sábado, 9 de junho de 2018

Caixa Cor de Rosa

UMA AVÓ NA CABINE DE COMANDO – PARTE 2 (conclusão)


Cmte. Alexandra Lima e comissários


Na TAAG as "asinhas" não são broches, são lindos bordados
no quepe e uniforme dos tripulantes.


(fotos: Solange Galante)


Aqui está o final da entrevista que fiz com a Cmte. Alexandra Lima, da Transportes Aéreos de Angola quando esteve em São Paulo (veja a primeira parte em https://caixapretadasolange.blogspot.com/2018/05/caixa-cor-de-rosa.html ).
Muitas curiosidades sobre o comportamento dos passageiros são o destaque.

Acompanhe a seguir!


Há alguns anos, a TAAG enfrentou alguns problemas, alguns de seus aviões não podiam voar para a Europa, ela passou por algumas dificuldades, mas sabemos que ela adquiriu aeronaves mais novas, Boeing 777 novinhos, e também está se reerguendo, certo?

Os problemas não estavam nos aviões. Segundo a INAVIC (1) o problema estava na própria TAAG, que não conseguiu acompanhar a modernização da própria empresa, mas foi uma coisa que já passou, hoje voamos para a Europa para a América do Sul e, graças a Deus, não tem havido nada que nos torne menos profissionais que as outras companhias.

Todos os funcionários também trabalharam a favor disso, não é?

Sim! Todos estivemos empenhados porque, se a empresa fecha nós vamos para a rua! E se formos para a rua não temos onde trabalhar... Ok, hoje já se pode trabalhar para outras empresas, noutras partes do mundo, mas não há nada como o nosso chão, a nossa cama... Estou aqui em São Paulo há cinco dias e já estou morrendo de saudades da minha casa... e a profissão de piloto, e de tripulante de empresa aérea, é uma profissão muito solitária. A gente passa meia dúzia de horas dentro de um avião, chega ao hotel, mete-se no quarto, dorme, come...

O pessoal da empresa se une mesmo como uma família? A família da Palanca Negra?

Sim. A Palanca Negra é um antílope que está em vias de extinção, só tem em Angola mesmo. E da mesma forma que quase esteve em extinção e está agora a ressurgir, quase das cinzas, nós também estamos a levar a nossa companhia até o topo e penso até que vamos conseguir. Mas, por exemplo, há ainda aquela coisa do mau manuseamento por parte dos passageiros dos aviões, que são sofisticadíssimos mas isso também bate na tecla da educação da população. Eu não posso aceitar que um passageiro se sente e que estrague o comando do sistema de entretenimento... quando se trata de má educação não tem nacionalidade, o mal é geral... Eu tenho um colega, comissário, que, uma vez, o passageiro disse para ele que a cadeira estava estragada, e meu colega o levou até o banco de descolagem e aterragem e disse: “Estás a ver esta cadeira? Esta é a minha cadeira. Eu não uso aquela cadeira. Quem usa aquela cadeira é o passageiro, o senhor e outros passageiros. Não sou eu quem senta lá.”  Ou então vão para os aviões usando o fone do celular e dormem assim. Os fones caem dentro das cadeiras, que são elétricas. Resultado: chegamos ao destino, quando estamos cansados e queremos ir embora para descansar, temos que chamar o técnico em manutenção para vir puxar a cadeira... nós mesmos já desmontamos a cadeira para tentar encontrar os fones... Quer dizer, o passageiro não vai precisar dos fones dele ali, por que não os guarda?

E a companhia não se preocupa em fazer uma campanha de conscientização?

Já fizemos. Tanto, tanto e tanto... Mas um dia vamos conseguir (risos).

Aqui, já picharam por dentro avião da Gol...  E tiraram a porta de emergência, com o avião aguardando para taxiar, e saíram pela asa...

Essa falta de educação é geral, não tem nada a ver com uma raça e nem com um povo. A aviação é uma coisa que é cara. Qualquer coisa que tem que se fazer no avião, a manutenção de uma cadeira ou do sistema de entretenimento, tudo torna-se muito caro. Agora há pouco tempo houve um passageiro que, por birra, estragou o comando do sistema de entretenimento e foi levado ao Tribunal e obrigado a pagar uma indenização à TAAG e pagar a manutenção daquilo que ele estragou. Foi no 777. Por acaso, era um angolano que estava saindo de São Paulo para Luanda. Depois houve outro que estava com os pés em cima da cadeira da frente. Eu vi e pus uma foto dele no meu Facebook. Depois veio a público no Facebook dele, que pediu desculpas, porque aquilo foi sendo partilhado... “Não é desculpa, você nunca poderia ter feito isso”, falei “Porque se você fosse educado, isso nunca poderia acontecer.” 

Quais seus passatempos?

Sou piloto mas sou muito feminina, adoro cozinhar e passo a vida a falar disso... Meu passatempo é cozinhar e cuidar dos meus filhos, fazer o que eles gostam que eu faça para eles.

Qual são as especialidades da sua cozinha? Mais pratos regionais ou contemporâneos?

Da cozinha angolana eu sei fazer pouco. Gosto muito mais de pastelaria, de doces, sobremesas e gosto da cozinha internacional. Gosto de inventar, criar, e tenho me dado bem! (risos)

Agradeço imensamente à Cmte. Alexandre Lima, uma simpatia em pessoa, bem como à tripulação da TAAG que a acompanhava quando nos encontramos no hotel. Sucesso e bons voos a todos!



(1)         equivalente à Anac no Brasil = http://www.inavic.gv.ao/opencms/inavicsite/inavic/

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