do Aeroporto de Vitória que Calebe conheceu a Total Linhas Aéreas e seu carro-chefe: o Boeing 727-200F, ou melhor, sua paixão à primeira vista!
Ainda com 3 ou 4 anos de idade, Calebe telefonava para seu pai no aeroporto, quando ele trabalhava à noite, para saber se o tal “avião de três turbinas” estava lá – podia ser qualquer um dos Boeing 727-200F da Total. Aviões fabricados no final da distante década de 1970 e início da de 1980, com painel analógico (repleto de “reloginhos”), motores muito barulhentos (apesar das medidas para redução do ruído), sendo três motores, aliás, o que hoje em dia não se vê mais em grandes aviões de passageiros, além de um terceiro tripulante na cabine de comando, o engenheiro ou mecânico de voo, que é praticamente o “computador” do Boeing 727, como o eram também nos Boeing 707, nos DC-10 e versões mais antigas do Boeing 747.
Por volta de 2008 a Total deixou de voar para Vitória. As empresas que operam para os Correios, como ela, cumprem contratos e, provavelmente, o da Total havia sido encerrado naquela temporada.
Cabele continuava ouvindo as histórias da aviação que seu pai lhe contava e, com 8 anos, sentiu que começava a despertar de vez para a aviação, que passou a amar. “Esperto para o assunto eu fiquei de 2011 em diante!”, ele lembra. Logo, o jovem capixaba já se tornava também “spotter”, registrando as imagens dos aviões lá em Vitória.
A Total voltaria para a capital do Espírito Santo em 2015. Calebe conta que, nessa ocasião, o despachante da Total, que era ex-colega de Transbrasil de seu pai, avisou que o 727 regressaria. Calebe quis ir ver o avião no primeiro dia do voo e foi lá. Era, então, mais fácil acessar o pátio antes da Infraero mudar o atendimento para o novo terminal e pátio do aeroporto (era menos restrito). Ele e um amigo iam visitar constantemente os Boeing 727-200F, e o primeiro foi o PR-TTO. Depois, visitaram também o PR-TTW e o PR-TTP. Até então, Calebe nunca tinha entrado numa cabine toda analógica. Antes tinha voado nos aviões Embraer ou ATR da Azul, ou em Boeing 737-700, 800 e 300 da Gol). Mas quem havia mesmo conquistado o coração de Calebe em suas visitas foi mesmo o cargueiro com três motores, e o garoto sempre foi muito bem recebido pelos funcionários da Total.


                        Essa paixão só crescia, junto com o garoto... (Foto: coleção de Calebe Murilo)



O pai de Calebe trabalhou na Azul Linhas Aéreas até 2012 e, recentemente (de abril de 2017 até agosto de 2018) o filho teve a oportunidade de também trabalhar para a empresa no programa Jovem Aprendiz. “Eu trabalhava no atendimento (check in, ajudando no atendimento do totem), e, quando a empresa mudou para o novo espaço do terminal de passageiros, cuidava dos vouchers de alimentação, transporte e hospedagem dados aos passageiros em caso de contingência, cancelamento, atrasos.” Calebe trabalhava durante quatro horas por dia, remuneradamente, inclusive com tíquete refeição. Para viajar, pagava só taxa de embarque, então, aproveitou para ir para Manaus, Campinas, Fortaleza, Recife, Bauru, Congonhas, Guarulhos, Confins, Santos Dumont, Goiânia, etc. Algumas vezes, com pernoites, na maioria, bate e volta. Ficou um ano e quatro meses como Jovem Aprendiz.
Calebe está sempre pesquisando na internet sobre assuntos da aviação. “Sempre estou pesquisando história para saber um pouco mais do que aconteceu no passado da aviação e como ela se tornou o que ela é hoje.”
Ele pesquisa inclusive a aviação de décadas antes dele nascer, onde trijatos como os da Total reinavam na aviação de passageiros também. E foi assim que o amor de Calebe pelo Boeing 727 despontou de vez e de tal forma que não bastava mais estar perto do avião, entrar na cabine dele, acompanhar o carregamento e descarregamento da carga – os produtos de correio aéreo – , conversar com os tripulantes, posar para selfies etc. Sabendo que a qualquer momento aquele modelo de Boeing poderia ser retirado de operação por não ser mais tão econômico e moderno, Calebe ficou com sua vontade de voar em um deles cada vez maior, e crescendo cada vez mais.

A REALIZAÇÃO DO SONHO


Como jornalista, eu já realizara duas viagens completas (ida e volta) em dois dos três 727 disponíveis da Total, e Calebe sabia disso. Desabafando seu desejo nas redes sociais, chamou a atenção da atenta diretoria da Total e, com autorização da alta cúpula da empresa aérea e, é claro, autorização paterna também, chegou a hora de Calebe ver tornar-se realidade o seu sonho!


Testemunhe o rosto de um adolescente feliz... (Foto: Solange Galante)

Na noite do dia 10 de outubro o adolescente pode, enfim, voar no PT-TTW para Guarulhos e, depois, regressar a Vitória no PR-TTO. O 727 é um dos jatos com as asas mais limpas (aerodinamicamente) da aviação comercial, desde seus tempos áureos até hoje, e esse Boeing desliza feito uma verdadeira flecha pelo céu. Fui convidada para documentar a emoção do jovem que, ainda assim, não se descuidou dos estudos: após chegar do voo, foi para casa, tomou um banho e correu para realizar uma prova de Língua Portuguesa na escola! (disse que foi bem na prova, e eu acredito nele!).


Calebe, o Cmte. Marcelo Steenhager, a first officer Gisele Leal e o Flight Engineer Patrício em Guarulhos: missão cumprida (mas ainda tinha a volta, é claro) (Foto: Solange Galante)

Dias depois, ele me confessou que já tinha perdido as esperanças de voar no 727, pois só existe um deles voando comercialmente com passageiros no mundo, e no Irã! (Até isso ele descobriu pesquisando!)


Na chegada a Guarulhos, pela primeira vez Calebe viu os três Boeing 727-200F da Total juntos. (Foto: Calebe Murilo)

A Total é, hoje, a companhia aérea regular mais antiga do país, embora cargueira e contando com apenas alguns voos fretados para passageiros (utilizando turboélices ATR). Considerando que a Passaredo, a MAP, a Gol, a Azul e a Avianca são mais jovens que ela, e que a TAM hoje não é mais TAM, transformou-se em Latam após a fusão com a chilena Lan, e já são extintas Vasp, Varig e Transbrasil, a Total Linhas Aéreas, fundada em 1988 como Total Aerotáxi, tem, atualmente, sede em Belo Horizonte e pertence, desde 1994, ao Grupo Sulista, paranaense. No início de 2008, ela passou a deter parte do capital societário da TRIP Linhas Aéreas, transferindo a esta seu ativo referente à linha regular de passageiros. Os voos da Rede Postal Noturna da Total são, hoje nas linhas entre Guarulhos e Porto Alegre, Guarulhos, Curitiba e Florianópolis, e entre Vitória, Guarulhos e Galeão


Na chegada a Vitória, a despedida do PR-TTO que o levou para casa.
(Foto: Calebe Murilo)

Horas antes do voo entre Vitória e Guarulhos, de onde retornaria para casa, Calebe me apresentou o Sr. Alfredo que, a partir de uma troca de e-mails comigo, havia decidido presentear o jovem com um livro contando a história do Aeroclube do Espírito Santo, onde foi instrutor durante muitas décadas e hoje preside o Conselho. Também ofereceu a Calebe o curso teórico de piloto na mesma instituição, basta Calebe completar 17 anos (falta pouco) para poder assistir às aulas. “Vamos também ajudá-lo no que for possível, considerando se tratar de pessoa humilde, mas com muita vontade de prosseguir na aviação; digo isso porque eles – Calebe e seu amigo João Victor – já estão dentro dela: descobri que são dois ‘ratos de hangar’, já muito conhecidos do nosso pessoal de voo, aliás, o pai do Calebe foi aluno da nossa primeira turma de comissários de voo, lá pelo final da década de 90. Assim sendo, acho que não falta mais nada para os dois concretizarem o sonho de voar.” O sr. Alfredo nos convidou para um voo panorâmico em um dos Cessna Skyhawk do Aeroclube do Espírito Santo.

Após o voo no Cessna: Calebe cada vez mais próximo da aviação.
(Foto: coleção de Solange Galante)

Portanto... Mais emoções aguardam Calebe em sua inevitável trajetória na aviação, com todo esse amor que ele nutre especialmente pelos aviões clássicos com os quais ele pouco convive mas se dedica bastante. Cumpro minha parte de ajudar a direcioná-lo, aconselhando-o a não ficar só no infeliz imediatismo dos Instagram e Facebook, onde muitos “spotters”, especialmente os mais jovens, contentam-se apenas em ter suas fotos curtidas ao máximo... e só! Pois a aviação do futuro não se faz assim! Faz-se cultivando sua história, aprendendo a todo momento cada vez mais sobre a arte e a técnica do voo, compartilhando não apenas imagens mas experiências e preservando-a por meio de coleções diversas, para a troca de conhecimento não deixar o passado e o presente se perderem, e construírem o futuro, para que novas gerações continuem amando o voo.
Durante nossa entrevista, João Victor, grande amigo de Calebe, contribuiu fazendo a seguinte pergunta ao nosso personagem: “Onde você se vê na aviação daqui a cinco anos?” Calebe respondeu “Eu me vejo um agente de aeroporto.” Assim, ele demonstrou estar com os pés bem no chão e sabendo que poderá ser feliz mesmo se puder ser aeroviário e não seguir carreira como piloto, o que ele decidirá no futuro.
Espero que o jovem Calebe, que sabe olhar a essência da aviação, jamais perca essa característica e ajude a construir os alicerces da futura grande aviação brasileira. Pois os alicerces também vêm do passado e são cimentados no presente.


Final feliz? Nada... está apenas começando essa história!!! (Foto: Calebe Murilo)

sábado, 6 de outubro de 2018

PÉROLAS VOADORAS!

O ENGENHEIRO QUE ERA MUITO MAIS VELHO
 DO QUE PENSÁVAMOS...


(Foto: divulgação da AEITA - Associação dos Engenheiros do ITA)

"Nascido no distrito de Guaianás, o engenheiro aeronáutico Michel Cury participou dos primeiros passos dessa atividade no Brasil,tendo inclusive participado na fabricação do primeiro avião da Embraer, o Bandeirante. Faleceu no dia 10 de maio de 2001, aos 63 anos de idade."

Sim, de fato, Michel Cury foi um dos engenheiros aeronáuticos pioneiros no Brasil. Com 63 anos de idade em 2001, teria nascido em 1938.

Mas... 

Para a prefeitura de Pederneiras, o orgulho de ter tido um personagem tão ilustre foi um pouco além...

"O engenheiro aeronáutico Michel Cury é pederneirense, nascido no Distrito de Guaianás. Ele participou dos primeiros passos das atividades aeronáuticas no Brasil, tendo inclusive participado da fabricação e do voo teste do primeiro avião da Embraer, o Bandeirante. Faleceu no dia 10 de maio de 2001, aos 63 anos de idade."



Se ele tivesse participado dos primeiros passos das atividades aeronáuticas do Brasil, com certeza não só já teria nascido mas já seria ativo na década de 1910, visto que o primeiro voo de avião construído no nosso país foi em 1910, o São Paulo, construído por Dimitri Sensaud de Lavaud. Faz muuuuito tempo, viu?